“Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”, escreveu o autor mineiro Rubem Alves (1933-2014). E é nisso que muitos adultos, preocupados com a educação dos filhos, acreditam. A literatura, todos sabemos, é um dos mais importantes pilares na formação da criança e do jovem. Não é? Por isso a necessidade de incentivarmos nossos jovens leitores.

Ponto pacífico. Taí Roland Barthes (1915-1980), que dispensa apresentações e não nos deixa mentir. Ele afirma que “se todas as disciplinas um dia desaparecessem dos currículos universitários, bastaria que ficasse a literatura, uma vez que ela contém todas as outras disciplinas”. Total apoio!

Bem, essa é a opinião de escritores, estudiosos da literatura, editores e muitos outros adultos que, por “vício da profissão”, são fiéis a essa doutrina.

Literatura, sua linda

Mas e as crianças e os jovens? Esses que queremos atrair e conquistar para o mundo múltiplo e fértil da literatura? É fácil fazê-los ver essa “verdade”?

Fácil, nem sempre. Mas possível, sim. Para isso, é preciso primeiro atentar para uma das palavras usadas no parágrafo anterior: múltiplo. Como?

Saibam aqueles que repudiam vampiros e distopias da moda literária que a incontestável boa literatura pode não ser a maneira mais eficaz para conquistar os jovens leitores mais arredios. Pelo menos até onde boa literatura pode se confundir com os textos consagrados. A aproximação do texto literário à realidade do leitor trouxe com ela também uma certa rejeição aos textos do repertório tradicional. Um dos motivos é a linguagem da obra, que naturalmente reflete a época em que foi gerada.

Livro: objeto múltiplo

É natural essa rejeição por parte das crianças (se seu filho é uma exceção, considere-se uma pessoa de sorte!). Se queremos que elas vejam o livro como brinquedo e diversão, um texto com muitos termos enigmáticos não vai facilitar a tarefa. E aí entra a importância da multiplicidade. A diversidade dos textos literários (e não literários também) possibilita que a criança descubra (com a nossa ajuda) o tipo de texto que lhe agrada. Essa primeira aceitação do lúdico na leitura é importantíssima. Depois de conquistado e apaixonado por livros, qualquer que seja o gênero destes, milhares de portas se abrirão para o jovem leitor, entre elas aquelas que o levarão para onde pais e professores desde o início queriam conduzi-lo: o mundo da boa literatura.

Com calma e sem preconceitos, podemos ajudar nosso leitor iniciante a alcançar um refinamento literário por esse caminho que é quase intuitivo.

O importante é sermos seus parceiros nesse caminho!