Basta apenas ter acesso ao Google para encontrar uma lista de medicamentos e dos avanços da medicina de cada semana, mês ou ano; mas as manchetes e o número de sites encontrados não garantem que a descoberta seja verdadeira.

Medicamentos e tratamentos

Assim, quando decidimos verificar as melhores notícias sobre saúde, Seleções procurou os pesquisadores e médicos mais competentes e bem informados dos Estados Unidos e perguntou: de todos os simpósios de que participou e de todos os estudos que leu, qual foi o mais empolgante? Qual deles o levou a discutir com os colegas nos corredores e por e-mails até tarde da noite? E o mais importante: que avanços mudarão de fato o tratamento dos pacientes?

As respostas que recebemos foram surpreendentes e inspiradoras. Eis aqui um resumo de 13 descobertas que podem salvar vidas e mudarão o modo de tratar as doenças. 

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1. RCP mais fácil e eficaz

Há uma razão simples para a Associação Cardíaca Americana mudar as diretrizes da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) feita por leigos: o método tradicional, com compressão e respiração boca a boca, passou a ser feito só com as mãos. A razão é que esse método abreviado salva mais vidas. Eis por quê:

● Estudos mostram que, quando o coração de alguém que anda pela rua para de repente, a probabilidade de a vítima receber RCP de um passante é de menos de 30%.

● Se realmente aparecer alguém que aplique a técnica com habilidade, a probabilidade de sobrevivência dobra ou até triplica.

● Os passantes têm muito mais disposição de ajudar quando sabem que não precisam se preocupar com os microrganismos da boca de um estranho.

Usar apenas as mãos é mais eficaz, como explica o Dr. Anthony Komaroff, editor do boletim Harvard Health Letter. “Quando alguém desmaia, há oxigênio suficiente no sangue para que não seja necessário respirar. O que se precisa é manter o sangue circulando para proteger o cérebro e o restante do corpo. Na verdade, o tempo gasto na respiração boca a boca, durante o qual não se pode comprimir o peito, é prejudicial ao paciente.”

Segundo Agnaldo Pispico, cardiologista e diretor do Centro de Treinamento em Emergências da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, no Brasil a recomendação é primeiro ligar para o 192, número do SAMU, serviço médico utilizado em caso de emergências médicas, e fazer a compressão ou massagem cardíaca no peito da vítima, de forma mais intensa (100 compressões por minuto) e profunda (de pelo menos 5 cm), até a chegada do socorro.

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2. Anticoagulantes melhores

Para os quase dois milhões e meio de pessoas com fibrilação atrial, tipo de arritmia cardíaca, o anticoagulante Coumadin, também conhecido como varfarina, pode salvar vidas… e ser também um grande problema. Ele salva vidas porque ajuda a impedir a formação de coágulos; o aumento do risco de AVCs é o que mais assusta na fibrilação atrial. O problema é que quem toma Coumadin precisa fazer vários exames de sangue, ajustar a dosagem com frequência e pode ser obrigado a ter de adiar cirurgias até que o nível do medicamento no corpo se reduza.

Entra em cena o dabigatrano, aprovado em outubro pelo FDA (órgão americano que regulamenta os medicamentos). Em dose elevada, parece melhor do que o Coumadin para prevenir AVCs; em dose menor, parece igualmente bom, com muito menos probabilidade de provocar efeitos colaterais.

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3. Células-tronco para curar o coração

“Muitos achavam que as terapias com células-tronco ainda demorariam para chegar. Na verdade, estão logo ali na esquina”, diz o Dr. Joshua Hare, diretor do Instituto Interdisciplinar de Células-Tronco da Escola de Medicina Miller, da Universidade de Miami.

Às vezes, as células-tronco são chamadas de “células genéricas” do corpo. Com a capacidade de se transformar em vários tipos de células, teoricamente elas podem representar uma reserva infinita quando há lesões em partes do corpo. Em 2009, Hare e colegas provaram não só que era seguro injetar células-tronco em pacientes infartados como encontraram indícios de que o tratamento ajudava o coração lesionado a se recuperar. “Isso ainda é experimental”, diz o Dr. Hare. “Mas é muitíssimo empolgante.”

 

A equipe de Hare foi uma das várias que disputaram a primazia dos avanços e descobertas. “Num dos nossos estudos, 45 pacientes estavam tão mal que tinham dificuldade até para falar”, diz Bob Nellis, porta-voz da Clínica Mayo, em Rochester, no Estado de Nova York. “Hoje, conseguem percorrer a pé, com facilidade, a distância equivalente a um campo de futebol. Um deles passou a tocar trompete!” E acrescenta: “O que chama mesmo a atenção é como tudo vem acontecendo muito depressa. Hoje, esse é o campo que avança com mais velocidade na biologia humana.”

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4. Consertar o coração quase sem cortes

Não havia muita opção quando a válvula aórtica (que leva o sangue do coração ao restante do corpo) fica obstruída por depósitos de cálcio. Os cirurgiões tinham de cortar o esterno para chegar ao coração ou recorrer a tratamentos medicamentosos menos eficazes caso o paciente fosse idoso ou doente demais para a cirurgia. Sem cortar o tórax do paciente, os cirurgiões podem ajudar usando um cateter introduzido pela virilha. (A técnica se chama Implante Transtorácico de Válvula Aórtica, ou ITVA.) Além de mais fácil para esses pacientes frágeis, nos primeiros estudos a abordagem menos invasiva ajudou-os a viver mais do que quem recebeu o tratamento convencional.

Com o uso de cateteres, os médicos vêm obtendo progressos semelhantes na substituição de outros tipos de válvula cardíaca; a atriz Elizabeth Taylor fez uma cirurgia na válvula mitral e em seguida comentou no Twitter a respeito da intervenção. Os cardiologistas dizem que o tratamento das doenças das válvulas cardíacas nunca mais será o mesmo.

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