Embora receber o diagnóstico de câncer seja um dos maiores temores nos consultórios médicos, hoje, mais do que nunca, existem novas opções de tratamento para quem recebe a notícia da doença. Mas as notícias são animadoras. “As taxas de morte por câncer estão começando a diminuir”, diz o Dr. Siddartha Mukherjee, oncologista. “Essa é uma vitória significativa na guerra contra a doença. As pessoas voltaram aos fatos para analisar o que levou a esse declínio, e a resposta é bastante satisfatória: tudo – da prevenção ao tratamento – tem ajudado.”

Conheça 7 alimentos que ajudam a prevenir o câncer.

Hoje, no Dia Mundial de Combate ao Câncer, confira três relatos de pessoas que venceram o câncer e não perca a esperança de ser curado.

A vida depois do câncer de Anders Hedin

Revisor de textos. 63 anos. Mora em Estocolmo, na Suécia, e tem dois filhos.

“Fiquei chocado em 2004 ao saber que meu câncer tinha voltado. Onze anos antes, um melanoma fora removido da minha pele. Agora eles haviam encontrado outro no intestino delgado e, não muito tempo depois, um tumor no cérebro. Depois de ter passado pelas cirurgias, parecia que minha expectativa de vida seria de um ano. Fiquei apavorado, para dizer o mínimo. Não conseguia admitir o fato de não poder ver meus filhos crescerem.

Mas então tive a oportunidade de participar de um estudo para testar um novo tratamento. Se funcionasse, eu sobreviveria… Os médicos extraíram células brancas do sangue que combatem as células cancerosas a partir do tumor retirado do cérebro. Então as cultivaram em laboratório e depois transferiram de volta para meu corpo. Entre 2004 e 2009, me submeti a 11 desses tratamentos.

Posso estar enganado, mas sinto que estou de certa forma protegido contra o câncer – exceto em relação ao cérebro – porque não houve recidiva e nem metástase para outros órgãos. As micrometástases detectadas no meu cérebro foram tratadas de maneira bem-sucedida com várias “cirurgias” usando feixes de raios gama. Assim, contra todas as probabilidades, e graças a Deus, ainda estou vivo.

Hoje só faço o que quero e tento evitar o que não me dá prazer. Tenho um novo projeto de livro, e, meses atrás, ajudei a fundar na Suécia uma associação para pacientes com melanoma.”

A vida depois do câncer de Eduardo Fernandes

Engenheiro químico, 68 anos, mora no Rio de Janeiro.

“Sempre considerei a morte uma sequência natural, mas quando fui internado em 2002, aos 58 anos, para retirar um tumor na bexiga do tamanho de uma laranja, só me preocupava em sair do hospital e concluir algumas pendências.

Resignei-me com o choque. Tentava pensar que meu caso não era o único, que outras pessoas sofriam até mais. Acreditava que o sofrimento devia servir para aumentar minha resistência ou me tornar uma pessoa mais simples. Mas era inevitável me questionar se suportaria as mudanças físicas e emocionais. Por algum motivo eu tinha câncer e estava incluído no grupo dos que lutam contra ele.

Quando o tratamento começou, achei que seria menos agressivo, já que o tumor era de baixo grau de malignidade. Nunca imaginei passar por procedimentos tão invasivos e dolorosos. No período em que estive internado, principalmente, o apoio incondicional de meus irmãos, mãe e filha, que sofreram comigo e me acompanharam, fez uma grande diferença. A família me ajudou a ficar mais forte e enfrentar a doença, fui privilegiado e abençoado por não ficar com sequelas físicas.

Fui considerado curado em 2007. Ainda é difícil me lembrar de tudo o que passei sem me emocionar. Como somos impotentes frente ao desconhecido! E como nos expomos a possíveis causadores do câncer. Preocupa-me a falta de divulgação sobre os fatores de risco da doença. O que surge eventualmente na mídia não atinge as pessoas mais carentes.

Eu pude ser tratado – o tratamento com especialistas particulares é caro – e sou grato a Deus e aos médicos. Tento ser útil às pessoas, ajudando os que me procuram. E farei isso por toda a minha vida.”

A vida depois do câncer de Monica Bunaciu Curt

Presidente da Associação Romena para o Combate à Leucemia. 32 anos. Mora na França.

“Em 1994, eu tinha muitos sonhos. Estava com 20 anos e estudava economia. Mas me sentia cansada… e meu estado foi piorando. Certo dia, em dezembro, tive pleuristia e precisei ficar internada. Ninguém me dizia o que havia de errado comigo. Então, um dia, dei uma olhada no meu prontuário. Eu tinha leucemia linfoblástica aguda. Senti medo, iria morrer.

Depois das primeiras fases de tratamento, tive duas recaídas. Os tratamentos na Romênia não eram tão avançados. Então, fui com minha família para a Alemanha. Lá, me disseram não haver perspectiva de cura. Desesperado, meu pai ligou para um médico italiano. E lá fui para a Itália receber um tipo especial de quimioterapia, com radiação total. Dois meses depois, fui submetida a um transplante de medula.

Mas passei os cinco meses seguintes isolada, sentindo dor, sem poder beber ou comer durante semanas. Então, no fim de abril de 1996, entrei em coma. Mas me lembro de sentir que minha vida era importante e que eu era amada. Saí do coma três dias depois.

Minha vida mudou completamente. Não pude ter filhos, o que me deixou triste, mas compreendi que existe uma vida diferente como sobrevivente do câncer. O importante para mim é ajudar outros pacientes a lidar com a doença. Foi assim que conheci meu marido.

Estou viva hoje por causa das pessoas que me ajudaram. A guerra deve ser levada até o fim. O presente mais valioso que recebemos dessa luta é o amor.”

Por Christine Langlois e Lia Grainger

Assine a nossa newsletter e receba nosso conteudo em primeira mão!