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Publicado em: 13 de março de 2020

A Internet ‘não está funcionando para as mulheres’, admite inventor da Web

No mês de aniversário da World Wide Web, Tim Berners-Lee reflete sobre violência online contra mulheres e meninas.

Imagem: skyNext/iStock

A World Wide Web (“WWW”), que em linhas bem gerais é a Internet tal qual a conhecemos, está completando 31 anos em 2020 – mas ainda não está funcionando para mulheres e meninas, de acordo com seu criador, Tim Berners-Lee.

No mês de aniversário da Web e de consciência da luta feminina por igualdade de direitos, o cientista da computação publicou uma carta aberta com reflexões que expõem sua preocupação com o objetivo inicial da rede: ser livre e aberta a todos. Para ele, preconceitos e discriminação reforçados na Internet são um grande desafio.

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mulheres e tecnologia
Mulheres ainda são minoria no mercado de trabalho, especialmente em tecnologia. (Imagem: gorodenkoff/iStock)

“O mundo fez importantes progressos em matéria de igualdade de gênero, graças à movimentação incessante de pessoas comprometidas em todos os lugares.”, explica Berners-Lee, em uma referência às situações nas quais a Internet pode ser utilizada à favor da sociedade. Em seguida, pondera em relação aos ataques a minorias – especialmente contra mulheres:

“Mas estou seriamente preocupado com o fato de os danos on-line enfrentados por mulheres e meninas – especialmente as de cor, provenientes de comunidades LGBTQ + e outros grupos marginalizados – ameaçarem esse progresso”.

Desigualdade de gêneros na sociedade é refletida no acesso à Internet

Dados divulgados por no site da World Wide Web Foundation (WWWF) mostram que homens tem 21% mais chances de estar online do que as mulheres. O número cresce para 52% quando o recorte é feito para os países menos desenvolvidos.

“Essa lacuna reforça as desigualdades existentes e impede que milhões usem a web para aprender, ganhar e fazer ouvir a voz”, afirma Berners-Lee.

Outras pesquisas da organização denunciam que mais da metade das mulheres jovens já sofreram violência online, os tipos são diversos – de assédio sexual a compartilhamento de imagens privadas sem consentimento. Além disso, 84% das entrevistadas acreditam que o problema está piorando.

Preconceito e Inteligência Artificial

A carta de Tim Berners-Lee também aponta para problemas com novas tecnologias, como os sistemas de Inteligência Artificial (IA), que podem reproduzir comportamentos e discriminatórios. A grande questão em torno desse tema é que toda a programação feita por humanos pode ser influenciada por comportamentos preconceituosos.

Em alguns casos, os softwares não são direcionados propositalmente a uma ação desse tipo, mas acabam reproduzindo padrões com base em dados do passado para fazer personalizações e recomendações – e, cabe lembrar, o passado não foi nada gentil com as mulheres.

Sistemas de Inteligência Artificial podem reproduzir preconceitos sociais baseados em gênero. (Imagem: metamorworks/iStock)

“Em 2018, uma importante ferramenta de recrutamento automatizado teve que ser descartada, porque subselecionou sistematicamente as mulheres devido ao treinamento em dados históricos em que os papéis foram preenchidos pelos homens”, alerta o cientista.

Diretrizes para combater a violência contra a mulher

Para Berners-Lee, a sociedade precisa começar encarando o problema de frente e o colocando em prioridade pelos governos e empresas ao redor do mundo.

Caberia, então, às organizações encontrar soluções para montar times com maior diversidade de gênero e fornecer dados que denunciem qualquer tipo de violência contra a mulher. Como mostrado em uma reportagem publicada na última semana, o mercado de trabalho ainda é dominado por homens nas posições de chefia.

O criador da Web também clama por leis eficazes para responsabilizar criminosos que praticam violência baseada em gênero pela Internet. E, por fim, incita a todos os usuários a denunciar situações de risco para mulheres e meninas no ambiente online.

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Em março, a coluna Vida Digital traz matérias especiais relacionadas a mulheres e sua luta por igualdade de direitos entre os gêneros. As reportagens serão relacionadas à área de tecnologia, com foco em empreendedorismo, capacitação e representatividade. Acompanhe no site da Revista Seleções, toda sexta-feira, a partir das 10 horas.

Ana Marques
Ana Marques
Jornalista formada pela UFRJ, Ana é entusiasta de tecnologia, dos dispositivos móveis e da inteligência artificial, mas também defensora das relações humanas e das conexões feitas por meio de encontros. Sua relação com a cobertura tecnológica teve início em 2016, no TechTudo, ainda como estagiária. Em 2018, passou a integrar a equipe de Conteúdo do comparador Zoom.com.br, onde foi editora de Mobile (Celulares, Tablets e Wearables) & Eletrônicos até agosto de 2020. Atualmente é editora-assistente de Notícias no Tecnoblog, o maior veículo independente de Tecnologia do Brasil.

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