Há algum tempo, em uma matéria sobre o que as pessoas esquecem no metrô de Nova York era possível ver a quantidade de objetos que vai parar nos achados e perdidos, que, além de assustadora, forma um acervo curioso. Entre carteiras e documentos (entre os objetos mais recuperados pelos esquecidos), também é possível encontrar animais empalhados. E ainda, bolas de boliche, uma bola de canhão, armas de fogo e lençóis. Telhas e sacos de cimento, algumas pranchas de surf e cadeiras de rodas – sim, cadeiras de rodas! Os objetos que não são recuperados dentro de um período de seis meses são então doados para instituições de caridade; ou leiloados para que o dinheiro seja revertido.

Mas a pergunta é: para que uma instituição de caridade precisaria de uma prancha de surf? Doações inusitadas são comumente documentadas pela Internet. Após a tragédia causada pelas chuvas de verão em Teresópolis (RJ) em 2011, a Cruz Vermelha, que organizava a coleta das doações, registrou um número considerável de fantasias de carnaval, que iam desde os modelos mais simples – índio, homem das cavernas, havaiana – até as mais elaboradas, feitas para o desfile na Marquês de Sapucaí.

Pais e avós estão à espera de um convite para passear no quarteirão ou de companhia para fazer a feira da semana

Mas, o que realmente podemos doar de mais valioso? Comida? Agasalhos no inverno? Material de construção? Fraldas e leite em pó para creches? Remédios em asilos? Sim, sabemos que todas essas ações, independentemente da escala em que são feitas, são muito relevantes. Mas dispomos de um bem valiosíssimo e que quase nunca pensamos em doar: tempo.

Nosso tempo

Neste exato momento, há inúmeras crianças em leitos de hospitais aguardando por transplantes ou pelo efeito de um processo de quimioterapia e todas elas sofrem com a solidão e a privação de suas atividades normais. Neste exato momento, há milhares de moradores de rua sem qualquer acesso à cultura, informação e impossibilitados de almejar uma vida melhor por meio da educação. Há idosos esquecidos por suas famílias em casa de repouso.

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A seu redor, existem vizinhos solitários e invisíveis,  carregando sacolas mais pesadas do que podem suportar. Há crianças carentes precisando de um reforcinho escolar em Matemática. Ou de ajuda para montar uma maquete de isopor bem bonita para a apresentação da escola. Pais e avós à espera de um convite para passear no quarteirão; ou de companhia para fazer a feira da semana. Amigos precisando de ajuda para montar uma estante complicada na casa nova e colegas de trabalho que moram no mesmo bairro que você e voltam de ônibus enquanto o seu banco do carona está vazio.

Os exemplos acima são uma gota num oceano de possíveis formas de doar tempo. Sendo assim, que tal começar a pensar em se desfazer daquela prancha de surfe que você usou pela última vez em 1992? Comprar mais uma lata de leite no mercado? Ou reservar duas horinhas por semana para ajudar as pessoas a seu redor? Talvez você não apareça em uma matéria engraçada como a do metrô de Nova York, mas aposto que seu coração (e o de muitas outras pessoas) irá sorrir bastante.

Tempo pode valer mais que dinheiro.

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