A impressora 3D, ou prototipagem rápida, é uma tecnologia de fabricação a partir de modelos digitais. O dispositivo de impressão lê o projeto e estabelece, por meio de seções transversais, camadas sucessivas de materiais diversos, as quais serão unidas automaticamente ou fundidas para construir um modelo tridimensional. Essa técnica é usada para criar protótipos em diversos ramos de produção – de indústrias de brinquedo a empresas que fabricam próteses de órgãos vitais.

Pois foi um produto dessa tecnologia que emocionou muita gente com o vídeo que viralizou nas mídias sociais em 2016. Nele, Thiago Jucá, 28, engenheiro mecatrônico formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, aparece entregando ao menino Vanclever, na época com 13 anos, de Sete Lagoas (MG), o braço mecânico que ele tanto esperava.

A história de Pepi

Pepi, como gosta de ser chamado o menino, nasceu sem a mão, em razão de uma má formação congênita. Foi graças ao pedido de um primo de Pepi, que Jucá produziu, em 15 dias, uma prótese ortopédica articulada, com tendões artificiais de náilon de multifilamento, customizada nas cores amarelo e vermelho, em referência ao herói da Marvel de quem Pepi é fã: o Homem de Ferro. A felicidade de Pepi no vídeo é contagiante como você pode ver abaixo.

Jucá, que está à frente das empresas Treko 3D e Protesis, pretende usar essa tecnologia para ajudar as pessoas. O engenheiro também está envolvido com a criação de um dispositivo sensorial para deficientes visuais, que, usando visão computacional, reconhece obstáculos a até 1,80 m de altura e 3 m de distância do corpo do usuário, vibrando para alertá-lo, e com o desenvolvimento de uma prótese elétrica de baixo custo (no máximo R$ 10 mil, quando o preço médio dos modelos tradicionais é R$ 120 mil), além de projetos voltados a outras enfermidades, como as doenças de Parkinson e Alzheimer.

Segundo Jucá, “a Protesis não faz caridade, mas é um negócio social”, por oferecer preços mais acessíveis que os de outras soluções.

Próteses 3D como a de Pepi, por exemplo, custam cerca de mil reais, enquanto as feitas por métodos tradicionais ficam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. O produto ainda pode ser doado, por meio de um fundo de arrecadação aberto por Jucá, como em um financiamento coletivo. Jucá também procura parceiros e investidores para expandir sua capacidade de atendimento. A reestruturação se tornou necessária após seu negócio ganhar notoriedade com o compartilhamento e viralização do vídeo.

O engenheiro defende a personalização das próteses como uma forma de expressão da identidade do usuário, não muito diferente de uma tatuagem. Afirma: “Eu acredito que minha missão não seja só a reabilitação motora, mas também a reabilitação emocional e psicológica. Se eu conseguir fazer com que a pessoa se sinta bem com o aparelho, acho que acertei.”

Por enquanto, Jucá ainda não consegue fabricar próteses dos membros inferiores. Pois, para elas são necessários materiais mais resistentes e outras tecnologias. Mas se dispõe a conectar os interessados com quem possa, caso a parceria se apresente.