Existe uma famosa máxima que diz: “Ser mãe é padecer no paraíso.” Esse preceito, porém, ilustra apenas parte das mudanças significativas que a maternidade traz. Então, para aprender a lidar com a nova vida e contar suas vivências, muitas mães, de primeira ou segunda e terceira viagem, reúnem-se em grupos de discussão e fóruns na Internet. Assim, em 2008, em São Paulo, num grupo de discussão sobre parto humanizado e maternidade ativa, uma das mães relatou sentir falta de ir ao cinema depois do nascimento do primeiro filho. Portanto, surgia aí o embrião do Cine Materna. Um projeto que hoje está presente em 47 cidades do País distribuídas entre vários estados. E, além disso, recebeu, em 2016, 51 mil adultos e 29 mil bebês.

“Quase” escurinho

“Depois da primeira ida coletiva de mães e filhos ao cinema, em fevereiro daquele mesmo ano, passamos a frequentar uma sessão todas as semanas. E, assim também, após o filme, nos reuníamos em um café para bater papo”, explica a engenheira Taís Viana, cofundadora do projeto e mãe de uma menina. Esse movimento foi repetido durante seis meses até que o Cine Materna tomou forma e virou uma ONG. Hoje, as salas de exibição adaptadas para mães e recém-nascidos contam com luz parcialmente acesa. Além de som mais baixo e trocadores de fralda. Choros e manifestações em voz alta não enfrentam pedidos de silêncio nem olhares de reprovação.

Cine Materna

Para Taís, o Cine Materna (saiba mais nest link) é mais do que um momento de lazer, é uma rede de apoio. “Procuramos mostrar que o pós-parto não é um período de clausura. Que, aliás, os bebês não são seres tão frágeis que precisam ficar em casa isolados do mundo. As conversas depois dos filmes permitem que as mães falem de seus sentimentos. Portanto, que desabafem, comentem sobre sua vida pessoal e profissional e peçam ajuda às outras”, explica.

Ouras cidades

Atualmente, o Cine Materna está em processo de interiorização e disponibiliza salas em cidades como Macaé, Sorocaba e Rio Preto. Além de capitais como Fortaleza, Recife e Goiânia. Sobretudo, a programação é escolhida por votação no site. A propósito, comparecem às sessões mais de 4 mil pessoas, das quais cerca de 1.700 ainda não são “gente grande”. O diferencial do projeto brasileiro é que as mais de 300 voluntárias são quase todas mães, ao contrário de iniciativas no exterior, como nos Estados Unidos e no México.