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Publicado em: 26 de abril de 2021

Radioactive: quem foi Marie Curie, cientista retratada no novo sucesso da Netflix

O novo longa da Netflix traz a história da cientista detentora de dois prêmios Nobel, em Física e Química

Imagem: Divulgação/Netflix

Cientista premiada nas categorias Física e Química, Marie Curie é a única mulher a ter recebido dois prêmios Nobel. Personagem principal do filme “Radioactive”, da Netflix, muitas pessoas ficaram curiosas para saber um pouco mais sobre a sua vida e qual sua importância para a ciência.

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De Maria Salomea Sklodowska à Marie Curie

A polonesa Maria Salomea Skłodowska nasceu dia 7 de novembro de 1867, em Varsóvia. Caçula de cinco irmãs, a jovem perdeu a mãe muito nova e passou por um longo período depressivo. Já mais velha, com o sonho de estudar, fez um acordo com uma de suas irmãs mais velhas. Maria começou a trabalhar como governanta, para ajudá-la a pagar os estudos e quando se formasse, a irmã faria o mesmo por ela.  

Maria se mudou para a França em 1891 para cursar Física, Química e Matemática na Universidade de Paris. Na mesma época, conheceu Pierre e se apaixonaram. Maria queria voltar para Polônia para trabalhar com ciência em seu país. Pierre, que era instrutor na Escola de Física e Química Industrial da Cidade de Paris, estava disposto a largar tudo para viver na Polônia com Maria.

Marie Curie
Rua em homenagem à Pierre e Marie Curie (Imagem: travelview/iStock)

A mudança só não aconteceu pois a Universidade da Cracóvia recusou um emprego à Maria apenas por ela ser mulher. Maria então voltou a Paris, e em 1895 casou-se com Pierre Curie. Neste momento, Maria mudou seu nome para Marie Curie. O casal teve duas filhas e ganhou um prêmio Nobel juntos. 

A cientista passou grande parte da vida trabalhando em torno das descobertas decorrentes da pesquisa que lhe rendeu o primeiro Nobel. Curie foi de extrema importância para os avanços na medicina e teve papel muito importante durante a Primeira Guerra Mundial. Após muita contribuição científica, Madame Curie morreu com 66 anos, em 4 de julho de 1934. 

Marie Curie: duas vezes no Prêmio Nobel

Um dos motivos pelos quais Marie Curie se tornou conhecida como uma grande cientista foi quando estudou o urânio, com seu marido, Pierre Curie. Marie usou, pela primeira vez, o termo “radioatividade”, se referindo à descoberta feita pelo cientista Henri Becquerel em 1896. Os Curie estudaram e descobriram que a radiação emitida pelo urânio na verdade era emitida pelos próprios átomos, não por alguma interação molecular. 

Marie Curie prosseguiu na pesquisa com os minérios de urânio e, sem a ajuda de Becquerel, descobriu dois novos elementos químicos, o polônio, nomeado em homenagem a seu país natal, e rádio. Os dois elementos foram descobertos no mesmo ano, em 1898.

Seus principais trabalhos lhe renderam o prêmio Nobel de Física e também um prêmio de Química. Na primeira vez em que foi premiada, Marie Curie recebeu a honra junto com seu marido, Pierre Curie e com o cientista Henri Becquerel, pelo trabalho com a radioatividade. Eles foram premiados no ano de 1903. Sua segunda premiação veio em 1911, pela descoberta dos elementos Polônio e Rádio. 

Marie Curie
Estátua de Marie Curie em Varsóvia, segurando uma representação do Polônio (Imagem: Bob Douglas/iStock)

Em seu primeiro prêmio, Marie Curie se tornou a primeira mulher a ser premiada com o Nobel e segue sendo a única mulher a receber essa honraria duas vezes. Além de Marie, apenas três homens ganharam dois prêmios: Linus Pauling, que ganhou o Nobel em Paz e Química, John Bardeen, que ganhou dois Nobel em Física, e Frederick Sanger, que ganhou dois Nobel em Química. 

Mesmo sendo premiada duas vezes com o Prêmio Nobel, Marie Curie passou por situações de preconceito por ser uma mulher cientista. No ano em que recebeu seu segundo Nobel, Madame Curie, como era chamada, não foi eleita para a Academia Francesa de Ciência, por apenas dois votos. 

Avanço das pesquisas para medicina e perigos da radiação

Rapidamente, Marie Curie desenvolveu aplicações médicas para suas descobertas. Sua descoberta teve papel importante na Primeira Guerra Mundial, quando Curie montou unidades móveis de radiografia. Suas histórias de guerra são relatadas no livro “Radiologia na Guerra”, lançado em 1919. 

Após a Guerra, Curie lutou para montar institutos voltados para pesquisa de rádio, um em Paris e outro em Varsóvia. Até hoje os institutos existem e trabalham em pesquisas médicas importantes. A cientista ainda visitou diversos países em busca de fundos para financiar suas pesquisas de rádio. Entre os países visitados estão EUA, Bélgica, Brasil e Espanha. 

Radioctive
Graças as descobertas de Marie Curie as radiografias são possíveis (Imagem: agcuesta/iStock)

Seus trabalhos foram um sucesso e suas pesquisas corriam a todo vapor, mas não sabia-se ainda do perigo de ter contato com a radiação. Por não saber ainda dos riscos, Marie Curie não tomava nenhum cuidado específico ao lidar com os elementos. Andava com tubos de ensaio com amostras de rádio em seu bolso de jaleco, fazia diversas radiografias sem a devida proteção e com isso passou anos sendo contaminada. 

Após anos de contaminação, Curie faleceu. Algumas fontes atribuem sua morte à leucemia, outras à anemia aplástica. O fato é que seu contato com a radiação foi tão grande que até hoje os livros de anotações de Marie Curie contam com alto nível de radiação e devem ser pegos com a devida proteção. 

Ciência em família

O primeiro nobel de Marie Curie foi junto com seu marido, Pierre Curie, anos depois, a filha do casal, Irène Joliot-Curie, repetiu o feito ao conquistar, juntamente com seu marido, Frédéric Joliot-Curie, o Nobel de Química em 1935.

Pierre e Marie, no entanto, não viram sua filha realizar este feito. O cientista morreu jovem, em um acidente de carruagem, em 1906. Em 1923, Marie Curie escreveu a biografia de seu marido, intitulada Pierre Curie. Já Marie, morreu um ano antes, em 1934.


“Radioactive”, filme inspirado no livro homônimo, está disponível na Netflix e tem Rosamund Pike interpretando a cientista. 

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