Vem de Planaltina, no Distrito Federal, a notícia de uma solução boa, bonita e barata para as embalagens. Essa nova ideia promete conservar por mais tempo cacho de bananas, tomates e outras frutas e verduras. Quer uma notícia ainda melhor? A fórmula é totalmente natural e foi desenvolvida dentro de universidade pública, por um estudante.

Em 2016, quando tinha apenas 20 anos, Josemar Gonçalves de Oliveira Silva venceu o prêmio de melhor projeto da 4ª Semana de Produção Científica do Instituto Federal de Brasília. Na época, Zeca – como gosta de ser chamado – cursava Licenciatura em Biologia. A embalagem inovadora consiste em uma solução composta por fécula de mandioca, óleo de cravo-da-índia e água. Depois de mergulhados nessa solução, os alimentos podem permanecer conservados por até dez dias a mais do que é o normal. O custo de produção do litro é inferior a R$ 5 e o preparo é bastante simples.

A embalagem

“A solução pode ser considerada um novo tipo de embalagem, que interage com o alimento e controla determinadas características, como o desenvolvimento de micro-organismos, principalmente os fungos”, explica o biólogo. A “embalagem” também traz outros benefícios. Entre eles: retardar o processo de maturação, melhorar as características externas (como o brilho e a consistência da casca) e aumentar o tempo de vida de prateleira ou para transporte dos frutos.

Zeca levou um ano para desenvolver a fórmula. “Iniciamos os estudos para tentar ajudar o desperdício de alimentos. Li em uma pesquisa que 40% das bananas colhidas são perdidas por causa de doenças. Esse número é muito alto. Após testar a fórmula, observei que não houve desenvolvimento de doença nos frutos revestidos”, conta ele.

Escala industrial

Após verificar a patente é hora de pesquisar alternativas para produção em escala industrial. No entanto, por ser de preparação extremamente simples, a fórmula já pode ser usada por todos. A película é biodegradável, e sai quando você lavar o fruto para comer, o que no caso da banana não é necessário.

“Acredito que a inovação não precisa ser sempre baseada em descobertas complexas. Às vezes, uma coisa muito simples pode causar impacto e transformar a realidade das pessoas”, defende o biólogo, que diz estar “com a cabeça nas nuvens”, graças à repercussão do projeto. Nas nuvens, mas nem tanto: no momento é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Agroquímica do Instituto Federal Goiano. Além disso, Zeca é técnico em Agroindústria e em Agroecologia.

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