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Publicado em: 3 de junho de 2020

Pré-diabetes: quando a glicemia “normal” não basta

Muitas pessoas só se preocupam com o diabetes quando o médico diz que a glicemia está alta demais

Imagem: simpson33/iStock

 O pré-diabetes é o primeiro estágio. Mesmo quando o resultado do exame de sangue é “normal”, você pode não estar totalmente livre do diabetes. Segundo pesquisas recentes, o tipo de normalidade da taxa de açúcar no sangue ainda pode elevar o risco da doença. Assim, alguns médicos estão levando esses resultados mais a sério. Ainda mais quando os pacientes apresentam outros fatores de risco, como obesidade ou histórico familiar.

É provável que o limite um tanto arbitrário entre a glicemia normal e a glicemia alta associada ao diabetes pode dar a milhões de pessoas uma falsa sensação de segurança, alerta Nicolas Cherbuin, da Universidade Nacional da Austrália. Sua pesquisa publicada em 2013 constatou que pessoas de meia-idade com leitura glicêmica em jejum na faixa mais alta da normalidade (ver quadro) saíram-se não apenas pior em testes de memória, como também tiveram maior retração numa região do cérebro importante para a memória, em comparação às que tinham glicemia mais baixa. A glicose alta pode lesionar os vasos sanguíneos e obstruir o fluxo de nutrientes para o cérebro.


OS NÚMEROS QUE VOCÊ E SEU MÉDICO DEVERIAM CONHECER*
  • DIABETES Glicemia de 126 mg/dl ou mais

  • PRÉ-DIABETES Glicemia entre 100 mg/dl e 125 mg/dl

  • GLICEMIA NO LIMITE DA FAIXA DE NORMALIDADE Entre 90 mg/dl e 99 mg/dl (nova categoria estudada pelos riscos à saúde)

  • GLICEMIA NORMAL Atualmente definida como de 70 mg/dl a 99 mg/dl

    * Todos os níveis se baseiam no exame de glicemia de jejum; que requer o jejum de 8 horas durante a noite.

Veja que a resistência à insulina não é o pré-diabetes.

Outra pesquisa indica que a glicemia no limite da faixa da normalidade aumenta o risco de cardiopatia por promover inflamações e tornar mais rígidos os vasos sanguíneos. Um estudo israelense de 2012 constatou que indivíduos com glicemia em jejum entre 90 mg/dl e 99 mg/dl tinham probabilidade de apresentar doença cardíaca 40% maior do que aqueles com menos de 80 mg/dl.

Veja nos slides a seguir mais resultados da pesquisa.

  • spukkato/iStock

    O câncer é outra preocupação

    Depois de acompanhar mulheres italianas durante 13 anos, os pesquisadores constataram que aquelas cuja glicemia em jejum ficava no limite da normalidade tinham 52% mais probabilidade de desenvolver câncer de mama do que as que apresentavam taxa abaixo de 80. Talvez uma das razões seja que a insulina liberada pelo organismo para controlar a glicemia também acelera o crescimento celular.

    Antes de mais nada, todos devem conhecer sua glicemia. E mudar o estilo de vida quando essa taxa entra na faixa dos 90, diz o Dr. Joel K. Kahn, cardiologista especializado em prevenção, que trata muitos diabéticos ou pré-diabéticos.


  • Prostock-Studio/iStock

    A glicemia de jejum

    “A glicemia de jejum ideal é abaixo de 85”, diz ele. “Cada ponto acima disso está associado a mais problemas, portanto, a melhor abordagem é agir logo.”

    A Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação Americana de Diabetes recomendam exames de glicose de três em três anos a partir dos 45 anos. Mas pode ser necessário fazê-los com mais frequência. Ou ainda, caso a pessoa pertença a grupos étnicos de alto risco (afro-americanos, hispânicos e asiáticos), esteja acima do peso, tenha tido diabetes gestacional ou tenha diabéticos na família.

    Portanto, os especialistas insistem numa maior vigilância. Pesquisas importantes mostram que o aumento da atividade física e uma alimentação melhor podem reverter o caminho rumo ao diabetes. O Programa de Prevenção do Diabetes, estudo americano inovador feito em 27 centros, verificou que pessoas com pré-diabetes podem reduzir em 58% o risco de desenvolver a doença; e até fazer a glicemia se normalizar caso se exercitem ao menos duas horas e meia por semana e emagreçam de forma apenas modesta quando necessário (cerca de apenas 20% dos pré-diabéticos são magros).


  • demaerre/iStock

    Estilo de vida

    A pesquisa verificou ainda que a mudança, sobretudo do estilo de vida, teve efeito ainda maior do que os medicamentos. E os benefícios podem durar. De acordo com uma pesquisa na China, depois de 23 anos, quem participou de um programa de alimentação e/ou exercício a longo prazo teve menos probabilidade de desenvolver diabetes ou de morrer por outras causas.

    Se sua glicemia estiver subindo, essa mudança na alimentação vai ajudar muito. A prática de exercícios recomendada pela ciência pode ajudá-lo a voltar a níveis mais saudáveis. Leia mais sobre diabetes neste link.


  • Aamulya/iStock

    Coma bem

    ADOTE A DIETA MEDITERRÂNEA

    Segundo estudos que envolveram 140 mil pessoas, a probabilidade de desenvolver diabetes é 21% menor entre os que seguem a alimentação mediterrânea . Ela é baseada em alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes, verduras, leguminosas, castanhas, cereais integrais e azeite. Peixe e frango são usados regularmente, mas não carne vermelha, manteiga e doces. Os fitonutrientes e as fibras dos vegetais ajudam a controlar o nível de açúcar no sangue, e o azeite pode reduzir inflamações.


  • Magone/iStock

    VERMELHO DO BEM

    Além disso, um estudo britânico relacionou a maior ingestão de antocianinas com o melhor controle da glicemia. Antocianinas são nutrientes que dão às uvas e frutas silvestres os tons vermelho e roxo. Uma porção pode ter sobre a glicemia o mesmo impacto que a redução de um ponto no IMC.


  • demaerre/iStock

    NÃO PULE O CAFÉ DA MANHÃ

    Quem costuma deixar de lado a refeição matutina tem mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2. O café da manhã ajuda a estabilizar a glicemia durante o dia. Combine de forma saudável proteínas, carboidratos complexos e gordura – por exemplo, iogurte com frutas e castanhas. Nesse sentido, começar o dia com montes de carboidratos simples (como um pãozinho com suco de laranja) é tão ruim para o nível de açúcar no sangue quanto pular a refeição, segundo experimentos da Universidade de Minnesota.


  • klebercordeiro/iStock

    Mexa-se com inteligência

    SUOR E FORÇA

    As mulheres que praticaram exercícios aeróbicos (2 1/2 horas semanais) e de força (1 hora semanal) tiveram risco mais baixo de diabetes; cerca de um terço a menos do que as que não se exercitavam. Depois de uma sessão de exercícios, os músculos tiram mais glicose do sangue. E assim que a forma física melhora, as células ficam mais sensíveis à insulina.


  • gorodenkoff/iStock

    AFASTE-SE DA MESA DE TRABALHO (E DA TV)

    Ande dois minutos a cada vinte minutos sentado. Um novo estudo inglês indica que pausas frequentes para andar reduzem os picos de glicemia depois de comer.


  • monkeybusinessimages/iStock

    Converse com o médico

    EXAMINE SEUS REMÉDIOS

    Medicamentos comuns, como, por exemplo, corticoides, estatinas e diuréticos para baixar a pressão, podem elevar a glicemia. Pergunte ao médico se é possível usar outros medicamentos sem esse efeito colateral.

    Caso você já tenha o problema, não deixe de fazer exames regularmente.


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