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Publicado em: 9 de setembro de 2021

Setembro Amarelo: conheça a campanha que salva vidas

Há seis anos a campanha luta pela redução dos índices de suicídio no Brasil

Imagem: Panuwat Dangsungnoen/iStock

Nunca se debateu tanto sobre saúde mental como nos últimos anos. Apesar de muitas pessoas banalizarem as questões emocionais e mentais, campanhas como Setembro Amarelo buscam conscientizar a população sobre a seriedade do assunto.

Desde 2014, o mês de setembro é o Mês da Prevenção ao Suicídio, uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina. Além de conscientizar sobre o tema, o principal objetivo da campanha é prevenir e reduzir o número de casos. Só no Brasil são registrados cerca de 12 mil suicídios por ano. No mundo inteiro, são mais de um milhão de casos anuais.

De acordo com a cartilha elaborada pela campanha, por dia, 32 pessoas tiram a própria vida no país e 17% dos brasileiros já cogitaram a possibilidade. Os homens e os jovens representam a maioria das vítimas.

Setembro Amarelo e distanciamento social
Pandemia e isolamento reacenderam debate sobre saúde mental. (Foto: fizkes/iStock)

Tema tabu no Brasil, o suicídio voltou ao centro das discussões devido aos efeitos do isolamento na saúde mental da população em meio à pandemia do novo coronavírus.

Segundo dados do Comunica Que Muda, blog da agência nova/sb, publicados pela Folha de S. Paulo, foram contabilizadas 103.923 menções ao tema nas redes sociais só em maio de 2020.

Setembro Amarelo: entender para prevenir

Para prevenir novos casos, é fundamental conhecer os fatores que podem levar ao suicídio e também reconhecer possíveis sinais de que uma pessoa possa estar em risco.

Segundo dados oficiais da campanha, a maioria desses casos está relacionada a transtornos psicológicos. Em primeiro lugar, aparece a depressão, que hoje atinge mais de 12 milhões de brasileiros, seguida de transtorno bipolar, abusos de substâncias e esquizofrenia.

A fim de evitar o estigma, também é necessário compreender que nem toda pessoa com um dos transtornos psicológicos citados irá, necessariamente, atentar contra a própria vida. Os dados apontam apenas que, nos casos notificados, foi identificada relação com distúrbios mentais.

Por esse motivo, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é imprescindível em casos de problemas de saúde mental para o tratamento adequado, caso a caso.

No entanto, os transtornos psicológicos não são as únicas causas possíveis. Há uma complexa interação entre fatores psicológicos, biológicos, genéticos, culturais e até socioambientais que podem servir de gatilho emocional.

Segundo a cartilha da campanha Setembro Amarelo, estes são os demais sinais de alerta:

  • Histórico pessoal: a tentativa prévia é considerada o principal fator de risco.
  • Ideação suicida: comentários que demonstrem sensação de desespero, desamparo ou falta de esperança.
  • Estressores recentes: separação, falência, perda de emprego, perda de ente querido, migração, entre outros.
  • Eventos adversos na infância ou na adolescência: ter sofrido abuso físico ou psicológico e falta de apoio social também são considerados fatores de riscos.
  • Presença de outras doenças: doenças crônicas são fatores de risco, especialmente neoplasias em fase terminal.

Além disso, é importante ficar atento a sinais que sugiram despedidas, como cartas, bilhetes, ligações ou mensagens em redes sociais.

Comportamentos impulsivos provocados por eventos negativos e comentários que indiquem profunda infelicidade e descontentamento com a vida também devem ser observados.

Saiba onde encontrar ajuda

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Devido ao novo coronavírus, psicólogos oferecem atendimento on-line. (Imagem: fizkes/iStock)

Como sugere o lema da campanha, é preciso agir. Suicídios podem ser evitados e a ação é essencial para a prevenção de novos casos. Reconhecer a existência do problema é o primeiro passo, mas procurar ajuda especializada é o que salva vidas.

Um importante canal nesta luta é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito na prevenção do suicídio, por telefone, e-mail ou chat, 24 horas por dia. Para contato por telefone, ligue 188.

Outra opção são as redes de psicólogos que oferecem atendimento gratuito — presencial e on-line — em diversas regiões do país. Em São Paulo, há o Instituto Gerar que lidera o projeto Varandas Terapêuticas e o Coletivo Psicanálise na Rua - São Carlos.

Em diversas cidades, há a rede CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que são unidades para o acolhimento de pessoas com problemas de saúde mental. Há unidades espalhadas por diversos estados e você pode encontrar a lista completa com telefones e endereços no site da prefeitura da sua cidade.

Para quem pode pagar, há plataformas, como o Zenklub e Vittude, que oferecem terapia on-line por diferentes preços. Há ainda psicólogos autônomos que migraram para a Internet devido à pandemia.

Por fim, o site oficial da campanha Setembro Amarelo oferece materiais gratuitos para download, como uma cartilha com informações mais detalhadas sobre causas, fatores de ricos e métodos de prevenção.

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