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Publicado em: 16 de outubro de 2019

Artrite reumatoide: causas, sintomas e tratamentos

Estima-se que a artrite reumatóide afeta cerca de 1% da população brasileira. A doença normalmente se manifesta dos 30 aos 50 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

Imagem: Suze777/iStock

A artrite reumatoide é uma doença auto-imune dolorosa que ocorre quando o sistema imunológico cria anticorpos contra as células da sinóvia, uma fina membrana que envolve as articulações. Ao contrário da osteoartrite, essa doença às vezes afeta até mesmo os tecidos adjacentes às articulações, causando problemas para outros sistemas do corpo.

O que acontece?

A membrana sinovial inflama, os tecidos incham e produzem mais líquido do que o usual para lubrificar os movimentos dos ossos. Assim, isso irrita os nervos próximos e distende a cápsula ao redor da articulação. A cartilagem que recobre as extremidades dos ossos e os próprios ossos podem ser danificados.

A artrite reumatoide (AR) também pode causar inflamação no coração, nos pulmões, nos vasos sanguíneos e nos olhos. A anemia – redução de hemoglobina que afeta o transporte de oxigênio no sangue – é uma característica comum.

Quando a artrite reumatoide começa?

A artrite reumatoide tende a começar dos 30 aos 50 anos. Porém, pode ocorrer mais tarde ou, às vezes, no início da infância. Na maior parte dos casos, diversas articulações são acometidas e é comum serem as do mesmo tipo em ambos os lados do corpo. As da mão são geralmente as primeiras a sofrer com a doença. Às vezes, a inflamação acomete apenas uma delas, frequentemente o joelho ou o ombro.

A AR pode-se desenvolver de diversas formas. Alguns indivíduos apresentam a doença por menos de 12 meses, ao fim dos quais as articulações voltam ao normal; em alguns casos, a doença regride após alguns anos, deixando apenas danos leves; em outros, os danos evoluem de forma rápida e passam a graves após alguns anos.

Na maioria dos casos, a doença persiste e pode se tornar crônica, com um padrão definido por períodos de recidiva, com aparecimento dos sintomas por semanas ou meses, intercalados por períodos de remissão. Mas o que dispara a recidiva nem sempre fica claro; pode ser tanto outra doença como um abalo emocional. Algumas pessoas acreditam que a AR seja característica de climas frios, porém a doença ocorre em todas as partes do mundo. A mudança para um clima diferente pode ter influência sobre os sintomas.

Quais as causas?

As causas da artrite reumatoide não são totalmente compreendidas, mas diversos fatores podem ser responsáveis por seu desenvolvimento. Não há evidências de que a doença seja deflagrada por uma infecção.

Hormônios femininos

As mulheres em idade fértil são três vezes mais propensas a ter AR do que os homens; após a menopausa, o índice de homens e de mulheres é semelhante. Esse fato sugere que os hormônios femininos, como o estrogênio e a progesterona, cujos níveis diminuem na menopausa, podem ter função ativa no desenvolvimento da doença.

Fatores genéticos

A artrite reumatoide, algumas vezes, acomete vários integrantes de uma mesma família, e o fator genético existe em 60% dos casos.

Antígenos dos leucócitos humanos

(HLA) Estas proteínas são encontradas na superfície da maioria das células do corpo. O sistema imunológico usa essas células para distinguir as células normais das invasoras, como as cancerosas ou bactérias, as quais precisa atacar. Há diferentes tipos de HLA no corpo; cada pessoa herda um conjunto de seus pais.

Alguns HLA estão ligados a certas doenças auto-imunes – a existência desses tipos indica risco aumentado para AR. No entanto, como os HLA nem sempre estão presentes e também podem ocorrer em pessoas que não têm artrite, o achado de um determinado HLA não pode ser usado como critério para o diagnóstico da doença.

Quais são os sintomas?

Na maioria das pessoas, a doença se desenvolve ao longo de semanas ou meses. Em certos casos, a inflamação evolui em alguns dias. Os sintomas incluem:

  • Dor e rigidez nas articulações acometidas
  • Aumento da temperatura na região
  • Inchaço nas articulações causado pelo acúmulo do líquido sinovial
  • Afinamento e enfraquecimento dos músculos em torno da articulação afetada
  • Nódulos indolores em regiões que sofrem pressão, como os cotovelos
  • Desânimo geral
  • Por fim, deformação da articulação

A dor é mais intensa pela manhã. A rigidez articular também é mais intensa pela manhã e, em geral, persiste por mais de uma hora, embora possa melhorar com a movimentação. A artrite reumatóide sempre se apresenta de forma simétrica, portanto as duas mãos e os dois joelhos serão acometidos ao mesmo tempo.

Caso você desconfie de que tenha artrite reumatóide, marque uma consulta com seu médico – é importante começar o tratamento o mais breve possível.

Como é feito o diagnóstico?

A artrite reumatoide usualmente é diagnosticada em função da descrição dos sintomas e do exame das articulações envolvidas; embora sejam necessários alguns exames para fundamentar os achados clínicos.

Aproximadamente 80% das pessoas com artrite reumatoide também são anêmicas. Portanto, um exame de sangue pode comprovar os baixos níveis de hemácias. O exame de sangue também pode apontar outros indicadores, como os sinais de inflamação e o fator reumatoide (FR) – anticorpo frequentemente existente em portadores de AR. Infelizmente, não se pode usar o fator reumatóide de forma isolada para o diagnóstico: apesar de o anticorpo ocorrer em 60% a 80% dos pacientes, também ocorre em cerca de 10% da população sem a doença.

A radiografia pode revelar alterações sugestivas de artrite reumatoide, como estreitamento dos espaços entre as articulações ou erosão da cartilagem óssea. Entretanto não revela qualquer anormalidade nos primeiros três a seis meses da doença.

O médico pode introduzir uma agulha na articulação afetada e retirar uma amostra do líquido sinovial, que deve ser analisado ao microscópio em busca de sinais de inflamação. Além disso, ele também pode retirar uma pequena amostra de tecido de um dos nódulos reumatoides. Procedimento esse chamado de biópsia.

Um especialista pode pesquisar a AR na ressonância magnética (RM) ou ultrasonografia, embora tais exames ainda sejam um pouco limitados para esse fim. Talvez esses exames se tornem mais proveitosos à medida que sua capacidade para captar alterações seja aprimorada.

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