Apesar dos comerciais comoventes e das campanhas contra a fome, parece que chegamos a uma situação estranha e, em alguns aspectos, triste.

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), cresce tanto a fome quanto a obesidade pelo mundo. Para populações mais pobres, é mais caro comer saudavelmente.

Embora a fome mundial continue a ser um problema significativo, agora o nosso apetite pela prosperidade e por todos os seus confortos é que tem mais probabilidade de nos matar.

De acordo com estatísticas da OMS, há cerca de 1 bilhão de gordos e 350 milhões de obesos no mundo. Em termos globais, cerca de 2,5 milhões de mortes por ano podem ser atribuídas a esses males.

O mais perturbador é que se estima que, no planeta, quase 18 milhões de crianças com menos de 5 anos são obesas. Quanto tempo vai demorar para que alguma nova campanha surja na TV mostrando fotos de crianças rechonchudas pedindo que ajudemos a combater a gordura?

Nossa pesquisa 

Para entender melhor o que está acontecendo, a Reader’s Digest fez uma Pesquisa Global sobre Alimentação que entrevistou cerca de 16 mil pessoas em 12 países com a finalidade de avaliar atitudes e comportamentos relativos ao peso e ao emagrecimento.

Nossa viagem estatística mostra o país onde ser gordo não é nada de mais e o lugar onde ser magro é melhor. Os números revelam quem faz dieta, quem toma remédios e quem dá mais (ou menos) atenção ao médico. A pesquisa também destaca as muitas maneiras fascinantes em que homens e mulheres continuam a divergir sobre quase tudo.

Examine conosco como a obesidade é vista ao redor do mundo – e, o mais importante, o que está sendo feito para combatê-la.

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O país onde se é amado de qualquer jeito

Hungria

Não só os húngaros têm menos tendência a sentir que os quilos a mais sejam alvo de desaprovação pública (relativamente poucos húngaros, 28%, disseram que a ênfase do país sobre o peso era grande demais), como também, dentre todos os países pesquisados, é mais provável que os casados estejam satisfeitos com o corpo do cônjuge.

Só 11% dos húngaros e 14% das húngaras disseram que o(a) parceiro(a) precisa perder alguns quilinhos.


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O país onde se toma mais remédio para emagrecer

China

Trinta e sete por cento dos chineses admitem tomar inibidores do apetite. Especialistas dizem que a preocupação com o corpo está crescendo em toda a China e que os remédios para emagrecer são considerados uma forma rápida e requintada de chegar ao peso ideal. O problema é que esses comprimidos podem acabar sendo fatais, porque sua fabricação não é regulamentada.

Na nossa pesquisa, em todos os países, as mulheres têm mais tendência a tomar medicamentos para emagrecer do que os homens. (Na China, por exemplo, a proporção é de 48% contra 18%.)

O Brasil (30%), a Rússia (24%) e o México (23%) também são rápidos na hora de recorrer a esses remédios. Já nos Estados Unidos, 19% dos pesquisados já tomaram comprimidos para emagrecer, entre eles 23% das mulheres e 14% dos homens.


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O país onde há maior tendência a ignorar os conselhos médicos

Suíça 

Quando perguntamos a pessoas do mundo inteiro qual a principal razão para emagrecer, as ordens médicas raramente foram mencionadas. Entre os entrevistados, os suíços é que revelaram menos crédito à insistência do médico (só 11% a citaram como principal força motivadora). Os mexicanos (46%) e os franceses (39%), por exemplo, são os que dão mais ouvidos aos doutores.

No Brasil, o principal motivo para perder peso, com 75%, é ser mais saudável. Outro motivo alegado pelos brasileiros é aumentar a autoestima (62%).


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O país onde ainda se fuma para tentar emagrecer

Rússia

A ideia de fumar para reduzir o apetite costuma ser considerada um péssimo negócio em todo o mundo, mas persiste em alguns países: China, Filipinas, México e, especialmente, Rússia. Vinte e três por cento dos russos e 18% das russas admitem fumar para emagrecer.

Apenas 3% dos brasileiros fumam para perder peso.