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Publicado em: 23 de julho de 2021

Dia da Mulher Negra: quem foi Tereza de Benguela

Rainha Tereza, como era conhecida, foi uma grande guerreira na luta contra a escravidão

Imagem: Autor desconhecido/Wikimedia

Dia 25 de julho é o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data ganhou o nome de Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, representando a luta das mulheres negras contra o machismo e o racismo. Mas, afinal, quem foi Tereza de Benguela e por que a data ganhou seu nome?

Quem foi Tereza de Benguela?

Tereza de Benguela foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Quariterê, também conhecido como Quilombo do Piolho. Após a morte de seu marido, Tereza se tornou a líder do Quilombo, que ficava entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá, em Mato Grosso. 

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Durante duas décadas, Tereza resistiu à escravidão ao lado de mulheres e homens negros e indígenas. Em sua administração, Rainha Tereza, como ficou conhecida, criou uma estrutura política, econômica e administrativa. Além de uma forma de organizar as armas e mecanismos de defesa do local. 

A rainha lutou bravamente e, por 20 anos, chegou a abrigar e a comandar mais de 3 mil escravizados. O Quilombo do Quariterê foi o maior de Mato Grosso, criado em 1730, e foi comandado por Tereza entre 1750 e 1770. A rainha só deixou de comandar o quilombo quando morreu.

As informações sobre a sua morte não são claras. Relatos indicam que foi suicídio, após ser capturada. No entanto, também há informações de que ela teria sido assassinada por militares, após sua captura. 

Dia Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha

Manifestação Dia da Mulher Negra
O Dia da Mulher Negra é marcado por manifestações. (Imagem: Drazen Zigic/iStock)

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha surgiu, em 1992, no Encontro de Mulheres Afro-Latina-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana. Naquele evento, debateu-se a luta de combate ao machismo e ao racismo, e, então, escolheram a data do encontro, 25 de julho, com o objetivo de amplificar as lutas das mulheres negras. 

As discriminações sociais afetam duplamente as mulheres negras; isto é, por serem mulheres e por serem negras. Por isso, torna-se necessária uma luta específica.

Essa luta foca especificamente nas mulheres não brancas, pois suas experiências são diferentes das vividas por mulheres brancas, em muitos aspectos. Além do machismo, sofrem com o racismo e, por muitas vezes, com a pobreza.

Dia da Mulher Negra no Brasil

Em terras brasileiras, a data ganhou o nome de Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em 2014. A data comemorativa foi instituída pela ex-presidente Dilma Rousseff, que, à época, decidiu nacionalizar a data e nomeá-la em homenagem à guerreira quilombola.

Há estudos e dados que mostram a necessidade de pensar políticas públicas voltadas para as mulheres não brancas e suas especificidades. Segundo dados da ONU, a América Latina, por exemplo, possui 14 dos 25 países que mais cometem feminicídio.

Na lista geral, o Brasil ocupa a quinta colocação. Na América Latina, é o país é onde mais se comete feminicícios. Além disso, de acordo com o Atlas da Violência, em 2018, 68% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras. 

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