Arthur apareceu na porta do meu prédio pouco depois da morte do cavalo saltador de que eu cuidava. Sempre amei animais e a prática de hipismo de alguma forma amenizava meu coração pela falta de um amigo de quatro patas em casa. Pois, ao nos mudarmos para o apartamento, tive de me desfazer dos gatos que possuía.

Primeiramente, a moça que trabalha em nossa casa descia com restos de comida, mandados por minha mãe, e demorou alguns dias para que eu realmente o conhecesse. Um filhote pequeno e desnutrido, com certeza vítima de violência, pois nem sequer encostava no alimento se estivéssemos por perto.

Arthur se transformou – de um filhote raquítico e assustado em um belo e jovem gato brincalhão.

Logo escolheu o jardim externo do prédio como morada e, aceitando minha presença, foi perdendo o medo das pessoas. Apeguei-me a ele de imediato. Aproveitando a amizade com uma veterinária, levei o bichano para
vacinar e vermifugar e lhe dei uma coleira, que indicava que alguém zelava por aquela vida.

Arthur se transformou – de um filhote raquítico e assustado em um belo e jovem gato brincalhão, que logo conquistou a simpatia dos vizinhos. Era um prazer servir suas refeições e escutar o sininho da coleira balançando
alegremente quando vinha ao meu encontro, mesmo que fosse apenas para ficar no meu colo. Infelizmente, minha mãe não permitia que eu o levasse para casa, mas o amor que sentia por ele não era diferente do que se dedica a um animal criado sob o mesmo teto.

Todos na rua conheciam o gatinho da coleira azul que tomava sol preguiçosamente no jardim e espantava os cachorros que passeavam na calçada. Como estava bem cuidado e bonito, várias pessoas que antes ignoravam suas súplicas se interessaram por ele, mas foram prontamente rejeitadas.

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Arthur era meu amigo, meu companheiro. Após um dia de trabalho, enquanto eu me deitava perto da piscina e observava as estrelas, ele se espreguiçava contente em minha barriga. Já não conseguia imaginar meu dia a dia sem a sua presença. Todos os meus amigos que visitavam o prédio também gostavam dele.

Em um domingo, ao descer para oferecer seu café da manhã, chamei-o diversas vezes e estranhei sua ausência. Procurando-o entre as plantas, encontrei-o jogado na terra, imóvel. Ele me olhou e soltou um miado
dolorido, pedindo ajuda. Retirei o gato do meio das plantas e vi que não conseguia se mexer. Chamei a veterinária. Várias agulhadas e horas de repouso depois, Arthur voltou a se movimentar, mesmo com dificuldade.
Não queria comer e tive de oferecer leite de soja durante vários dias, até que seu apetite voltasse.

Os medicamentos que precisou tomar o deixavam sonolento e enjoado. Levou mais ou menos um mês para que se movimentasse sem dor e recuperasse o peso perdido. O que mais me machucava era a impossibilidade de levá-lo para casa, mesmo naquele estado. Até hoje ele tem uma sensibilidade visível no quadril e nas pernas traseiras, mas nunca descobrimos a causa daquele acidente.

Arthur nunca foi um gato agressivo e jamais danificou algo da área comum dos moradores.

A rotina continuou para mim e para Arthur, mesmo com a distância de alguns andares. Logicamente ele me deu mais alguns sustos, ao sumir durante horas, perseguindo um gato estranho que ousou invadir seu território, ou sendo quase atropelado ao insistir em se deitar no meio da rua para aproveitar o solzinho da tarde, ou subindo numa árvore próximo a uma cerca elétrica para pegar passarinhos.

De repente, notei que Arthur andava furtivo. Enfiava-se pelos matos de um terreno em frente e escondia-se em minhas pernas cada vez que uma certa pessoa se aproximava dele. Logo fui avisada pelos porteiros que essa
pessoa estava perseguindo o meu gato e tentava atirar pedras nele, forçando-o a fugir. Inconformada com a situação, confrontei a pessoa e ameacei chamar a polícia e denunciá-la por maus-tratos. Arthur nunca foi um gato agressivo e jamais danificou algo da área comum dos moradores.

Mesmo aqueles que não tinham animais eram cordiais conosco e aceitavam a presença dele no prédio, entendendo o quanto ele era importante para mim. Diante da minha disposição de levar o caso à polícia, minha mãe finalmente permitiu que eu levasse Arthur para casa. Meu pai e as duas senhoras que trabalham em minha casa ficaram muito felizes, pois sempre o quiseram aqui.

Desejo a cada um desses animais carentes todo o amor que meu gato recebe.

Até meu irmão gostou do novo morador. Depois da estranheza natural do primeiro dia, Arthur aceitou os novos hábitos e passou a ser um gato de apartamento. Nunca roubou comida, destruiu móveis ou fez necessidades fora da caixinha de areia, coisas que, até hoje, impressionam a todos. Ele é extremamente alegre, companheiro e carinhoso e trouxe um novo tipo de felicidade à nossa família.

Infelizmente, depois daquele episódio, Arthur deixou de ser um gato sociável com estranhos e fica muito estressado e se esconde ao menor sinal de visitas.

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Faço parte de um grupo de apoio ao bem-estar animal com algumas amigas. Resgatamos animais de rua, cuidamos deles, providenciamos a esterilização e os entregamos a novos lares. Arthur é minha inspiração para este trabalho. Desejo a cada um desses animais carentes todo o amor que meu gato recebe.

Arthur foi um nome escolhido por acaso. Mais tarde, ao pesquisar, descobri que é de origem galesa e significa “guerreiro”. Vejo que nada poderia ter sido mais apropriado. Meu pequeno guerreiro de coração nobre, o amigo
fiel e incondicional que o destino colocou em meu caminho. Uma mostra real da gratidão de um gatinho saído das ruas, para nossos corações.

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