Gerentes de banco também são empregados que precisam bater metas, apresentar resultados e lucratividade. Por isso, precisam vender serviços e produtos que são muito lucrativos para o banco. No entanto, esses serviços nem sempre são tão lucrativos ou beneficiam os clientes. Por isso é comum insistirem que você contrate um serviço que não precisa ou que não vai render bons lucros. Na prática podem até fazer você perder ou deixar de ganhar dinheiro.

Seu gerente já te ligou para oferecer um novo fundo de investimento com taxa de administração baixíssima? Com valor inicial acessível? E com bom desempenho que vai te assegurar um rendimento seguro e de baixo risco? Já te ofereceu fundo de investimentos de renda fixa, fundo imobiliário, título público do tesouro direto, uma LCI ou LCA? Aposto que não!

Fique atento ao contato telefônico do seu gerente. Ele pode não estar querendo ser atencioso. Nem te oferecer uma boa opção para aumentar seu patrimônio ou bom negócio. Pode estar apenas precisando bater a meta mensal de vendas.

Atenção aos 5 serviços campeões da lábia dos gerentes de banco:

  • Títulos de capitalização
  • Seguros
  • Previdência Privada
  • Cartões de Créditos
  • Créditos pré-aprovados, ou seja, empréstimos

Fique atento a essas ofertas. Você não precisa contratar nenhum desses serviços por impulso ou só porque o seu gerente está oferecendo. Nem sempre você precisa deles, e pode até correr o risco de ficar endividado se aceitar contratá-los.

Além disso, essa prática do gerente pode ser considerada abusiva. É o que diz o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. Se o gerente informa que você só pode fazer um empréstimo se contratar um seguro, isso é uma venda casada. Aqui na Coluna nós já falamos sobre venda casa, se você não viu confira o post Você sabe o que é uma venda casada?.

1 – Títulos de capitalização

Se seu gerente afirma que Título de Capitalização é investimento quando percebe que o cliente não entende de investimentos, é abusivo. Nesse caso ele se prevaleceu da ignorância do cliente.

Nesses casos o cliente pode processar o banco pedindo a devolução do dinheiro pago pelos serviços que não queria contratar. Também pode pedir uma indenização por danos morais por ter sido enganado e ter sofrido prejuízo financeiro. Só o gerente e o banco lucraram com essas contratações.

Já alertamos aqui no site que Título de Capitalização não é investimento. É puramente sorteio. Você paga para concorrer a sorteios e seu dinheiro pode ficar preso, sem direito a saque, em período de carência. Ao final do prazo da aplicação, a devolução tem uma correção monetária muitas vezes abaixo da inflação. E com juros baixíssimos, se comparados aos da Caderneta de Poupança.

2 – Seguro

Seguro também não é investimento, nem mesmo os seguros de vida. O objetivo é garantir uma indenização caso aconteça um evento que pode gerar um prejuízo. Aquele que na verdade ninguém deseja que aconteça. Se você está com o orçamento muito bem equilibrado e sem dívidas, pode valer a pena contratar um seguro. Por exemplo, residencial que protege contra incêndios e roubos. Ou um seguro de vida e danos pessoais com assistência funeral. Mas compare coberturas, preços dos prêmios de pagamento mensal e valor das indenizações antes de contratar. Converse com um corretor para conhecer opções.

3 – Previdência Privada

Os planos de Previdência Privada são planos de longuíssimo prazo de duração e investimento, com pagamentos mensais. São indicados para quem está pensando na aposentadoria ou na educação de um filho recém-nascido. A escolha de um plano deve considerar, por exemplo, como é feita a declaração do imposto de renda. E deve combinar com a forma de tributação do plano (progressiva ou regressiva), além do valor mensal que será depositado. Por isso, também depende de uma avaliação antes de decidir começar a “pagar”. Nada que você consiga avaliar numa chamada telefônica. Principalmente se estiver endividado, ou pretende fazer dívidas num curto prazo. Conhecer a rentabilidade do plano também é essencial para decidir entre este tipo de investimento ou outras opções. Peça para ver as tabelas de projeções. Títulos públicos de longo prazo do Tesouro Nacional (Tesouro direto) também podem atender aos mesmos objetivos de uma previdência.

4 – Carão de crédito

Cartão de Crédito podem ser um perigo. Você precisa mesmo ter mais de um cartão? Se for isento de anuidade, sem prazo para que seja cobrada, pode até ser uma boa opção. Caso contrário, se tornará parte das despesas fixas, mesmo que você nunca utilize, já que terá que pagar a anuidade. Aqui no site você encontra diversas dicas de como tornar o cartão de crédito um aliado. Evite que seja uma porta de entrada para o endividamento. Dá só uma olhada em “Cartão de crédito: Aliado ou inimigo?” também em “Como usar o cartão de crédito sem se endividar”. E descubra com “Cartão de crédito: o que o seu banco sabe sobre você”.

5 – Empréstimos

Finalmente os empréstimos. Quando o gerente dá a grande notícia de que: você tem um “crédito pré-aprovado”; que existe um “dinheiro disponível para você”; ele está vendendo um empréstimo. Não existe dinheiro fácil. Sabe aquele ditado popular “quando a esmola é demais o Santo desconfia”? Pois é, ele está certíssimo. Os Órgãos de Defesa e Proteção dos Consumidores e as Defensorias Públicas condenam este tipo de abordagem. Podem ser prejudiciais e levar ao endividamento das famílias. Não faça um empréstimo se não for absolutamente necessário. Vale a pena trocar um empréstimo com juros mais altos por outro, com taxas mais baixas para diminuir uma dívida. Isso vai depender de uma longa conversa e negociação com o gerente. Não de um contato telefônico no qual ele explica que “você tem um crédito com ótimas condições.”

Fique atento! Não caia na lábia do gerente que quer bater meta. Leia os artigos do canal de Economia aqui do site, saiba mais sobre finanças pessoais e como se proteger. Além disso, Conheça seus Direitos lendo sempre a nossa coluna!

Samasse Leal
Samasse Leal
Apaixonada por Direito, Samasse Leal é especialista em Direito do Consumidor, pós-graduada pela PUC-Rio. Co-autora e revisora técnica da obra Use as Leis a Seu Favor, participou de diversas edições do programa Sem Censura (TVE) e programas de rádio, falando sobre direitos para o público em geral. Nos quase 20 anos de carreira, atuou em grandes escritórios jurídicos, empresas, associação de defesa dos consumidores e atualmente atua na área de relações com investidores de uma multinacional espanhola.

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