Estou sem depilação.

São quase 1h da manhã, tecnicamente de sábado.

Mas como eu ainda não dormi, posso colocar #sextou até amanhecer, se eu quiser.

Essa coluna vai ao ar dentro de algumas horas, e às vezes, eu me deparo com esse “bloqueio criativo”.

Segundo minha analista, é algo típico de colunistas.

Caio Fernando Abreu escrevia para a Folha de São Paulo e já lidou com esse bloqueio diversas vezes, cof cof.

Aqui quem fala é a colunista bloqueada, muito prazer.

Sem mais delongas, fiquei pensando em uma notícia muito curiosa que saiu no na tv essa semana e resolvi comentar.

Depilação.

Como estamos com o comércio fechado durante essa pandemia, o prefeito do Rio de Janeiro decidiu liberar os salões de beleza.

Se é ou não um serviço essencial, vai do critério de cada um.

Talvez para a Juliana Paes, que já nasceu linda, seja algo pífio.

Tudo bem que ela precisa se arrumar, maquiar, fazer comercial etc.

Mas a verdade é: quem não gosta de um salãozinho, né?

Homens que não vão ao salão gostam de uma unha pintada em uma mulher, mesmo que não reparem na sobrancelha ou corte de cabelo.

Mas aí o nosso querido prefeito liberou salão de beleza SEM o serviço de depilação.

Meu amoooooooor?!?!?!?!

Eu não tô nem aí pra minha unha, mas eu preciso liberar a macaca Chita que tá travestida de Marina.

E aí, o que adianta ter a unha bem feita se a perna tá pior que a do Tony Ramos?

Qual a desculpa que eu dou pra sair de calça no calor?

Você não pensa nisso, Prefeito.

Minha sobrancelha já tá mais emendada que a ponte Rio-Niterói.

E fazendo curva.

No Carnaval, facilmente eu me vestiria de Frida Kahlo.

A sobrancelha e o bigode eu já tenho.

Ai, que horror.

Mas a vida de mulher é assim mesmo, o que eu vou fazer?

Vou sair dessa quarentena gorda e peluda, como uma mulher das cavernas.

O negócio é comprar um saco de barbeador e torcer pro ralo não entupir.

A gente não pode ficar sem depilação, Prefeito.

Se a quarentena terminar amanhã, eu nem à praia vou poder ir.  

Não digo nem transar porque isso eu já desisti.

Ninguém pensa no sofrimento da mulher.

Além de psicológico e emocional, temos o depilatório.

Brincadeira, viu.

Será que Caio Fernando Abreu também sofria com esses problemas?

A elite colunista sofre!

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.