Ao ouvir “espero que no futuro todos os seus sonhos se realizem”, qual é a primeira coisa que lhe vem à mente? Sorte? Destino? Merecimento? As opções são bem variadas, mas será que alguém pensa: “Poupança!” ? Certamente sim, como comprovou uma pesquisa nacional realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas: o investimento em caderneta continua sendo citado como preferido por 69,5% dos brasileiros e, segundo 56,1% desse grupo, a escolha é motivada pelo desejo de evitar perdas.

No caso de Prazeres Augusta Pereira de Souza, a motivação foi exatamente o antônimo: buscar conquistas. Durante quase três décadas ela economizou boa parte de sua renda mensal a fim de cumprir metas muito conhecidas pelos brasileiros – comprar o primeiro carro zero, a casa própria… “Não havia um percentual estabelecido, era o que dava para guardar. Alguns meses mais, outros menos, mas sempre alguma quantia e sempre em poupança”, conta ela. À medida que essas etapas se cumpriam, Augusta convivia com a expectativa a respeito do que fazer quando finalmente se aposentasse.

Quando o dia chegou, em meados de 2007, Augusta tinha 54 anos e nada menos do que 1 milhão de reais guardados. Isso mesmo: 1 milhão de reais.

Foi quando teve certeza do que faria: investiria em tijolos, sacos de areia, latas de tinta, bolas de futebol, de basquete, pés de pato e sonhos. “Na época, meu filho tinha dez anos, e eu sempre tive o hábito de acompanhá-lo nas atividades esportivas que praticava. Então comecei a vislumbrar nesse universo algo que me daria prazer em realizar. Sempre acreditei que o esporte é um bom caminho para formar cidadãos de bem”, explica Augusta, que hoje é a empresária por trás da Escola de Esportes Conviver, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.

A escola, que atende cerca de 420 alunos de todas as idades e oferece mais de 15 atividades esportivas e de lazer, recebeu em 2014 o prêmio de empreendedorismo concedido pela Associação Comercial de São Paulo.

Hoje, o faturamento mensal é de R$ 68 mil, mas Augusta segue mais preocupada com conquistas do que com lucro. Em 2015, aos 60 anos, ela se formou pela quarta vez, agora em Educação Física pela USP. Augusta já era graduada em Ciências Contábeis, Administração e Direito.

“Muita gente me chamou de maluca por investir tudo que tinha, mas todo empresário tem que arriscar! E os sonhos não têm idade. Independentemente da fase da vida, acho que é preciso estarmos sempre envolvidos com algo de que gostamos, mesmo que isso nos dê ‘trabalho’. ”, brinca a empresária, que pratica vôlei três vezes por semana e trabalha mais de 10 horas por dia.

Por Marina Góes