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Publicado em: 4 de junho de 2019

Se seu filho usa redes sociais, você precisa ler isso!

Em tempos de redes sociais, dobra-se a necessidade de ter mais cuidado com o uso da internet.

Imagem: romankosolapov/Istock

"Por favor, mãe! Está todo mundo lá!” Marianne escutou esse refrão durante meses. O que Katrina, sua filha caçula, mais queria no mundo era entrar para o Habbo.com, maior hotel e sala de jogos virtual do mundo para adolescentes. Isso mudaria sua vida, dizia a menina, pois poderia conhecer gente do país inteiro.

– Mas você só tem 11 anos – era a resposta padronizada de Marianne.

– Eu vou ser responsável, juro!

Finalmente, Katrina venceu a mãe. A menina pôde entrar para o Habbo, mas desde que obedecesse a certas regras. Não podia informar o telefone, endereços de e­‑mail e muito menos o endereço real da família na cidadezinha no sudoeste do país.

Perigos da internet: Evite golpes!

O que poderia dar errado?

O primeiro sintoma do problema surgiu num sábado de fevereiro de 2010, quando Katrina foi a uma festa de aniversário sem o celular que a mãe lhe dera na semana anterior. Marianne o mostrava a uma amiga quando o torpedo chegou. “Esteja lá em 15 minutos”, dizia. “Amo você.”

Marianne ficou curiosa. Lá, onde?, pensou. Katrina não está naquela festa?

Preocupada, viu que havia 70 mensagens, todas de alguém chamado Eric. Muitas eram inadequadas, até com teor sexual. Meu Deus! Ela ligou para o número de Eric. Só que não havia nenhum “Eric” do outro lado, mas sim a secretária eletrônica de “Andreas”, com voz de homem­‑feito. Então ela telefonou para o trabalho do marido.

– Acho que um pedófilo está atrás da nossa filha – disse.

– Já estou indo para casa – respondeu ele. – Dê uma olhada no laptop de Katrina.

Nele, estava o pior pesadelo dos pais: uma série de mensagens de “Andreas” para Katrina, inclusive uma que mencionava terem “feito amor” na semana anterior e o que ele faria com ela na próxima vez. Era sobre a filha deles que ele falava, a sua bebezinha que ainda nem usava sutiã! Respire fundo, disse a si mesma. Queria vomitar, enquanto a cabeça disparava. O que fizera de errado? Seria porque ela e Hans trabalhavam em horário integral? Katrina sabia que não devia falar com estranhos na internet. Eles tinham ensinado sobre os perigos da internet a ela e aos três irmãos mais velhos.

Quando chegou em casa, Katrina tentou negar tudo. Eric era apenas alguém que conhecera no Habbo, e Andreas, só um amigo dele mais velho.

– E esses e­‑mails? – perguntou Marianne. – E os textos? Vamos à polícia.

Quando Eric sugeriu que saíssem do ninho de amor virtual e fossem para um de verdade, a coisa pareceu natural.

Aos poucos, a história se revelou. A princípio, Katrina achou que “Eric” tinha 12 anos, depois 14, depois 18. Ele alugara para ela um quarto no hotel virtual do site com o seu cartão de crédito; tinham ido “morar juntos”. Ela o chamava de “namorado” e ele a chamava de “princesa”.

Quando Eric sugeriu que saíssem do ninho de amor virtual e fossem para um de verdade, a coisa pareceu natural. Não importava que ele tivesse 28 anos. Ele foi buscá­‑la na escola com o seu BMW e a levou para comer lagosta antes de irem para um hotel real, com cama e chuveiro reais. Com ele, Katrina se sentia linda e adulta, e ninguém da família suspeitara de nada porque ela chegava em casa antes do jantar.

“Eu o amo”, declarou ela.

Marianne levou o computador de Katrina para a delegacia mais próxima, mas lhe pediram para voltar na segunda­‑feira. Ela mal pôde acreditar. Sua filha estava com um problema e a polícia tinha coragem de lhe dizer que não havia pessoal suficiente no fim de semana para registrar a queixa! Não tinham aprovado no mês anterior uma lei que transformava em crime a sedução pela Internet – a preparação cuidadosa e a atração de menores para usá­‑los sexualmente?

Em todo o mundo, há casos de crianças iludidas por uma falsa sensação de segurança quando se aventuram pela Internet.

– O que faremos? – perguntou ela ao marido, nervosíssima.

– Seguiremos para outra delegacia – respondeu ele. – Não vamos esperar.

Infelizmente, a história de Katrina não é a única. Em todo o mundo, há casos de crianças iludidas por uma falsa sensação de segurança quando se aventuram pela Internet. Crianças abordadas em redes sociais, com mensagens ou em jogos on-line; crianças seduzidas apenas por um elogio no ciberespaço e que não acharam que algo ruim poderia lhes acontecer quando fossem encontrar o novo amigo na vida real.

Um agravante é a falta de estatísticas para determinar qual a melhor forma de acabar com o problema. Julia Davidson, professora de criminologia da Universidade Kingston, diretora do primeiro estudo da Comissão Europeia sobre sedução on-line, observa que, em parte, isso se deve ao baixíssimo número de predadores já condenados.

Para Yvonne van Hertum, os números não importam. Ativista de Roterdã, na Holanda, que defende os direitos das crianças, toda semana ela recebe telefonemas de pais – inclusive os de Katrina – pedindo conselhos ao descobrir que os filhos viraram alvo de predadores on-line.

Mas como patrulhar um mundo no qual 49% dos jovens de 9 a 16 anos, de acordo com uma pesquisa da União Europeia realizada no ano passado, usam a Internet no quarto, onde é difícil os pais monitorarem? No qual 59% têm perfil próprio nas redes sociais, sendo que mais de um quarto deles pode ser visualizado pelo público em geral? E no qual quase um terço admite ter se comunicado com quem nunca viu, e 9% foram conhecer essa pessoa de fato?

Manipuladores e meticulosos, eles são capazes de se transformar naquilo de que as vítimas precisam: um bom amigo e confidente

Dito isso, a polícia vem fazendo progresso no caso de alguns crimes contra crianças na Internet, como a produção e a transmissão de imagens pornográficas. O banco de dados da Interpol, que pode ser acessado diretamente por investigadores autorizados em 25 países, resultou no resgate de mais de 2.100 crianças do mundo inteiro.

Mas, no caso da sedução on-line, atualmente cada país cuida do problema por conta própria. Só alguns, como o Reino Unido, a Noruega e a Suécia, têm leis que tratam especificamente dos sedutores.

“Precisamos atacar o problema por todos os lados. Precisamos prevenir.”

“Não há uma solução simples, não é apenas uma lei que vai fazer isso acabar”, diz Noten. “Precisamos atacar o problema por todos os lados. Precisamos prevenir os perigos da internet.”

Um dos primeiros passos é descobrir como funciona a mente dos sedutores. Manipuladores e meticulosos, eles são capazes de se transformar naquilo de que as vítimas precisam: um bom amigo e confidente, alguém com simpatia contagiante ou, como num caso do Reino Unido, um pai benevolente. Nesse caso, um homem de 36 anos, casado e pai de família, seduziu uma menina de 13 assim que percebeu que ela procurava uma figura paterna. Depois do namoro pela Internet, encontraram­‑se seis vezes em seis meses, nas quais ele a cobriu de presentes, levou­‑a a um motel para fazer sexo e a fez pensar que aquilo era amor.

“Ela tivera uma infância difícil”, diz Julia Davidson, criminologista britânica que é uma das principais pesquisadoras do primeiro estudo da Comissão Europeia sobre sedução on-line. “Ele sabia muito bem o que estava fazendo. Os sedutores tentam entender o que atrai as vítimas, para assim conseguir uma recompensa sexual.” Hoje, o homem está preso.

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Julia diz que, até agora, a pesquisa mostra que os sedutores, em geral, têm QI mais alto do que a média, de 110 ou mais, pouca educação formal e alto nível de conhecimentos de informática. Muitos usam 200 a 300 nomes ao mesmo tempo nas redes sociais para atender à sua necessidade, o que aumenta os perigos da internet. Rejeitados pela maioria dos alvos, encontram vítimas principalmente entre meninas no início da adolescência, muitas com histórico familiar complicado.

Pais: o que pode ser feito para evitar os perigos da internet?

  1. Instalem um programa de acesso à Internet que filtre automaticamente os sites que seus filhos visitam, como Net Nanny, CyberPatrol e The Family Browser.
  2. Visitem os sites safernet.org.br ou criancamaissegura.com.br, que ensinam crianças e jovens a cuidar da segurança na Internet. Também têm conselhos úteis para os pais.
  3. Conversem com seus filhos. Todos os especialistas concordam que isso é fundamental. Digam­‑lhes que devem informar se alguma coisa na Internet os deixar constrangidos ou quando se sentirem ameaçados. Além disso, verifiquem se eles sabem que devem pedir permissão antes de passar qualquer informação pessoal.

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