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Publicado em: 3 de setembro de 2021

Seu rosto à venda: empresa busca modelos para deepfake

Startup quer "comprar rostos" para falsificá-los, criando personagens gerados por inteligência artificial.

Imagem: Divulgação/Hour One

Você venderia seu rosto como modelo para uma empresa que cria personagens virtuais baseados em inteligência artificial? Essa é a nova moda da tecnologia — ou, ao menos, é o que a startup Hour One está tentando emplacar.

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A chefe de estratégia da Hour One, Natalie Monbiot, diz que há "uma fila de pessoas" interessadas em se tornar um de seus personagens. Hoje, o portfólio da empresa já tem mais aproximadamente 100 modelos, a maioria jovem.

As aplicações podem ser diversas. A Hour One é a mesma empresa que está criando instrutores virtuais para substituir humanos em aulas de idiomas da Berlitz. Mas o seu “clone” modificado também pode ser estrela de campanhas de Marketing.

A Hour One busca diversidade: pessoas de diversas etnias, gêneros e idades podem ser selecionadas. A ideia é que a sua biblioteca de rostos possa atender a qualquer cliente interessado.

Ok, e isso não é arriscado?

A resposta curta é: sim, bastante arriscado. Todo o conceito dessa tecnologia ainda é bastante obscuro no mundo.

A Hour One diz que o processo não é o deepfake tradicional: "Autorização sistemática é uma das coisas que distingue a tecnologia da Hour One do deepfake, que normalmente não tem o consentimento da pessoa que aparece no conteúdo".

Apesar disso, a política de ética da companhia é meio vaga, e bem mais curta do que eu esperava para uma empresa que vai lidar com informações tão sensíveis quanto... Bem... A cara de uma pessoa.

O texto esclarece que "cada vídeo deve conter uma divulgação dentro do quadro indicando que o vídeo foi gerado usando computadores, em vez de uma câmera", o que já é alguma coisa, mas ainda assim — imagine ter um rosto bastante semelhante ao seu vinculado a propagadas com conteúdo minimamente questionável (não é incomum vermos comerciais por aí e pensarmos "Caramba, ninguém da equipe revisou isso para impedir tamanha baboseira?!").

A Hour One diz que "quando você se torna um personagem em nossa plataforma, a relação [entre você e a empresa] será regida por um Acordo de Personagem", com este termo a companhia tem permissão para criar seu personagem com sua tecnologia e de acordo com seus "Termos de Uso". Por fim, a política garante que seu rosto será vinculado apenas a "conteúdo seguro (nunca ilegal, antiético, divisionista, religioso, político ou sexual)".

Há que não ligue para as implicações do deepfake

Aos corajosos: as inscrições podem ser feitas por meio do site da empresa. Tudo o que você tem que fazer inicialmente é enviar seu nome, e-mail e perfil do Instagram.

Caso você seja selecionado, a Hour One fará imagens do seu rosto falando e realizando diversos movimentos e expressões faciais. As imagens são processadas pelo software de inteligência artificial para a formação do "clone" modificado.

Ana Marques
Ana Marques
Jornalista formada pela UFRJ, Ana é entusiasta de tecnologia, dos dispositivos móveis e da inteligência artificial, mas também defensora das relações humanas e das conexões feitas por meio de encontros. Sua relação com a cobertura tecnológica teve início em 2016, no TechTudo, ainda como estagiária. Em 2018, passou a integrar a equipe de Conteúdo do comparador Zoom.com.br, onde foi editora de Mobile (Celulares, Tablets e Wearables) & Eletrônicos até agosto de 2020. Atualmente é editora-assistente de Notícias no Tecnoblog, o maior veículo independente de Tecnologia do Brasil.

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