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Publicado em: 24 de abril de 2018

Guia familiar para prevenir o resfriado

William Bastos
Última atualização: 24 de abril de 2018
Por: William Bastos

Guia familiar para prevenir o resfriado Imagem: Tero Vesalainen/iStock

Há 99 cepas conhecidas do vírus que provoca o resfriado comum e a miríade de vírus que causa a gripe. Quando esses vírus sofrem mutações e surgem novas cepas, o sistema imunológico tem de aprender a combater cada novo atacante. É por isso que as crianças têm tantos resfriados todo ano: o seu sistema imunológico não é tão desenvolvido quanto o dos adultos. No caso do H1N1, o vírus da gripe suína, os mais velhos tinham alguma proteção, porque o sistema imunológico reconhecia  o vírus, parecido com outro que circulou há uns 50 anos.

O problema é que não podemos prever como um vírus vai agir em cada indivíduo. “Mesmo um resfriado leve pode ser um grande fator de risco para alguém vulnerável que estiver por perto”, diz o professor Robert Booy, chefe de pesquisa clínica do Centro Nacional de Pesquisa e Vigilância em Vacinação da Austrália.

O estilo de vida também influencia o modo como reagimos aos resfriados. As crianças estão expostas a uma carga viral elevada na creche e na escola. Os adolescentes podem enfraquecer a imunidade com os exageros da idade, e os idosos talvez não se alimentem direito. Eis uma relação do que é preciso saber para cuidar bem da família:

Como cuidar do resfriado em bebês

A maior proporção de internações por gripe é de bebês com menos de um ano. Ainda bem que eles raramente morrem por isso, mas podem ficar muito mal. E o problema não é só o vírus da gripe, mas também o sincicial respiratório, que causa bronquiolite, própria de crianças até os 2 anos.

  • Vacine a partir dos 6 meses;
  • Mantenha os bebês longe de gente doente, inclusive dos irmãos (peça ajuda a alguém);
  • Lave bem as mãos;
  • Esterilize tudo muito bem (ferva durante 5 minutos). A amamentação é essencial para a criação de anticorpos no bebê.

 

Elimine o resfriado em crianças pequenas

No caso dos micróbios, as crianças pequenas são super transmissoras. Além de suscetíveis a mais vírus, porque o sistema imunológico ainda não amadureceu, também não costumam lavar bem as mãos nem sabem eliminar o catarro. E costumam entrar em contato íntimo com outras crianças doentes na creche e na pré-escola. É comum as crianças pequenas terem cinco a sete resfriados por ano, e não é rato que passem o ano inteiro com o nariz escorrendo.

  • Use probióticos. Já se comprovou que alguns tipos reduzem a frequência e a gravidade dos resfriados em crianças pequenas, principalmente o Lactobacillus animalis (ambos podem ser tomados como suplementos);
  • Concentre-se na higiene. Lave os brinquedos com água e sabão; ensine ao seu filho a lavar as mãos e a eliminar corretamente o catarro;
  • Ensine ao seu filho a não usar o mesmo copo dos colegas, principalmente na creche. Cuide para que ele durma bastante e coma direito. Crianças podem apresentar deficiência de zinco e das vitaminas A, C, D e E, essenciais para o sistema imunológico. Aumente a ingestão de alimentos com esses nutrientes, as use suplementos somente sob recomendação médica;
  • Quando seu filho adoecer, mantenha-o em casa, de repouso;
  • Fique longe do açúcar, mesmo o açúcar natural dos sucos, pois ele compromete a imunidade.

 

Previna crianças maiores

As famílias com filhos em idade escolar podem contar com muitos resfriados por ano. Com os pais trabalhando e outros irmãos para cuidar, é tentador medicar os filhos e mandá-los para a escola. Mas isso pode comprometer a recuperação e espalhar o v´rus pelo resto da turma. Também é possível que os pais estejam abusando do armário de remédios. Há indícios de que os remédios vendidos sem receita não funcionam e que os pais estejam dando aos filhos remédios demais. A Anvisa não recomenda o uso de remédios sem receita. medicamentos para menores de 12 anos devem ser prescritos por médicos, principalmente para menores de 2 anos de idade por conta dos efeitos colaterais e também porque a dose do remédio deve estar de acordo com o peso da criança, acrescenta o Dr. José Henrique Goulart da Graça, médico pediatra no Rio de Janeiro.

  • Cuidado com o uso excessivo de anti-histamínicos, remédios contra a tosse, expectorantes e descongestionantes;
  • Use soro fisiológico para desentupir o nariz. Mel é bom para a dor de garganta;
  • Dê muito líquido e mantenha a boa alimentação. Pergunte ao médico qual o melhor remédio para baixar a febre. Não dê aspirina, pois o medicamento pode agravar doenças como a dengue.
  • Procure o médico se seu filho respirar com chiado ou se houver sintomas de infecção bacteriana em ouvidos, sínus, garganta ou peito.

 

Estenda o cuidado também aos adolescentes

É estressante ser adolescente. Além do surto de crescimento e da atividade hormonal sem precedentes, o mundo digital de hoje deixa muitos jovens tensos e insones com os milhares de recursos disponíveis. Os vírus se espalham entre os adolescentes como fogo em um matagal pelas mesmas razões das crianças pequenas, mas também porque é nessa idade que eles começam a experimentar o beijo.

  • Insista na importância de uma boa noite de sono. Um estudo americano constatou que as pessoas dormiam, em média, menos de sete horas por dia tinham probabilidade três vezes maior de pegar um resfriado do que as que descansavam por mais de oito horas;
  • Os adolescentes têm nível baixo de zinco, mineral essencial para o sistema imunológico e o equilíbrio hormonal. A suplementação pode ser necessária;
  • Evite que assumam tarefas demais. O estresse é causa importante de queda de imunidade;
  • Faça com que lavem as mãos regularmente e não compartilhem copos e garrafas;
  • Vacine-os contra a gripe.

 

Adultos não devem negligenciar o resfriado

A probabilidade de sucumbir aos vírus é maior quando a imunidade é comprometida pela vida apressada ou pelo estresse excessivo. No inverno, é mais importante ainda cuidar da defesa.

O local de trabalho pode ser terrível, principalmente quando doentes continuam em atividade e tendo contato próximo com os outros. Cuidar de crianças também pode ser arriscado. Os adultos têm em média dois ou três resfriados por ano.

  • Lave as mãos regularmente durante o inverno e toda vez que assoar o nariz, tossir ou espirrar nas mãos;
  • Minimize o estresse. Os estudos mostram que meditar pode reduzir a suscetibilidade a resfriados;
  • Leve consigo um produto para higienizar as mãos;
  • Exercite-se para estimular o sistema imunológico.

 

Cuidado redobrado com idosos

Em geral, os mais velhos têm menos resfriados, só uma vez ao ano. Mas, quando envelhecemos, o sistema imunológico fica um pouco menos eficaz para nos proteger de doenças, e o resfriado pode levar mais tempo para sarar. A velhice também pode trazer outras doenças que comprometem a imunidade.

Tome cuidado com a gripe sazonal, pois ela pode ser até mesmo fatal nos muito idosos.

  • Não economize frutas e hortaliças frescas. Compre tudo o que estiver na estação para obter os nutrientes necessários em cada época do ano;
  • Exercite-se e descanse bastante;
  • Lave as mãos regularmente;
  • Vacine-se. No Brasil, a vacina contra a gripe é gratuita para quem tem a partir de 60 anos. Fale com seu clínico geral.
  • Conserve-se aquecido, mas não exagere; mantenha ativo o sistema imunológico.

 

Por Maiella Ugalde