Ratos tradicionalmente têm má reputação. Nossa tendência é considerá-los uma praga e querer distância deles. Mas, um grupo especial tem salvado milhares de vidas humanas na Tanzânia, em Angola e em Moçambique. Palco de inúmeras guerras civis, o continente sofre com os riscos que as minas, artefatos bélicos invisíveis, oferecem. Somente em Angola, a Cruz Vermelha estima que existam cerca de 15 milhões de minas não detonadas.

A organização belga Apopo treina ratos gigantes africanos (Cricetomys gambianus) para detectar duas das mais cruéis ameaças na África: a tuberculose e as minas terrestres. À procura de uma solução barata e que demandasse apenas recursos locais, Bart Weetjens, fundador da Apopo, se lembrou dos roedores de estimação que teve quando era criança, na Bélgica. Ele sabia que os ratos eram inteligentes, sociáveis e aprendiam coisas. Além disso, sabia também que existiam aos montes e que era relativamente barato treiná-los.

Os ratos heróis da Apopo

Diante de uma missão tão importante, os roedores da Apopo são tratados como animais de estimação. Em seu treinamento, aprendem a associar o som de um clique à comida. Assim, passam a entender que, para receber uma recompensa, precisam encontrar um odor específico. Então, saem farejando em busca de explosivo TNT (armazenado em minas desativadas) ou tuberculose (usando amostras de secreção de pacientes).

Desde 2007, os ratos – que vivem até oito anos em cativeiro – detectaram mais de 56 mil minas terrestres e outros explosivos. Estes especialistas de quatro patas pisam tão de levinho que ainda não houve uma única baixa entre eles! Eles também avaliaram mais de 300 mil amostras de tuberculose e detectaram 8 mil casos. Enquanto um técnico de laboratório leva um dia inteiro para analisar 20 amostras, um rato pode fazer isso em apenas dez minutos.

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