Uma das descobertas médicas recentes mais importantes foi o impacto da flora intestinal sobre a saúde em geral. Essa mistura dinâmica de bactérias do trato digestivo pode afetar tudo, da obesidade à asma.

Eu também fiquei muito interessada nessa pesquisa pioneira e recente: novos estudos mostram que os micróbios intestinas são capazes de influenciar até a nossa felicidade ou nosso nível de ansiedade.

 

O vínculo entre humor e intestino

Quem já sentiu frio na barriga sabe que estômago e cérebro estão ligados. Até pouco tempo, porém, os cientistas não tinham percebido que os trilhões de bactérias do trato digestivo podem estar no comando dessa relação.

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Um experimento recente indica que é possível “colonizar” a calma. Pesquisadores canadenses deram a camundongos saudáveis um coquetel de antibióticos que altera a composição das bactérias intestinais. Em duas semanas, alguns ficaram mais ansiosos e outros menos, dependendo dos medicamentos recebidos. Em outro estudo, quando bactéricas intestinas de camundongos calmos foram transferidas para os ansiosos, estes ficaram menos nervosos.

Os alimentos cotidianos também podem afetar a composição das bactérias intestinais e, por conseguinte, a química do cérebro. Recentemente, a Dra. Kirsten Tillisch, gastroenterologista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), deu a mulheres saudáveis um iogurte rico em certas cepas de bactérias probióticas “boas”. Dois grupos de controle comeram iogurte sem essas bactérias ou não comeram nada. As tomografias das que comeram iogurte com probióticos quando comparadas às dos grupos de controle, indicaram mudanças em regiões do cérebro que podem ser associadas a reações menos ansiosas em situações de medo ou estresse.

“Tendemos a nos concentrar no modo como o humor afeta o corpo de cima para baixo, não de baixo para cima”, diz a Dra Kirsten.

Os cientistas estão até investigando se os micróbios intestinas podem tratar alguns transtornos do cérebro. Um novo estudo publicado na revista Cell constatou que camundongos com sintomas de autismo que receberam um tipo de bactéria do trato intestinal humano saudável exibiram um comportamento menos parecido com o autismo. Num recente relato de caso, um psiquiatra de Boston afirmou que uma série de doses de certos probióticos e antibióticos ajudou a aliviar o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade de um paciente.

“Tendemos a nos concentrar no modo como o humor afeta o corpo de cima para baixo, não de baixo para cima”, diz a Dra Kirsten. “Agora sabemos que o intestino afeta as reações do cérebro ao ambiente; é uma mudança extraordinária da maneira de pensar.”

 

Como as bactérias falam com o cérebro

Os cientistas não sabem direito como a flora intestinal afeta a química do cérebro. Uma das teorias é que as bactérias acessam vias ao longo do nervo vago, principal condutor do sistema nervoso que liga o cérebro ao intestino. Outra é que as bactérias influenciam o sistema imunológico e liberam substâncias químicas que afetam doenças como a depressão.

Finalmente, os pesquisadores acreditam que as bactérias produzam ou afetem o metabolismo de substâncias como a seroronina ou a dopamina, que alteram o funcionamento cerebral.

 

Cultive um intestino mais feliz

A Dra. Kirsten me disse que os pacientes sempre perguntam quais probióticos ajudam a melhorar o humor. Eis a resposta dela; “Ainda não sabemos, mas esperamos saber algum dia.”

No futuro, os pacientes poderão receber probióticos ou um transplante fecal – no qual bactérias do intestino de uma pessoa saudável são transferidas para o intestino do doença – a fim de prevenir ou tratar problemas de saúde mental. mas essa abordagem ainda está a anos de distância. Até lá, uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras (cujas fibras alimentam determinadas cepas de bactérias) ajuda a cultivar micróbios mais equilibrados do que a alimentação ocidental típica, rica em produtos animais e industrializados.

Evitar antibióticos desnecessários, sobretudo na primeira infância, também podem criar bactérias intestinais mais saudáveis.

 

Por Liz Vaccariello

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