“O que você quer ser quando crescer?” É muito provável que seu filho já tenha sido indagado e sutilmente forçado a responder a essa tradicional pergunta feita por parentes e amigos. Sobretudo se agora ele estiver aguardando o resultado do Enem, o principal vestibular do país que dá acesso às melhores e mais disputadas universidades do Brasil. Não há qualquer maldade nisso, mas pode-se criar um clima constrangedor nesse momento.

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Vocação e talento

A vocação é composta por dois elementos: a aptidão, que é o talento que uma pessoa tem para fazer determinada coisa, e o interesse, que é a atração que ela sente por aquela atividade. O talento é nato, porém não necessariamente genético. Já o interesse recebe influência do meio sociofamilar. Por isso, não é de se estranhar que pareça “coisa de família”, quando vemos consultórios médicos e escritórios de advocacia passando de geração para geração.

A exposição a diversas carreiras é importante para a escolha da futura profissão, e possibilitar que o adolescente converse com pessoas que admira pode ser uma bom caminho. Sejam professores que influenciam alunos com seu entusiasmo, ou dentistas que, com uma boa conversa, mostram a importância de sua profissão. Todos podem vir a inspirar novos profissionais para o futuro.

No século XX surgiram os testes vocacionais, embora nunca tenham sido 100% confiáveis. Hoje, com o surgimento da informática, novas profissões estão sendo criadas, e a escolha profissional fica ainda mais difícil. Quanto mais incentivarmos o desenvolvimento das habilidades naturais das crianças, mais bem preparadas elas estarão para as opções que surgirem ao longo da vida. Cada vez mais é comum ver universitários trocarem de curso mais de duas vezes antes da escolha definitiva.

Na adolescência, a capacidade que os neurônios têm de fazer novas conexões aumenta assombrosamente, e é quando, no ensino médio, começam as exigências por tomadas de decisão. A programação genética do nosso cérebro é muito complexa, e são estabelecidas várias conexões entre diferentes regiões para desenvolver as atividades. Sendo assim, nunca fazemos uma coisa só, estamos sempre escolhendo.

Mas é importante os pais demonstrarem seu apoio, dizendo aos filhos que o que eles querem, verdadeiramente, é que sejam adultos felizes e realizados, em qualquer profissão.