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Publicado em: 9 de julho de 2021

Um robô que faz unhas, outro que dá aulas — e os empregos, para onde vão?

Robô-manicure, cirurgião, instrutor… Muitas são as notícias de evolução da inteligência artificial. Estariam os humanos ameaçados?

Imagem: LightFieldStudios/iStock

Os últimos dias foram movimentados por notícias envolvendo robôs brilhando em atividades do nosso dia a dia. Nos Estados Unidos, uma máquina manicure chamou a atenção por pintar unhas das mãos de forma precisa em 10 minutos, e por um preço abaixo do cobrado por profissionais humanos.

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Em outra área, foi a vez de instrutores virtuais roubarem a cena ensinando idiomas em vídeos da escola Berlitz — a instituição substituiu o investimento em professores humanos para fechar uma parceria com a startup Hour One, que criou um verdadeiro exército de instrutores com inteligência artificial.

Na medicina, as cirurgias assistidas por robôs já são uma realidade, inclusive aqui, no Brasil. Mas ainda há muito o que evoluir: segundo uma pesquisa feita na Universidade do Texas, os procedimentos ainda são mais caros e demorados do que sem esse auxílio tecnológico, e não oferecem vantagens claras, ao menos por enquanto. Mas isso acontece porque, nesta área, os robôs ainda são muito dependentes dos humanos.

Menos custos, maior escalabilidade

Se por um lado a robótica na telemedicina ainda tem alto custo, na área de educação à distância e em salões de beleza, o investimento parece compensar mais. Uma máquina de manicure consegue atender muito mais clientes sem parar para almoçar, sem cobrar hora extra e sem precisar de vale-transporte. Da mesma forma, instrutores virtuais conseguem gerar milhares de vídeos em diversos idiomas, e o empregador não terá que pagar férias ou 13º salário.

Se por um lado o aprendizado de máquina proporciona interações cada vez mais realistas, por outro, por outro, a experiência de viver em sociedade, a troca com outros humanos, isso raramente poderá ser substituído.

Aprender com um robô dificilmente vai gerar um elo de pertencimento a uma classe, por mais realistas que sejam as expressões faciais. Assim como uma sessão no salão de beleza com uma máquina que pinta unhas não deverá ser tão relaxante quanto meia hora de conversa com uma profissional antenada nos últimos acontecimentos do bairro, por exemplo — sim, eu estou falando da fofoca edificante.

Harmonia entre homem e máquina

Algumas profissões já estão sendo postas em cheque. Geralmente as mais operacionais. Estoques de grandes empresas já são monitorados e abastecidos por robôs. Caixas de lojas vêm sendo substituídos por postos de autoatendimento. O atendimento virtual do seu banco já pode ter um chatbot, em vez de um atendente humano. As coisas caminham para uma troca, sim. Mas não em tudo.

Outras profissões vêm surgindo — empresas têm perseguido os criativos. Mas há espaço para os metódicos. A exigência é pensar, muitas vezes pensar diferente, ir além, arriscar. Para onde vão os empregos? Eu não sei. Mas equilíbrio talvez seja uma palavra-chave. Para obtê-lo, é preciso educação, de base, para todo mundo. É preciso providenciar acesso à tecnologia também.

Alguns países estão mais preparados que outros, mas o inevitável, um dia chega. É preciso estar alerta e cobrar capacitação, cobrar condições de aprendizado e de vida, como um todo, para um crescimento tecnológico saudável e benéfico de forma ampla.

Ana Marques
Ana Marques
Jornalista formada pela UFRJ, Ana é entusiasta de tecnologia, dos dispositivos móveis e da inteligência artificial, mas também defensora das relações humanas e das conexões feitas por meio de encontros. Sua relação com a cobertura tecnológica teve início em 2016, no TechTudo, ainda como estagiária. Em 2018, passou a integrar a equipe de Conteúdo do comparador Zoom.com.br, onde foi editora de Mobile (Celulares, Tablets e Wearables) & Eletrônicos até agosto de 2020. Atualmente é editora-assistente de Notícias no Tecnoblog, o maior veículo independente de Tecnologia do Brasil.

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