Ainda vale a pena investir em imóvel? A resposta para esta pergunta depende do objetivo e do perfil do interessado. A partir desta combinação deve-se avaliar se vale a pena imobilizar um alto valor num investimento de pouca liquidez.

Consideramos três diferentes perfis para ajudar nessa reflexão:

  1. Jovem de 20 anos, com salário fixo, que mora com os pais e deseja um imóvel para morar. Mas não possui o valor para comprar um imóvel à vista.
  2. Cidadão de 45 anos, com salário fixo, que paga aluguel e possui o valor para comprar um imóvel a vista.
  3. Aposentado com 65 anos, que possui imóvel próprio e o valor para comprar um imóvel a vista. Deseja renda mensal extra com aluguéis.

 

No primeiro caso, o objetivo é comprar um imóvel para morar

Como ele possui salário fixo e mora com os pais, sua renda mensal não está comprometida. Assim tem maior facilidade de obter um financiamento imobiliário de longo prazo, com parcelas mensais menores para conquistar sua independência. Como ele não pode comprar à vista, comprometeria sua renda com as parcelas do financiamento.

Neste caso, se questiona se não seria melhor investir o valor mensal e  comprar o imóvel à vista no futuro. Para isso, o jovem precisaria ter disciplina para poupar, ao passo que a obrigação de pagar a parcela do financiamento impede que o valor fique disponível para gasto.

Além disso, o jovem de nosso perfil precisaria de um investimento que garantisse uma rentabilidade acima da valorização do imóvel desejado, que no futuro valerá mais. Em geral, os imóveis costumam ter uma valorização de cerca de 15% ao ano. Se estiver localizado numa área de expansão, como um bairro novo ou no qual estão previstas melhorias de transporte, a valorização pode ser superior.

Um imóvel comprado na planta possui valor mais baixo em razão do risco da construção. Depois de pronto, costuma ter valorização de 50% a 80%. Assim, juntar o dinheiro pode ser muito difícil. Deve considerar ainda que o custo com o financiamento imobiliário é mais baixo do que de outros empréstimos.

 

No segundo caso, o cidadão paga aluguel

Se ele desejar parar de pagar aluguel e comprar um imóvel para moradia, poderá reverter o gasto com aluguel para um investimento. As pessoas mais maduras costumam ter maior disciplina para investir e poupar.

O risco de continuar pagando aluguel é ter de entregar o imóvel e precisar se mudar rapidamente, podendo perder qualidade de vida. Ou, se ficar desempregado, será obrigado a destinar sua reserva disponível aos custos com moradia e consumir o dinheiro.

Caso ele deseje continuar pagando aluguel para morar, deverá investir o valor que possui buscando investimentos que assegurem uma rentabilidade certa, diversificando os investimentos para blindar este valor. Neste caso, se questiona se não seria interessante comprar um imóvel para receber alugueis mensais e garantir uma renda fixa.

Isso pode ser uma boa opção se o aluguel recebido for maior do que o aluguel pago; se o imóvel a ser adquirido estiver em uma área com grande expectativa de valorização; se for um imóvel no qual o cidadão de nosso perfil desejasse morar em caso de necessidade; e se o cidadão sabe que não vai precisar de recursos no curto prazo, já que o investimento em imóvel não possui liquidez (a conversão do investimento em dinheiro depende da venda do imóvel, que não é rápido e nem barato).

 

No caso do aposentado que tem a renda reduzida com a aposentadoria

Ele possui menos longevidade para aplicar em investimentos de longo prazo ou de alto risco, e já possui um imóvel. A decisão de comprar imóvel para receber aluguel depende principalmente do quanto ele poderá lucrar mensalmente, comparando com o lucro de outras opções de investimento.

Deverá considerar os riscos do aluguel como inquilino mal pagador, custos com condomínio, IPTU, taxa de incêndio, imposto de renda e taxas de administração caso terceirize a administração.

Um imóvel de luxo, que possa ser alugado para uma empresa com garantias firmes, seria uma boa opção. O objetivo seria obter um valor de aluguel acima do valor da rentabilidade obtida com um título de renda fixa.

Por Samasse Leal

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