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Publicado em: 23 de julho de 2019

Como derrubar 7 mitos sobre os relacionamentos

A chave para permanecer feliz no casamento pode não ser o que você pensa

Imagem: FreeImages.com/Leia Mendes Cook
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Não existe fórmula para um relacionamento feliz. Tampouco análises e dados bastam para desvendar esse “segredo”. Mas o psicólogo americano John Gottman dedicou mais de 40 anos ao estudo dessa questão. Ele queria descobrir a matemática que faz os relacionamentos darem certo. Em seu Laboratório do Amor, ele analisou a comunicação verbal e não verbal dos casais e os acompanhou durante anos.

Depois de mais de 200 artigos publicados, ele afirma que é capaz de prever o resultado de relacionamentos – com até 94% de exatidão. Apelidado de “Einstein do Amor” pela revista Psychology Today, Gottman, ao lado de Julie, sua mulher há 30 anos e colega pesquisadora, ensina a outros terapeutas conjugais os principais mal-entendidos do amor. Isto é, com base nas observações de seu laboratório, no campus de Seattle da Universidade de Washington, nos EUA.

Conheça a seguir os 7 principais mitos referentes a relacionamentos apontados por ele e prepare-se para derrubá-los.

Veja também 14 coisas para não dizer em relacionamentos.

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  • FreeImages.com/Marcelo Silva

    Mito 1

    O relacionamento tem de ser “justo”

    Em geral, casais que adotam a noção de toma lá dá cá – se eu coçar suas costas, você tem de coçar as minhas – estão se metendo numa grande encrenca, diz John. “Só nos tornamos contadores emocionais quando algo está errado no relacionamento.”

    Ele cita um estudo de 1977 do psicólogo e pesquisador Bernard Milstein como o primeiro a descobrir que esse tipo de pensamento era característico dos relacionamentos doentes, e não dos felizes, porque indicava um baixo nível de confiança. “Constatamos em nossa pesquisa que os melhores casamentos são aqueles em que cada um investe nos interesses do parceiro e não nos próprios”, observa Julie.

    Negociar a partir de uma posição de puro interesse próprio é disfuncional. Os casais mais felizes dão sem esperar nada em troca, porque confiam que o parceiro trabalhará tendo em mente seu bem.


  • FreeImages.com/Rachel James

    Mito 2

    O parceiro não lê mentes

    Não se engane: a comunicação aberta é uma ferramenta essencial para os relacionamentos felizes. Mas os Gottmans descobriram que os casais bem-sucedidos se mostram mais disponíveis e reagem às necessidades mais sutis de atenção, apoio, empatia ou interesse um do outro . Mesmo que seja apenas tirar os olhos da TV para responder aos comentários do cônjuge.

    Um dos estudos de John constatou que há uma relação entre os casamentos insatisfeitos e a deficiência do marido de interpretar as dicas não verbais da mulher.


  • FreeImages.com/Lotus Head

    Mito 3

    Brigas barulhentas levam ao divórcio

    Os relacionamentos “voláteis” foram marcados pelos Gottmans como um dos três tipos de relacionamentos “felizes-estáveis”. (Os outros dois, se você ficou curioso, são os “validadores” e os “evitadores de conflitos”.)

    Respeitar as necessidades básicas de cada um ajuda a evitar “conflitos”.

    Nos conflitos, o casal feliz-estável tem, em média, uma razão mínima de 5 para 1 entre positivo e negativo. Ou seja, tem cinco vezes mais sentimentos positivos do que negativos, mesmo nas brigas. John verificou que isso indica um relacionamento saudável.

    Por sua vez, os casais que se divorciam têm uma razão de 0,8 para 1, com bem menos emoções positivas a cada interação negativa. A diferença é que os casais felizes conseguem usar risos e diversão para evitar discussões. Na verdade, em circunstâncias neutras, sua razão positivo/negativo chega a 20 para 1.

    Conheça aqui a verdade sobre 8 tradições do casamento.

    John observa que cada estilo tem seus prós e contras. “Os evitadores de conflitos têm uma existência muito pacífica. Mas, por outro lado, podem acabar tendo vidas paralelas, muito distantes um do outro”, diz ele. “Já os casais apaixonados que discutem muito correm o risco de evoluir para a implicância constante.”

     


  • FreeImages.com/Marcelo Silva

    Mito 4

    Conversem sobre tudo até concordarem

    Sessenta e nove por cento dos problemas conjugais são administrados pelo diálogo, e não resolvidos de forma definitiva, segundo a pesquisa de John. “A lenda comum é que evitar conflitos é ruim, mas na verdade, para muita gente, o que dá certo é simplesmente concordar em discordar”, diz ele.

    A maioria das discordâncias vem de diferenças de personalidade entre os parceiros, e esse conflito não pode ser resolvido. O segredo é evitar o “conflito travado”, em que ninguém consegue avançar, com brigas recorrentes.

    No fundo dessas questões, os Gottmans descobriram que há diferenças básicas, intrínsecas ao sistema de crenças, histórico ou personalidade dos parceiros, desde valores muito importantes para cada um a sonhos ainda não realizados.

    Por exemplo, uma briga sobre finanças pode não ser só sobre dinheiro, mas também sobre o significado de dinheiro, poder, liberdade e segurança. A meta é perceber que o diálogo sobre pontos de vista contrastantes é muito mais importante do que resolver definitivamente discordâncias duradouras.

    Os Gottmans recomendam dar um jeito de respeitar as aspirações e as necessidades centrais de cada um em relação ao problema específico.


  • FreeImages.com/bruno sersocima

    Mito 5

    A diferença de gênero provoca brigas monumentais

    Os homens não são de Marte e as mulheres não são de Vênus. Somos todos aqui da Terra. No caso, “os homens têm tanta consciência de suas emoções quanto as mulheres”, diz Julie. “Por outro lado, algumas mulheres relutam em exprimir emoções negativas, o que equilibra a questão. Há mais semelhanças do que pensa a cultura em geral.”

    Um estudo de 1998 sobre cognição e emoção constatou que, quando pensam na vida a longo prazo, as mulheres se descrevem como mais emocionais do que os homens. Mas quando os participantes classificaram suas emoções momento a momento, as diferenças de gênero foram mínimas.


  • FreeImages.com/Marcos Paulo

    Mito 6

    Você repete os erros de seus pais

    O modo como lidamos com a bagagem da infância é mais importante do que a existência dessa bagagem. “Ninguém sai da infância sem pontos sensíveis e gatilhos malucos. Mas isso não significa que não se possa ter um ótimo relacionamento”, diz John.

    Tom Bradbury, psicólogo da Universidade da Califórnia, cunhou a expressão “vulnerabilidades duradouras” para descrever esses gatilhos históricos. Algumas ações e palavras podem desencavar antigos sentimentos e provocar reações. Veja se você e seu parceiro entendem o que provoca o outro e evitem cutucar esses pontos fracos.

    As circunstâncias do passado também podem provocar o que os psicólogos chamam de identificação projetiva. Um exemplo é pegar algo que o deixou ressentido na infância e aplicá-lo ao parceiro. Se seu pai era frio e distante, por exemplo, você pode supor que seu parceiro também seja frio e distante.

    Em vez de condenar a pessoa com quem você convive, explique como você se sente com as ações dela. E o que se pode fazer para que você se sinta melhora. Escute com compaixão e se lembre de que não existe percepção imaculada nem “objetivamente correta”.


  • FreeImages.com/bruno sersocima

    Mito 7

    Os opostos se atraem

    A ideia de que os pontos fortes de um dos parceiros compensam os pontos fracos do outro e vice-versa soa bem, mas os Gottmans dizem que sua pesquisa não confirma isso.

    A análise de John também indica que a semelhança entre as crenças básicas não é um previsor importante nem influencia a possível felicidade do casal. “A maior incompatibilidade que, segundo o que encontramos, realmente permite prever o divórcio é como as pessoas se sentem em relação à expressão de emoções”, diz ele.

    Por exemplo, se um quer falar de raiva e tristeza enquanto o outro acha que sentimentos negativos deveriam ser guardados para si, ambos podem começar a nutrir ressentimento um pelo outro.

    Ao começar a discussão, os Gottmans dão o seguinte lembrete: é mais fácil passar da discordância à compreensão mútua quando o relacionamento parece seguro e um dos parceiros exprime interesse visível pelo significado por trás do comportamento do outro.

    Por Charlotte Andersen

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