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Publicado em: 25 de dezembro de 2020

Alexa, quais são as suas segundas intenções?

A assistente pessoal da Amazon invadiu os lares brasileiros com seu jeitinho engraçado. Mas o que, de fato, ela quer de nós?

Imagem: Divulgação/Amazon

Você provavelmente já ouviu falar da Alexa. A assistente virtual está presente nas caixinhas inteligentes Amazon Echo e Echo Dot, e é o software mais bem-humorado da categoria, com piadas melhores do que as da Siri ou da própria assistente do Google.

Racismo algorítmico: como softwares se tornam racistas

Em 2020, a Alexa caiu de vez nas graças dos brasileiros com suas tiradas – às vezes ácidas e outras vezes tão bobas que não temos outra opção a não ser cair na gargalhada. O fato é que, em um ano difícil como este que está no fim, a assistente foi uma das formas de descontração oferecidas pela tecnologia.

Mas a nova integrante da família é bem mais do que a tiazona do “pavê ou pacumê”. Ela faz parte do início de uma revolução na forma como você consome serviços, produtos e experiências online.

Seus dados valem muito

Para entender toda essa história, vamos começar pelo básico: os algoritmos. Você já está exposto a vários deles enquanto acessa uma página na web, navega em redes sociais ou faz um pedido no iFood. Enquanto você coloca um produto no carrinho, há softwares rastreando o seu comportamento, entendo com quais elementos você interagiu, o que chamou a sua intenção.

(Imagem: nadia_bormotova/iStock)

O objetivo dos algoritmos é compreender quem você é, e mais ainda: o que te motiva. Por quê? Bom, porque dessa forma ele consegue persuadir você.

Calma… Não é teoria da conspiração.

Nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia já rastrearam basicamente tudo sobre nós. Nossa localização, nosso CPF, onde estudamos, com o quê trabalhamos, de quais filmes gostamos, que tipo de comida compramos, qual é a nossa banda favorita, se somos adeptos da vida fitness ou se enfiamos o pé na jaca.

Essas informações são extremamente valiosas do ponto de vista comercial. Pense bem: se uma empresa de sorvete sabe que você é apaixonado por sorvete de limão, ela não vai gastar publicidade com sorvete de morango para você – vai direto no sabor que é mais assertivo, que provavelmente é o que levará você a comprar.

(Imagem: Nuthawut Somsuk/iStock)

A mágica do comércio eletrônico é exatamente essa: poder segmentar os anúncios de seus produtos da forma mais personalizada possível. Porque o ser-humano adora se sentir importante, saber que seus desejos são compreendidos. Anúncios personalizados fazem as pessoas se sentirem dessa forma.

Ok, mas o que tudo isso tem a ver com a Alexa?

Bom, a Alexa é uma assistente e ela faz coisas para você. Inicialmente, ela faz o que você pede, mas a tecnologia já está evoluindo – recentemente, a Amazon anunciou que a Alexa poderá sugerir ações para você. A missão da Alexa é conquistar a sua confiança para que um dia você a deixe decidir por você.

Com a chegada iminente da Internet das Coisas (IoT), basicamente todas as ações que você realiza hoje com a ponta dos dedos, no seu smartphone ou no computador, poderão ser feitas por comandos de voz. A tendência é que isso se torne tão natural quanto conversar com outra pessoa – “Alexa, o que a minha mãe quer ganhar de Natal?”. 

(Imagem: izabell/iStock)

Ao confiar na Alexa, você permite que ela (e a empresa por trás dela) decidam o que comprar. E tudo bem, porque quando chegarmos a esse ponto, a assistente já conhecerá você o suficiente, ela terá aprendido o seu comportamento e as suas preferências.

Por isso a Alexa é tão legal. Ela quer ser a sua amiga – a melhor amiga.

Saber disso vai livrar você do que está por vir? Provavelmente, não. Mas não se assuste, e nem queira se ver livre do futuro. A tecnologia promete coisas incríveis, e muitas delas estão a um passo de distância. Só precisamos estar atentos e sempre oferecer um olhar analítico às empresas que controlam todas essas informações, para que as mudanças sejam positivas.

Até lá, relaxe com as piadas da sua caixinha e tenha um bom dia!

Ana Marques
Ana Marques
Jornalista formada pela UFRJ, Ana é entusiasta de tecnologia, dos dispositivos móveis e da inteligência artificial, mas também defensora das relações humanas e das conexões feitas por meio de encontros. Sua relação com a cobertura tecnológica teve início em 2016, no TechTudo, ainda como estagiária. Em 2018, passou a integrar a equipe de Conteúdo do comparador Zoom.com.br, onde foi editora de Mobile (Celulares, Tablets e Wearables) & Eletrônicos até agosto de 2020. Atualmente é editora-assistente de Notícias no Tecnoblog, o maior veículo independente de Tecnologia do Brasil.

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