Em um mundo preocupado com a epidemia da obesidade, muitas pessoas sofrem também com a perda excessiva de peso: a bulimia e anorexia nervosa. São distúrbios caracterizados por uma visão distorcida do próprio corpo.

Diante desse quadro, quem sofre com essas doenças busca formas de perder peso mesmo estando em seu peso ideal ou até mesmo abaixo da taxa indicada. Assim, ela se torna excessivamente magra, mas permanece acreditando estar obesa. Para evitar o ganho de peso ou continuar emagrecendo, as pessoas afetadas pela anorexia costumam tomar medidas drásticas, muitas vezes colocando a própria saúde em risco.

A anorexia nervosa deve ser tratada com acompanhamento nutricional e psiquiátrico (Foto: KatarzynaBialasiewicz/iStock)

A anorexia nervosa deve ser tratada o quanto antes com acompanhamento nutricional e psiquiátrico (Foto: KatarzynaBialasiewicz/iStock)

Principais diferenças entre bulimia e anorexia

Apesar de geralmente relacionadas, a bulimia e anorexia possuem algumas diferenças, ligadas principalmente aos sintomas. Os dois transtornos estão, no entanto, ligados ao ganho de peso do corpo.

Quem tem bulimia, por exemplo, nem sempre apresenta perda de peso. Entretanto, bulímicos tendem à compulsão alimentar, que vem seguida da culpa. Assim, muitas pessoas recorrem ao uso de remédios como laxantes ou outras soluções para compensar o que ingeriram em excesso.

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Já a anorexia está ligada à perda excessiva, muitas vezes agressiva em pouquíssimo tempo, o que pode causar problemas ainda mais graves. A desnutrição é a principal causa da morte de pessoas anoréxicas, já que tendem a reduzir significativamente a comida ingerida ou, em muitos casos, param de comer.

A bulimia é geralmente diagnosticada em pessoas entre 16 e 25 anos. A anorexia, entretanto, afeta geralmente adolescentes de 12 a 18 anos movidas pelo impulso de alcançar o “corpo ideal”.

Mortes por distúrbios superam as de câncer de mama no mundo

A  são distúrbios que levam a uma elevadíssima taxa de mortalidade: 20% da população mundial sofre com as doenças. O índice supera até mesmo as mortes por câncer de mama.

Estima-se que no Brasil bulimia e anorexia afetem 100.000 adolescentes, dos quais 90% são do sexo feminino.

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Dentre as doenças psiquiátricas é considerada a maior causadora de mortes, considerada assim um problema crescente no Brasil e no mundo. Especialistas acreditam que entre 1% e 10% da população mundial sofra com o distúrbio. Ainda de acordo com eles, a prevalência dos chamados transtornos alimentares no sexo masculino ainda não está bem estabelecida e, segundo alguns autores da área, é subestimada, pois os homens continuam sendo excluídos de muitos estudos pelo baixo número de casos.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas da bulimia e anorexia estão relacionados à busca incessante pelo baixo peso e à desnutrição causada por ela, sintomas que nem sempre são fáceis de serem detectados.

Muitas pessoas afetadas pelo problema conseguem passar muitos meses – ou até mesmo anos – sem que ninguém  ao redor, família, colegas de trabalho e amigos, perceba o que está acontecendo. Por isso é importante reconhecer os principais sinais associados à doença e ficar atento às pessoas suspeitas ou em risco de desenvolver o problema.

Os principais sinais incluem:

  • Aparência excessivamente magra, algumas vezes esquelética;
  • Anemia;
  • Cansaço frequente;
  • Vertigens;
  • Unhas opacas;
  • Cabelos fracos, finos, quebradiços;
  • Falta de menstruação;
  • Constipação intestinal;
  • Ressecamento da pele;
  • Baixa tolerância ao frio;
  • Batimentos cardíacos fora do ritmo;
  • Pressão arterial muito baixa;
  • Desidratação;
  • Osteoporose.

Algumas alterações emocionais e do comportamento que também costumam estar relacionadas à anorexia nervosa:

  • A pessoa se recusa a comer, nega que está com fome;
  • Passa a usar roupas folgadas (para disfarçar a própria magreza);
  • Se examina no espelho e se pesa repetidas vezes, sempre demonstrando preocupação excessiva com o peso;
  • Algumas podem fazer exercícios em excesso;
  • Humor desanimado, não reage à alegria ou à tristeza;
  • Dificuldade de concentração;
  • Preocupação constante com a comida, adotando rituais estranhos nas refeições (ex.: corta a comida sempre em pedaços muito pequenos, cospe parte do que colocou na boca após mastigar, faz questão de pesar item por item do que colocou no prato etc).

O que causa a anorexia nervosa?

A anorexia costuma se iniciar ainda na adolescência, mas também pode afetar crianças, pessoas na meia-idade ou além. Um estudo apresentado no 9º Congresso Nacional de Organizações de Idosos da Espanha diz que o índice de mulheres europeias com mais de 60 anos com anorexia passou de 1,8% a 5% nos últimos 10 anos.

Ainda não se sabe exatamente o que leva algumas pessoas a desenvolver anorexia, mas assim como ocorre com outras doenças, é provável que exista uma combinação de vários fatores (psicológicos, biológicos e sócio-culturais).

Um exemplo: mulheres jovens com uma irmã ou mãe sofrendo distúrbios alimentares possuem um maior risco, sugerindo um possível fator genético para o problema. Pessoas com anorexia também possuem certas características emocionais e psicológicas que contribuem para o desenvolvimento da doença como baixa autoestima ou distúrbios da ansiedade.

Quais os fatores de risco para a doença?

Certas situações estão associadas a um risco maior para o desenvolvimento de anorexia. As principais incluem:

Dieta: pessoas que estão perdendo peso são elogiadas pelos amigos sobre como estão ficando mais bonitas com o emagrecimento. Em extremos, isto pode levar a pessoa a perder peso em excesso.

Ganho de peso: ao ganhar peso, a pessoa pode ser criticada ou ridicularizada. Como resposta, ela acaba desencadeando um processo de anorexia.

Puberdade: os adolescentes enfrentam muitas dificuldades adaptando-se a todas as mudanças que ocorrem neste período. A sensibilidade à flor da pele, as críticas e cobranças e outros fatores de cunho emocional podem levar o adolescente à anorexia.

Mudanças: para uma nova escola, casa ou emprego, o término de uma relação amorosa, a morte ou a doença de um ente querido e outras situações podem causar estresse emocional e resultar na anorexia.

Mídia: a televisão e as revistas de moda freqüentemente supervalorizam a magreza como uma forma de padrão estético. Infelizmente, é difícil determinar até que ponto a mídia reflete ou cria valores presentes na sociedade. Em todo caso, a exposição a estas imagens pode levar meninas e jovens mulheres a acreditar que, quanto mais magras, mais sucesso e popularidade terão.

É possível vencer a anorexia nervosa com ajuda e tratamentos adequados (Foto: LightFieldStudios/iStock)

É possível vencer a anorexia nervosa com ajuda e tratamentos adequados (Foto: LightFieldStudios/iStock)

Quando procurar ajuda do médico?

É importante ter em mente que a anorexia nervosa pode ser fatal. De acordo com dados do Ministério da Saúde o índice de mortalidade atinge entre 15% e 20% dos casos. A desnutrição progressiva coloca o indivíduo afetado à mercê de uma infinidade de doenças.

Toda e qualquer pessoa com suspeita de anorexia deve ser levada para avaliação médica o quanto antes. A doença também causa danos severos à saúde mental, por isso não é apenas o corpo que deve ser atendido imediatamente: o paciente deve ser analisado também quanto ao seu bem estar emocional e mental.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da avaliação do risco de morte. Pessoas muito desnutridas devem ser levadas a um pronto-socorro para internação, hidratação endovenosa e outras medidas de suporte de urgência.

Nos casos sem risco imediato, o tratamento é feito com a ajuda de médicos, psicólogos e nutricionistas especializados no tratamento de distúrbios da alimentação.

Existem também clinicas que oferecem atendimento especializado para pacientes sofrendo de distúrbios alimentares.

Não existe uma medicação única para tratamento da anorexia nervosa. Porém, alguns médicos podem prescrever o uso de antidepressivos e outras medicações psiquiátricas que ajudem a aliviar a depressão e a ansiedade.

Um dos maiores desafios ao tratar a anorexia é o fato da pessoa não aceitar o tratamento ou não enxergar sua necessidade. Até mesmo para aqueles que desejam o tratamento, a anorexia é uma batalha difícil e pode durar toda a vida. Os sintomas podem desaparecer, mas a pessoa afetada permanecerá vulnerável. Assim, poderá sofrer recorrências da doença nos períodos de maior estresse.