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Publicado em: 24 de janeiro de 2019

Conheça o turista famoso por se perder (e muito!) graças ao GPS

Ele queria uma aventura. E conseguiu, graças ao GPS confuso.

Imagem: © ARCTIC-IMAGES/GETTY IMAGES

Antes de ficar famoso por se perder na Islândia, Noel Santillan era apenas mais um sujeito de Nova Jersey em busca de aventuras, armado com os dois equipamentos essenciais do viajante moderno: um sonho e, mais importante, um GPS. Conheça e divirta-se com sua história:

 

Numa manhã gelada e muito escura de fevereiro de 2016, o gerente de marketing de 28 anos saiu do Aeroporto Internacional de Keflavik, num Nissan hatch alugado, rumo ao hotel em Reikjavik, a cerca de 40 minutos dali.

Ele estava empolgado com o começo dessa viagem de uma semana, mas meio zonzo depois do voo noturno de cinco horas. Enquanto o sol nascia rosado sobre o oceano e iluminava as rochas de lava cobertas de neve ao longo da costa, Santillan seguiu fielmente as instruções do GPS do automóvel, uma calma voz feminina que o instruía a chegar a um endereço na Rua Laugarvegur – à esquerda aqui, à direita ali.

Mas, depois de parar numa desolada rua de cascalho ao lado da placa de um posto de gasolina, Santillan ficou com a sensação de que a voz o levava para o outro lado. Estava dirigindo havia quase uma hora, mas o GPS estimava que a hora de chegada ao destino era 17h20, dali a oito horas. Ele redigitou o destino e obteve o mesmo resultado. Embora sentisse que havia algo errado, decidiu confiar na máquina.

Quanto mais dirigia, menos carros ele via. A estrada ficou mais gelada. A sonolência nublava seu cérebro, o estômago vazio roncava. As únicas estações de rádio que encontrava transmitiam apenas programas de entrevistas em islandês. Como não o configurara para uso internacional, o celular não podia ajudar. Por volta das duas da tarde, enquanto os pneus derrapavam numa estrada na montanha que contornava um penhasco íngreme, ele teve certeza de que o GPS o enganara.

Estava perdido e, apesar da insistência do GPS, muito longe do hotel.

Não havia outros motoristas na estrada, e praticamente a única opção era seguir a linha na tela até seu misterioso destino. “Eu sabia que chegaria a algum lugar”, diz ele. “Não sabia aonde mais poderia ir.”

As instruções terminaram numa pequena casa azul numa cidade minúscula. Uma loura bonita de olhos azuis o recebeu à porta. Ela sorriu quando ele gaguejou sobre o hotel e lhe entregou sua reserva.

Não, disse ela, ali não era o hotel, e ele não estava em Reikjavik, que ficava 360 quilômetros ao sul. Estava em Siglufjördhur, uma aldeia de pescadores com 1.300 habitantes, no litoral norte. A mulher, que se chamava Sirry – pronunciado como a auxiliar eletrônica da Apple que dá instruções aos usuários de iPhone –, logo descobriu o que tinha acontecido. O endereço no site de reservas Expedia e no voucher impresso estava errado. O hotel ficava na Rua Laugavegur, mas o Expedia tinha posto um “r” a mais no nome: Laugarvegur.


A minúscula Siglufjördhur é confundida com Reikjavik por um GPS.

Santillan se hospedou num hotel local para dormir, com o plano de voltar a Reikjavik no dia seguinte. Quando contou a história à recepcionista, ela riu. “Sinto muito. Eu não deveria rir disso”, disse ela, “mas é engraçado.”

Na manhã seguinte, quando ele foi fazer o check-out, a piada ficou ainda maior. “Alguns repórteres querem falar com o senhor”, disse a recepcionista do hotel.

Sirry publicara no Facebook a história absurda, que logo foi compartilhada. Um amigo dela, editor de um site islandês de viagens, fez uma postagem em seu blog sobre o “incidente engraçado e extraordinário”. Logo o infortúnio do rapaz atraiu o interesse de jornalistas de rádio e TV.

E não eram só eles que queriam falar com Santillan. “Todo mundo na cidade sabia de mim”, diz ele. Alguns siglufjördhurenses foram ao hotel lhe dar as boas-vindas e tirar fotos. Um deles lhe ofereceu um passeio pelo orgulho e alegria da cidade, o Museu Islandês da Era do Arenque. O cozinheiro do hotel lhe preparou um guisado de carne à moda local por conta da casa.

Contente com toda a hospitalidade, Santillan decidiu ficar mais uma noite. No dia seguinte, apareceu na TV e explicou ao repórter que, no passado, sempre achara o GPS muito confiável. Naquela noite, ao chegar a Reikjavik, ele tinha se transformado numa grande sensação na mídia do país, que o apelidou de Turista Perdido. O tabloide islandês DV se espantava com o americano que, apesar de todos os sinais de alerta,“decidiu confiar no GPS”.

Não demorou para sua experiência virar notícia internacional, com cobertura do Daily Mail, da BBC e do New York Times.

O gerente do hotel de Reikjavik viu as notícias sobre a odisseia de Santillan e, para compensar o sofrimento do viajante, lhe ofereceu estadia gratuita e uma refeição no restaurante de frutos do mar ao lado.

Nas ruas cheias de gente comemorando o Festival Anual das Luzes de Inverno, islandeses acorreram ao Turista Perdido para tirar selfies e o encheram de doses do Brennivin, o veneno local: uma aguardente não adoçada. Enquanto um grupo tocava rock lá fora, Santillan não parava de ouvir pessoas gritando seu nome. Alguns rapazes o arrastaram pela escada de um clube de strip-tease, onde uma das dançarinas também sabia seu nome. A coisa toda parecia surreal. “Era como se aquilo não estivesse acontecendo comigo”, diz ele.

Mas o rapaz aproveitaria o máximo possível. Quando o gerente de marketing de uma das atrações turísticas mais famosas do país, o spa de águas termais Blue Lagoon, lhe escreveu, oferecendo uma visita gratuita, Santillan foi para lá no dia seguinte. O endereço já estava pré-carregado no GPS do carro, pois era para lá que todo mundo ia.

Enquanto dirigia sob o céu do inverno, Santillan se espantava com tudo o que acontecera.

Havia pouco tempo, ele era apenas mais um trabalhador em Nova Jersey. Agora, era uma celebridade. Ele se imaginou descansando nas águas azul-cobalto, respirando o vapor. Mas, meia hora depois, quando o GPS lhe disse que tinha chegado, ele teve uma sensação de desânimo. Pela janela, não se via nenhum sinal de águas termais, apenas um prédio pequeno e solitário no meio do nada. O Turista Perdido se perdera de novo.

Por alguma razão, o GPS não o levara ao Blue Lagoon, mas a um centro de convenções numa estrada vazia. Quando entrou no prédio, ele foi reconhecido. O fato de ter se perdido novamente tornou sua história ainda mais convincente. Depois de posar para fotos com paciência, ele sucumbiu ao jeito antigo de chegar aos lugares: seguiu as instruções dadas por outro ser humano.

Veja também: A felicidade através da água da Islândia

E assim, com o GPS desligado, ele seguiu viagem.

Não demorou para estar de molho num banho vaporoso, com lama vulcânica branca passada no rosto. Nisso, já prometera voltar à Islândia. Talvez, pensou, eu venha morar aqui em algum momento.

Até lá, ele tem algo para lhe recordar suas desventuras: um GPS islandês. Foi um presente da locadora de automóveis quando ele devolveu o Nissan. É um lembrete de seu período como o Turista Perdido, apelido que considera uma medalha de honra.

“Gosto dele”, diz, “porque é assim que descobrimos coisas interessantes. Quem não se perde nunca vai se achar.”

Por DAVID KUSHNER da revista OUTSIDE

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