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Publicado em: 30 de maio de 2020

Tinder em tempos de quarentena

Descobri que o Tinder é o meu amor em tempos de tédio em quarentena.

Imagem: Diy13/iStock

Baixei o Tinder.

Confesso.

Não tenho vergonha.

Porque pra mim, torcer pro Vasco é pior.

Nada contra, tenho até amigos que torcem.

Mas não baixei o Tinder porque quero conhecer alguém propriamente.

Baixei porque o tédio me obriga a fazer certas coisas.

Então, para não surtar e pintar meu cabelo de azul, resolvi me submeter ao aplicativo.

E acho que vocês, entediados da quarentena assim como eu, deveriam fazer o mesmo.

A primeira razão é que se você for uma pessoa que já odeia sair de casa para um encontro, o motivo do isolamento é perfeito.

A segunda razão é que se você já odeia sair de casa para qualquer motivo, também é perfeito.

E no Tinder eu aprendi muitas coisas.

Por exemplo: como os homens conseguem ter tanta autoestima ao mesmo tempo que têm pouca criatividade?

Todos os homens gostam de:

Barzinho.

Cerveja.

Cinema.

Netflix.

Praia.

To-dos.

Todos.

Não tem nenhum que fala “eu não gosto de fazer nada”.

Ou “gosto de dormir”.

Eles têm que ser muito ativos, ou acham que o contrário não é atraente.

Teve um que escreveu “90% academia e 10% comer coisas gostosas”.

Mas a foto era um pouco contraditória...

De qualquer forma, eu não aceitaria.

Onde já se viu preferir fazer exercícios do que comer uma lasanha?

Essa pessoa não pode ser confiável.

No Tinder, os homens se dizem sempre muito agradáveis.

Em busca de uma boa conversa.

Relacionamentos sérios, quiçá.

E, claro, na maioria das vezes, sarados.

Eu nunca aceito um cara muito bonito.

Sempre desconfio.

Homens perfeitos só no The Sims.

Mas vá lá, quando eu aceito um cara bonito e ele me aceita de volta, aí mesmo que eu desconfio.

Porque minhas fotos mostram que eu tenho um baconzinho na barriga e asinhas de gordura.

Ou seja, um cara que dá like pra mim tem que ser um cara que gosta de churrasco, no mínimo.

Quando a gente cresce, começa a dar valor pras coisas certas.

Aprendi que posso rir com o Tinder.

E é tudo isso que eu busco na vida: diversão e boas risadas.

Tinder, casa comigo?

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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