Os Certificados de Operações Estruturadas (COE) são títulos emitidos por instituições financeiras. Eles precisam captar recursos de forma rápida e barata para financiar uma operação específica de um cliente. Para isso, tomam o seu dinheiro emprestado e oferecem em troca a possibilidade de você obter algum ganho num prazo fixo; caso a operação seja lucrativa também para o banco. Mas não existe certeza de ganho, é uma possibilidade. Por isso, este investimento envolve risco, e é indicado para investidores com perfil moderado ou arrojado.

O COE que é classificado como um título de renda fixa, na verdade é estruturado por um pacote de operações que combina produtos de renda fixa e renda variável, escolhido por um banco. Assim, sua rentabilidade vai estar atrelada a um indexador que pode ser um índice de inflação, o Ibovespa, variação de câmbio, juros, variação do preço de determinadas ações, do ouro, do café, da soja, ou seja, de um ativo que possui valor variável. Desta forma, o banco escolhe alguns produtos que combinados podem – ou não – ter boa rentabilidade. Portanto, é uma opção para se investir em produtos de renda variável reduzindo o risco de perda.

Como funciona um COE?

Na prática você estará fazendo uma aposta num limite de variação de um índice indexador. Se a variação daquele índice ficar dentro dos limites da previsão (máximo e mínimo) descritos no COE, você lucra. Se ele ficar fora dos limites (para mais ou para menos), você não lucra ou perde parte do valor investido; dependendo da modalidade de título comprado.

Existem duas modalidades de COE

Com valor nominal protegido (VNP)

No final do prazo da operação se o índice variou dentro dos limites previstos, você recebe o valor que investiu. Além disso, recebe a correção pela inflação e mais a rentabilidade que vai corresponder ao percentual da variação, para mais ou para menos. Porém, se o índice variou além dos limites previstos, receberá o valor que investiu acrescido somente da correção pela inflação. A maioria dos títulos emitidos no Brasil é ofertada nesta modalidade.

Com valor nominal em risco (VNR)

Diferente da modalidade VNP, no final do prazo da operação, se o índice variou além dos limites previstos (para mais ou para menos), você perde o percentual da variação e recebe menos do que investiu. Como nesta modalidade há um risco de perda, os percentuais de rentabilidade oferecidos costumam ser maiores. Além disso, para melhorar a atratividade, ao estruturar a operação o banco emitente procura combinar produtos de renda fixa com maior rentabilidade que compensem eventual perda do produto da renda variável que compõe a operação.

Características importantes

  • Costumam ter um valor de aporte (mínimo para investir) baixo, em torno de R$ 5 mil;
  • Tanto os ganhos como as perdas são limitados, já que são pré-definidos de acordo com o limite de variação previsto no título, no prazo de vigência fixado;
  • Se for resgatado antes do vencimento, o investidor perde dinheiro porque é obrigado a revender para o emitente com deságio. Por isso são títulos sem liquidez diária (você não consegue resgatar o valor a qualquer momento se precisar de dinheiro, somente ao final do prazo da operação);
  • Sobre a rentabilidade incide Imposto de Renda – IR, sendo aplicada a mesma tabela regressiva da tributação da renda fixa. Assim, dependendo do prazo do título, a taxa de IR será maior ou menor. Em regra um COE é emitido pelo prazo de 01 ano, incidindo a alíquota de 17,5% de IR. Se tiver o prazo de 02 anos, o IR será de 15% sobre a rentabilidade. Observe que se o título for resgatado entre 0 e 06 meses da data da aplicação o IR será 22,5% e entre 06 meses e 01 ano, o IR será 20%;

Existem diversos tipos de investimento e de investidores, descubra qual é o seu perfil.

  • Esse título não é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC, assim, se a instituição financeira que emitiu o título quebrar, o investidor perde todo o valor investido. Por isso é importante avaliar o rating (classificação da saúde financeira) da instituição emitente;
  • É importante avaliar o Custo de Oportunidade: chance que você teria de lucrar se aplicasse em outro tipo de investimento de renda fixa pelo mesmo prazo de vigência do COE. Lembre que ao investir diretamente em um ativo de renda variável, se o desempenho dele não é satisfatório num determinado prazo, você tem a opção de esperar mais para liquidá-lo (vender e recuperar o valor investido). No COE o investidor não tem esta possibilidade, o resgate ao final do prazo é obrigatório. Por outro lado, em tempos de queda da taxa de juros SELIC, os rendimentos de fundos de renda fixa caem e um COE pode se tornar interessante;
  • Todas as características do título (modalidade; aporte mínimo; data de vencimento; índice de rentabilidade/indexador; IR, etc.) são descritas no Documento de Informações Essenciais que é de leitura obrigatória e deve ser assinado antes de efetuar o investimento;
  • Para investir em um COE você precisa ter uma conta corrente num banco emitente ou em corretora de valores mobiliários; preencher o formulário de perfil de risco do investidor; e assinar o Documento de Informações Essenciais;
  • Podem ser cobradas taxas pela operação, mas algumas corretoras independentes não cobram.

Por Samasse Leal