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Publicado em: 23 de outubro de 2021

A perda da memória na velhice é inevitável?

Douglas Ferreira
Última atualização: 23 de outubro de 2021
Por: Douglas Ferreira

Estudos apontam que a forma como encaramos o envelhecimento pode ter um impacto maior na memória.

A perda da memória na velhice é inevitável? Imagem: Makhbubakhon Ismatova/iStock

Assim como o corpo, a capacidade de reter de forma temporária a informação e de manipulá-la mentalmente desacelera quando se fica mais velho. Contudo, a percepção da perda de memória pode ser mais reflexo dos nossos preconceitos em relação ao envelhecimento do que um real declínio dessa capacidade.

Se uma adolescente esquecer o casaco no ônibus, é provável que ela considere o episódio apenas irritante, mas se a mesma situação ocorrer com uma senhora de 70 anos é possível que ela o interprete como mais um sinal de que sua memória está falha.

Comprovadamente, a perda de memória é o declínio mais temido com a idade, e muitos acreditam que seja inevitável. É verdade que as mudanças no cérebro relacionadas à idade contribuem um pouco para o esquecimento, mas são apenas parte da história.

Pesquisadores que estudam a perda da memória em idosos têm observado cada vez mais que a maneira com que percebemos o esquecimento e a expectativa de outras pessoas influenciam o desempenho mental na velhice.

Leia também: Síndrome da falsa memória: será que o que você lembra realmente aconteceu?

Uma pesquisa observou o efeito da cultura na memória dos idosos. Na China, os mais velhos são respeitados pela experiência e sabedoria, e a idade não está necessariamente associada a memória em declínio, como tende a ser no Ocidente.

Pesquisadores compararam a memória de um grupo de voluntários dos Estados Unidos e de outro da China. Pouca diferença foi encontrada entre os jovens nos dois grupos. No entanto, os idosos chineses tiveram um desempenho melhor do que os norte-americanos, assim como aqueles em ambos os grupos com uma atitude positiva em relação ao envelhecimento – o que sugere que isso tenha real efeito sobre o desempenho da memória.

O cérebro na velhice

Enquanto a atitude positiva em relação ao envelhecimento ajuda bastante, alguns processos mentais desaceleram um pouco no curso do envelhecimento normal. A velocidade de processamento do cérebro desacelera. E os mais velhos tendem a ter alguma dificuldade em recuperar informações, uma área em que o treinamento da memória pode, de fato, fazer grande diferença.

No entanto, outros aspectos da memória, como a memória processual para as habilidades e as experiências adquiridas ao longo da vida, mostram um declínio pequeno, ou até nulo.

Além disso, quando se trata de aprender novas habilidades e informações, as pessoas mais velhas não ficam em desvantagem. E, quando os mais velhos aprendem esse tipo de informação, provavelmente vão retê-la da mesma forma que uma pessoa mais nova.

Por que esquecemos?

O esquecimento ocorre mais frequentemente quando estamos tentando lembrar informações um tanto específicas. Temos consciência de que sabemos, mas, por alguma razão, não conseguimos lembrá-las por completo. Em geral, isso é apenas temporário, e aquela informação relevante parece ressurgir espontaneamente minutos ou dias depois.

A experiência pode ser mais bem descrita como uma “falha em lembrar”. O fato de que as memórias podem ser perdidas e depois encontradas novamente mostra que há uma quantidade muito maior de informação na memória do que podemos acessar imediatamente.

Problemas em lembrar algo ocorrem porque as memórias são interligadas. Elas são acessadas seguindo as conexões até encontrarmos o que precisamos; no entanto, às vezes essas conexões estão temporariamente bloqueadas, e nos deparamos com o fenômeno da “ponta da língua”, em que a palavra ou o fato que queremos lembrar parecem próximos, mas fora do alcance. A informação está logo aqui, decodificada nas vias das células nervosas em nosso cérebro, mas nem sempre podemos acessá-la quando queremos, sobretudo quando ficamos mais velhos.

Quando isso acontecer, faça para si mesmo as seguintes perguntas e veja se algo estimula a sua memória.

  • Com que letra a palavra começa? Você consegue lembrar qualquer uma das outras letras da palavra?
  • Quantas sílabas a palavra tem? Se tiver mais de uma sílaba, qual é o seu ritmo?

Essas perguntas podem fazer com que a palavra surja, mas se isso não acontecer não se preocupe: vá dormir. Nossa mente trabalha de forma mais eficiente quando estamos bem descansados.

“Lembrando” do futuro

O mais irritante de todos os problemas de memória envolve a memória prospectiva – a necessidade de lembrar as coisas que ainda vão acontecer, como um compromisso ou um aniversário, ou simplesmente ir ao supermercado para comprar leite.

Esse aspecto da memória é chamado de “lembrando para lembrar”, e é mais difícil para o cérebro extrair isso do que outros tipos de lembrança, graças ao hiato no tempo entre a intenção de fazer algo e o ato em si de fazê-lo.

Embora todos tenham falhas na memória prospectiva, algumas pesquisas mostraram que esses tipos de deslize tendem a se tornar mais comuns à medida que envelhecemos – o “lembrando para lembrar” começa a entrar em declínio no início da fase adulta. No entanto, a idade não é o único fator determinante. Já foi comprovado que o estresse, a privação do sono e os efeitos colaterais de alguns medicamentos influenciam.

Quando é preciso esquecer

Para toda ocasião em que precisamos nos lembrar de algo, há tantas outras em que a melhor opção é esquecer. Um evento traumático, por exemplo, pode deixar marcas indeléveis na memória e ressurgir do nada muitos anos depois.

Em uma escala menor, às vezes ficamos presos a erros e empecilhos passados e sentimos a força total de nossas emoções originais toda vez que os lembramos. Quaisquer lições úteis tiradas de tais eventos provavelmente terão sido aprendidas há um tempo, o que torna sem sentido a repetição delas. É razoável que o melhor a se fazer seja deixar esses eventos na memória – sem serem lembrados ou notados.  

Esquecer é essencial em profissões em que é necessário aprender muita informação de forma rápida e depois usá-la apenas por um curto período de tempo. Advogados, por exemplo, precisam abandonar os detalhes do processo anterior ao assumir um novo caso.

A repetitividade das experiências cotidianas também torna o esquecimento inevitável e essencial. Se todo dia fizermos o mesmo caminho até o trabalho, é desnecessário lembrar detalhes minuciosamente. Por isso a memória retém apenas as ocasiões mais notáveis, como o dia em que estava chovendo e você correu até o ponto de ônibus, chegando ao trabalho ensopado. A desvantagem desse tipo de esquecimento é que até eventos agradáveis como o Natal e as festas tendem a se tornar indistinguíveis ao longo do tempo.

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