Quando Jan e Brian Dutcher se mudaram para San Diego por causa do novo emprego de Brian – técnico da equipe de basquete da Universidade Estadual de San Diego -, os vizinhos de seu novo bairro foram gentis e se apresentaram. Mas não havia jantares, conversas e nem amigas para as filhas Liza, 12 anos, e Erin, 15. “As fa­mílias não se conheciam de ver­dade, e sentíamos falta dis­so”, lembra Jan. “Sempre nos mudamos muito e vivemos lon­ge dos parentes. Então os vi­zi­nhos são nossa família.”

Então Jan, pintora autodidata, decidiu iniciar um projeto que já havia experimentado na tur­ma de 5ª série de Liza: pe­dir a cada pessoa que dese­nhasse o próprio rosto numa grande te­la. A obra terminada viraria o retrato da nova família dos Dutchers.

O poder de um quadro

pintura dos moradores do bairro
Imagem: Kathryn Renner/Revista Seleções

Primeiro, ela quadriculou a tela e montou-a num cavalete na garagem, junto de uma mesa com tintas. Sem­pre que estava em casa, Jan mantinha a porta da “sala de artes” aberta, um convite para os vizinhos. Os primeiros a parar foram as crianças. Os adultos, porém, não se mostraram tão animados. “A maioria dava a desculpa de que não pegava num pincel desde o colégio”, conta ela.

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Mas, conforme a notícia foi se espalhando, eles apareceram, alguns usando a fotografia da carteira de motorista como modelo. Então algo começou a acontecer. Eles voltavam para ver o quadro e conversavam sobre reformas, escola, trabalho e família. Quase todos os dias, a vizinha Wendy Schuchholz, que enfrentava um cân­cer de mama, surgia na cadeira de rodas para observar a diversão. Em seguida, os vizinhos começaram a oferecer aju­da. Quando veio o pior e Wendy morreu, deram apoio ao marido, Bill, e passaram a convidá-lo para jantar.

Este ano foi diferente no bairro. As famílias se revezam organizando reuniões, participam de aniversários e visitam os vizinhos. “Agora estamos cuidando uns dos outros”, alegra-se Jan. “Exatamente como no quadro.”

Kathryn Renner