Cerca de 4 milhões de brasileiros têm intolerância ao glúten, proteína encontrada no trigo, na cevada e no centeio. Essa condição é causadora da doença celíaca, responsável por provocar, quando se ingere glúten, uma reação autoimune que faz com que o corpo ataque a si mesmo, comprometendo a mucosa do intestino, dificultando a digestão e reduzindo a absorção de nutrientes. Sem tratamento, a doença pode levar à desnutrição.

Os sintomas variam muito, mas os mais comuns são indigestão, sensação de inchaço e diarreia. As pessoas geralmente sentem -se mal ou letárgicas depois de comer e podem perder muito peso. Há muitos diagnósticos possíveis para esses sintomas; por isso, é preciso fazer pesquisas que confirmem o glúten como agente causador do distúrbio. Um exame de sangue que identifique níveis elevados de tTG (anticorpos antitransglutaminase), enzima produzida pelas células intestinais atingidas, ajuda no diagnóstico, mas uma biópsia que mostre a extensão do problema no intestino é geralmente definitiva.

O tratamento para a doença celíaca é simples: não comer glúten. Se você for diagnosticado, porém, logo descobrirá que isso parece ser muito fácil na teoria, mas é complicado se frequenta restaurantes e cantinas. Os alimentos podem não estar corretamente identificados e, às vezes, a família e os amigos que cozinham para você não entendem o que “sem glúten” significa. O cuidado deve durar pelo resto da vida.

O que comer em uma dieta sem glúten?

Ao planejar uma dieta sem glúten, é preciso informar-se sobre a enorme quantidade de alimentos saudáveis e nutritivos que pode ser ingerida. A boa notícia é que a maior parte dos produtos frescos está liberada – frutas e legumes, carne e peixe, feijão e lentilhas, nozes e sementes. Verifique, apenas, se não foram empanados ou se houve adição de molhos ou preparados com produtos que tenham glúten. Arroz e batatas podem ocupar a vaga dos produtos com amido; trigo-sarraceno e milheto são boas variações. Maisena ou farinhas de arroz, batata e grão-de-bico podem substituir a farinha de trigo.

Alimentos processados são mais difíceis de controlar. Algumas proibições são óbvias: nada de pão, biscoitos, donuts, bolos, massas, pizza ou muitos dos cereais matinais. Evitá-los é um começo, mas nem sempre suficiente, já que pequenas quantidades de trigo, cevada ou centeio aparecem em diversas comidas, muitas vezes como componentes de outros ingredientes. Ler atentamente as embalagens revela exemplos surpreendentes de glúten “escondido” – aprenda a decifrá-las.

Em primeiro lugar, procure pela indicação “sem glúten” nas embalagens. O próximo passo é conferir a lista de ingredientes: há algum sinal de trigo, cevada ou centeio? Algumas vezes é difícil descobrir, porque, como dissemos anteriormente, produtos como um “mix de especiarias” podem conter pequenas quantidades de farinha de trigo. Por fim, procure por etiquetas ou símbolos que indiquem um “alerta para alérgenos”. Hoje em dia muitos fabricantes de comida avisam, fora da lista de ingredientes, sobre a presença de 14 substâncias – como o glúten – conhecidas por causar alergia ou intolerância.

VERDADEIRO OU FALSO

“Sem trigo” é igual a “sem glúten”.

FALSO! Alguns produtos que não têm trigo estão livres de glúten, mas outros podem apresentar centeio, cevada ou espelta. Sempre confira o rótulo de alimentos identificados como “sem trigo” e, na dúvida, não compre.

Nos últimos anos houve um aumento expressivo na quantidade de produtos identificados como “sem glúten” – obter um diagnóstico de doença celíaca, portanto, não é tão restritivo quanto foi no passado. E você pode garantir que um alimento não contém glúten ao comprar ingredientes frescos e preparar a comida em casa. Quem é celíaco também pode ser orientado a tomar suplementos vitamínicos para compensar possíveis nutrientes que não sejam absorvidos o suficiente pelo organismo.

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