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Publicado em: 1 de dezembro de 2020

Sou a noz… alimento para o cérebro

Conheça mais sobre a incrível história da noz e surpreenda-se.

Imagem: Konstantin Aksenov/iStock

No século 16, uma imprudente teoria sobre a saúde circulou entre os médicos da Europa: alimentos que lembravam partes do corpo, acreditavam eles, fariam muito bem à saúde dessas partes. Vagalumes para visão noturna, coral-vermelho para o sangue e eu, a noz, para o órgão mais importante: o cérebro.

É verdade que nem o ser humano mais distraído deixaria de ver a semelhança, com meus hemisférios carnudos e convolutos enfiados numa casca protetora parecida com o crânio. No fim das contas, por menos fundamentada que fosse a teoria, comigo esses cientistas tiveram sorte. Minhas gorduras poli- e monoinsaturadas abundantes, além do nível alto e invejável de ômega-3 (sou a única oleaginosa com quantidade significativa), são realmente essenciais para a saúde cognitiva.

Também melhoro a digestão por ser rica em fibras. Mas os seres humanos se apaixonaram por mim antes que a ciência me desse credibilidade. Meu supremo sabor e minha textura delicada me puseram há muito tempo entre os alimentos deliciosos: sou assada em bolos, biscoitos e granola, mergulhada em chocolate, tostada na manteiga e coberta de temperos. Também sou triturada em sopas e molhos pesto ou acrescentada a saladas. Minha leve crocância (que fica ainda melhor se você me tostar até eu ficar cheirosa) dá uma textura interessante aos pratos sem forçar os maxilares. Não se pode dizer isso das amêndoas!

Eu não sou uma noz

Por falar da minha colega mais popular, talvez você se interesse em saber que, em termos botânicos, nenhuma de nós é uma noz – nem os pistaches e as castanhas de caju, aliás. A noz é uma semente fechada dentro de uma casca externa dura, sem polpa no lado de fora – exemplo: bolotas de carvalho, castanhas e avelãs. No entanto, se me colher na árvore, e não na prateleira do supermercado, você verá que sou um caroço dentro da camada verde e carnuda do fruto. E a parte macia que você come é a semente dentro daquele caroço.

Os óleos de meus lobos ficam rançosos facilmente. Se eu estiver amarga ou com cheiro de mofo, não me coma. E, se não for me comer na hora, me guarde na geladeira ou no congelador, num saco plástico hermético.

Se colher meu fruto cedo, antes que o caroço esteja totalmente endurecido, você pode fazer coisas inesperadas. Na Grã-Bretanha, fazem picles: me deixam inteira em água salgada e me preservam num xarope de açúcar mascavo e especiarias. Isso me deixa macia e delicada; você pode me fatiar e ver a semente, a protocasca e a borda da polpa da fruta. Mas o mais fascinante é a cor da noz em conserva: preta. Meu sumo transparente escurece quando exposto ao ar.

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Os frutos jovens da nogueira fornecem essa mesma cor de tinta ao nocino, o digestivo italiano em que sou macerada com açúcar e especiarias em elevado teor de álcool. Na Roma antiga, eles combinavam minha seiva escura com sanguessugas e cinzas para fazer tintura escura para cabelo. Eu também era usada para fazer tinta, que, segundo dizem, Rembrandt e Rubens empregaram em alguns esboços.

The Encyclopedia of Hair (A enci- clopédia do cabelo) vai lhe dizer que, na Inglaterra do século 17, meu óleo era usado como depilador para afinar as sobrancelhas e recuar o limite do cabelo das mulheres, quando esse look estava na moda. Hoje, inexplicavelmente, o óleo de nogueira é divulgado como cura para a calvície. (O melhor então é não me usar com propósitos capilares). Vocês, seres humanos, encontraram aplicações incontáveis para mim, como aproveitar minha casca como um abrasivo de limpeza usado até hoje.

Mas minha função não comestível favorita é como veículo de investimentos. Os chineses veem meus melhores exemplares como você veria uma pedra preciosa. Posso valer quantias imensas no Extremo Oriente, onde dizem que girar um par meu na palma da mão estimula a circulação do sangue. Pares iguais podem valer até 30 mil dólares; quanto maior e mais velha, mais alto é meu valor. Pense nisso na próxima vez que beliscar um punhado de nozes.

Por Kate Lowenstein e Daniel Gritzer

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