Uma única pílula diária combinando medicamentos contra a hipertensão e o colesterol, assim como a aspirina. Isso poderia reduzir em um terço o risco de sofrer um acidente cardiovascular em cinco anos, afirma um estudo publicado nesta sexta-feira, 23 de agosto.

A ideia do tratamento, chamado de “polypill” ou superpílula, cuja composição pode variar, foi apresentada há quase 20 anos. Mas o novo estudo, publicado na revista médica The Lancet, é o primeiro em grande escala para avaliar sua eficácia durante esse período.

Testes no Irã

O teste comparativo envolveu uma população rural turcomana do Irã, com idade entre 50 e 75 anos. Um total de 90% dos 7 mil participantes não tinha antecedentes de doenças cardiovasculares. Destes, quase metade eram mulheres.

Um grupo recebeu apenas conselhos sobre estilo de vida (atividade física, tabagismo etc.), enquanto os demais participantes também tomaram a superpílula. No conjunto, o risco de sofrer um acidente cardiovascular importante (infarto, AVC, entre outros) caiu 34% no segundo grupo em comparação com o primeiro.

Comparado com pessoas que tomam outros remédios cardiovasculares, o efeito protetor global cai a 22%, mas continua sendo significativo, destaca a Lancet.

O tratamento continha doses reduzidas de dois medicamentos contra a hipertensão e uma dose moderada de um anticolesterol, assim como aspirina, informou Gholamreza Roshandel, da Universidade de Medicina da província iraniana de Golestan.

“Mais de 75% das 18 milhões de pessoas que morrem vítimas de doenças cardiovasculares a cada ano vivem em países com renda baixa ou média”, recordou o Dr. Nizal Sarrafzadegan, da Universidade de Medicina de Ispahan, coautor do estudo.

Você sabe qual a relação entre doenças cardiovasculares e gordura intra-abdominal?

Uso em grande escala

A estratégia de uma superpílula barata, “se adotada em grande escala, poderia desempenhar um papel chave na concretização do ambicioso objetivo da ONU: reduzir a mortalidade prematura provocada por enfermidades cardiovasculares em pelo menos um terço até 2030”, destacou.

O estudo não permite uma generalização para outras populações. Uma pílula que reúne um coquetel de medicamentos, no entanto, facilita o respeito ao tratamento (63% dos participantes no estudo o seguiram de maneira adequada).

“Os futuros estudos deveriam comparar a ‘polypill’ com os medicamentos tomados separadamente e com resultados a longo prazo. Assim como avaliar seus efeitos na população geral de vários países”, declarou o Dr. Amitava Banerjee, da University College de Londres, que não participou no projeto.

© Agence France-Presse