Tirando a camisa de ciclismo na casa da amiga depois de um treino de 40 quilômetros, a Dra. Carolyn Kaelin, de 42 anos, diretora do Comprehensive Breast Health Center de Harvard, no Brigham and Women’s Hospital, olhou para o espelho e percebeu no seio direito uma minúscula área de pele repuxada para dentro.

Movendo-se para a frente e para trás para que a imagem se afastasse de uma distorção no espelho, Carolyn examinou a área mais de perto. Não havia nódulo, e suas mãos experientes não sentiram nada fora do comum.

Mas, como cirurgiã de câncer de mama, Carolyn já vira muitas mulheres com a doença, e desconfiou que estivesse com problemas. Na manhã seguinte, depois de realizar a primeira cirurgia do dia, fez uma mamografia. Tudo normal. Depois da segunda cirurgia, fez um ultrassom. Parecia normal, mas havia uma pequena formação com aparência não muito boa. Ela concluiu as quatro cirurgias restantes de sua agenda e depois pediu a um colega que retirasse uma amostra do tecido de seu seio para biópsia. 

No dia seguinte, a colega mostrou-lhe as lâminas resultantes e a informou de que tinha câncer de mama. “Aquilo me pegou de surpresa”, diz Carolyn, sem hesitação. “Eu era jovem, saudável, me alimentava bem, fazia exercícios, tentava ter boas noites de sono e não tinha nada que levasse a isso em meu histórico.”

Turma da Mônica e Corpo Humano

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“Acho que é essa a reação de todo mundo. Do ponto de vista intelectual, eu praticamente soube que tinha câncer de mama quando vi a retração da pele. Então não foi uma surpresa quando a chefe da patologia me contou. Mas…” Ela hesita. “Ainda assim foi uma surpresa. E dizer a mim mesma que sofro da doença de que tratei nas pessoas por anos…”, declara ela com ar triste. “A ironia não me passou despercebida.”

Uma vez tendo o diagnóstico, Carolyn agiu rapidamente. Fez uma nodulectomia. Depois outra. E outra. Então, finalmente, fez uma mastectomia. 

“A cirurgia com preservação da mama, dependendo da paciente, é uma opção perfeitamente segura em termos cirúrgicos”, diz Carolyn. “Nem todas necessitam de mastectomia. Mas meus médicos vieram a descobrir que eu tinha três tumores invasivos nos seios.”

Quando seu tratamento cirúrgico terminou, Carolyn havia feito três nodulectomias. uma mastectomia e quatro outras cirurgias relacionadas à expansão do tecido torácico e à inserção de implantes. Ao todo, foram oito cirurgias. 

Como dormia? Entre o desconforto do tratamento cirúrgico e o estresse relacionado ao diagnóstico, mais o tratamento, o número de cirurgias e a imensidão de seu trabalho em prol das mulheres por toda parte, é uma milagre que Carolyn tenha conseguido dormir. Mas conseguiu, e dormia bem.

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“Acredito que, quando você experimenta dor pós-cirúrgica, esse é o momento apropriado para tomar uma medicação narcótica prescrita pelo médico”, diz Carolyn. “Fiz o que me recomendaram e dormi.”

Hoje, quase cinco anos depois, Carolyn ainda se submete a terapia hormonal de acompanhamento. Ela desenvolveu um programa de exercícios de reabilitação, administra sessões intensivas de dois dias para treinadores e escreveu dos livros. Ela também passa boa parte de seu tempo no programa comunitário de educação para sobreviventes do câncer de mama. 

E ela continua a dormir bem. Mas, em lugar da ajuda dos narcóticos, agora seu sono é auxiliado pelo exercício. “Um bom treino me ajuda a ter uma boa noite de sono”, diz a médica. “Caminho três quilômetros até o trabalho, ou, se não tiver reunião, corro tanto na ida quanto na volta.”

 

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