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Publicado em: 22 de fevereiro de 2020

O Rio de Janeiro além do túnel Rebouças

Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Praia de Ipanema... é tudo muito lindo, mas não é a real identidade do Rio de Janeiro.

Imagem: dabldy/iStock

Existe Rio – e muito! – do outro lado do túnel Rebouças.

Aliás, que delícia é o subúrbio do Rio de Janeiro.

Quem nunca foi fala mal porque com certeza nunca teve a oportunidade de conhecer essa pedaço de misturas carioca.

Sim, eu nasci na Zona Sul, e até outro dia escrevi um texto sobre as maravilhas de Copacabana.

Que, brincando, Deus criou Copacabana e tal.

Mas há quatro anos venho tendo mais contato com o subúrbio e posso dizer com propriedade que o Rio é suburbano.

O suburbano é a cara do Rio.

O suburbano é o melhor tipo de pessoa – Salve meu amigo “Brian”, que pediu pra ser mencionado neste texto!

O nome dele não é Brian, é Rafael.

Mas suburbano faz apelido do apelido, sabe?

Explico: tem uma piada que gera um apelido, e esse apelido vai sendo enxugado até, um dia, virar uma piada interna.

Então, meu amigo Rafael hoje é o Brian.

Não é “Braian”. É suburbano mesmo, B-R-I-A-N.

Versão brasileira, Bento Ribeiro.

O suburbano queria que tivesse teletransporte. E, se existir, eles serão, por lei, os primeiros a utilizar.

Porque ninguém merece ter que sair duas, três, quatro horas antes do trabalho, pegar um transporte lotado pra chegar atrasado ainda, porque choveu e a Barra tá toda parada.

Tudo que o suburbano quer é chegar em casa sem sofrer um assalto, ou passar por um tiroteio. Cada dia é uma vitória.

Quem chega no Rio de Janeiro pra conhecer Ipanema e o Cristo Redentor, não vai conhecer de fato o jeito carioca de ser.

O Rio verdadeiro não é a zona sul.

A vitrine é bonita, sim, mas temos muito mais a mostrar.

Quem vem pra Zona Sul vai conhecer os playboys, chopinho no Jobi, barzinho no “baixo bota”, cheio de publicitário tatuado.

E gente que adora uma cerveja artesanal, mas duvido que não compraria um pack de cerveja barata na promoção.

E “pack”, “cerveja” e “promoção” na mesma frase é coisa de suburbano.

Típico do Guanabara.

O Rio é aniversário Guanabara!

O Rio é Parque Madureira, é baile charme, é Mercadão, é Batata de Marechal, é bate-bola.

Que eu não sabia o que era, e quando ouvi a primeira vez “bate-bola”, achei que era altinha.

Bora “bater uma bolinha”?

Todos os meus amigos suburbanos lembram dessa história e sou alvo de sarro até hoje.

Depois vi as fotos e tomei horror por essa típica atração do Carnaval.

Suburbano também adora uma gambiarra pra fazer churrasco no quintal.

Isso quando não dá a louca e faz no meio da Av. Brasil mesmo.

Junto com a TV de 45 polegadas pra ver o jogo do Flamengo.

O subúrbio tem as casas antigas mais lindas, em Bento Ribeiro, Marechal e Vila Valqueire.

É difícil escolher só uma que você se apaixone.  

Subúrbio é biquíni de fita isolante, é pegar sol no asfalto mesmo.

Me sinto filha do subúrbio, com muito orgulho, apesar de realmente ser neta – minhas duas avós nasceram em Realengo.

Fui batizada suburbana a primeira vez que tomei banho de mangueira na laje, nua e ao ar livre.

O subúrbio me adotou porque todos os suburbanos, mesmo os que eu conhecia pouco, sempre me receberam de braços abertos.

O Rio é Suburbano, com S maiúsculo mesmo.

Em respeito a toda a sua história, seu charme, seu valor, seu povo.

Bota o hino do Flamengo, arma a piscina de plástico e vamos fazer um churrasco no quintal!

Marina Estevão
Marina Estevão
Formada em Jornalismo pela PUC-RJ, sua paixão é escrever sobre o que vive, o que vê e o que sente. Afinal, toda história tem vários lados, o que muda é a forma de contá-la – sempre de bom humor.

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