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Saúde

Dando fim aos analgésicos para dor lombar crônica

George teve sua qualidade de vida drasticamente prejudicada após sofrer uma queda..

Escrito por:

Julia Monsores

Redator
dor lombar
Filip_Krstic/Istock
Publicado em: Última atualização:

Paciente: George, de 28 anos, arquiteto paisagista e jogador de polo aquático

Sintomas: Dor lombar crônica

Médico: Dr. Adnan Al-Kaisy, diretor técnico e especialista em medicina da dor e neuromodulação do Guy’s and St. Thomas’ NHS Foundation Trust, em Londres, na Inglaterra


 

Em Janeiro de 2007, quando trabalhava em Londres, George caiu de uma escada e fraturou a coluna. Depois de oito semanas de colete ortopédico, a fratura praticamente sarou. Porém, a dor penetrante na coluna continuou intensa e incessante. Ele não conseguia trabalhar, jogar polo aquático nem pegar o filho bebê no colo.

Seu médico o encaminhou a uma clínica da dor onde, nos anos seguintes, lhe receitaram vários analgésicos. Alguns davam alívio temporário, mas tinham efeitos colaterais. Como sonolência, insônia, dor forte no peito, urticária, e até sintomas graves de abstinência se ele não tomasse uma única dose.

“Cerca de 20% das pessoas com dor lombar aguda desenvolvem dor lombar crônica, com sintomas que persistem apesar do tratamento.”

Quatro anos depois do acidente, George ainda não encontrara um tratamento que funcionasse de forma constante. Cerca de 20% das pessoas com dor lombar aguda desenvolvem dor lombar crônica. E os sintomas persistem, apesar do tratamento. Os médicos de George estavam sem opção. Nessa época, ele já engordara quase quatorze quilos e estava profundamente deprimido.

Por fim, em agosto de 2011, George foi encaminhado a um programa multidisciplinar de manejo da dor no Guy’s and St. Thomas’ Hospital. Além do regime medicamentoso diário, que agora incluía dois comprimidos por dia de morfina de liberação prolongada, ele recebeu acupuntura e fisioterapia. Também conheceu o Dr. Adnan Al-Kaisy, da equipe de dor do hospital.

Estimulação medular: procedimento mudou a vida de George

Al-Kaisy diz que um em cada oito pacientes com dor nas costas prolongada tem dor neuropática como a de George, intensa e de difícil controle. “Há poucas opções de tratamento disponíveis”, esclarece o médico. No entanto, ele achou que George seria um bom candidato para a estimulação medular, procedimento que envolve a implantação de um aparelho de alta frequência nas costas para dar breves impulsos elétricos na medula.

“Esses campos elétricos mascaram áreas de dor porque interferem com as mensagens que o corpo envia aos receptores do cérebro”, explica Al-Kaisy, que compara o efeito da dor crônica nesses receptores a um alarme de incêndio que dispara quando não há fogo.

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“Os estudos mostram que a estimulação medular trata com muita eficácia a dor neuropática refratária.” O procedimento só está disponível em centros especializados em dor, e George foi inscrito num estudo-piloto do hospital, junto com mais vinte pacientes com dor lombar neuropática.

“O aparelho consegue reduzir a dor em 72% doze meses depois de inserido”

Em junho de 2012, o aparelho – formado por dois cabos que parecem fios muito finos – foi inserido perto do meio da medula espinhal de George. Um pequeno gerador com bateria recarregável também foi implantado sob a pele do abdome, ligado aos cabos por um fio de extensão. (O gerador dura dez anos, quando precisa ser trocado.)

Quando acordou da cirurgia, George recebeu um controle portátil que liga e desliga o gerador e controla os pulsos. Em média, o aparelho consegue reduzir a dor em 72% doze meses depois de inserido. Não dá certo com todo mundo, mas, felizmente, foi eficaz para George. No dia seguinte à cirurgia, ele estava andando. E dali a doze semanas conseguiu retornar à atividade diária normal. O melhor foi não precisar mais de analgésicos. Ele disse ao médico que o procedimento transformou sua vida.

“O paciente está muito otimista e confiante no futuro”, diz Al-Kaisy, que examina George uma vez por ano. “Se não tivesse acesso a esse tratamento, ele ainda estaria tomando analgésicos, que eram menos eficazes e afetavam mental e fisicamente sua qualidade de vida.”

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Agora, cinco anos depois do procedimento, George conseguiu voltar a trabalhar. Ele ficou inativo todo esse tempo, incapaz de aguentar as exigências físicas da profissão. Agora, ele pode até voltar a jogar polo aquático.

SYDNEY LONEY