Com a Reforma da Previdência, já em pauta no Governo, que na prática vai adiar a aposentadoria aumentando a idade mínima para ter direito ao benefício, reservas e poupanças para emergências e para o futuro se tornam cada vez mais necessárias. É preciso começar a guardar dinheiro desde já.

Por que ter uma reserva de emergência? Quando começar e quando parar de formar essa reserva? Quanto juntar? Como fazer? Onde devo investir? Qual o momento para usar o que guardei? Em que não devo gastar?

Ufa! Quantas perguntas! Essas são as dúvidas mais frequentes da maioria das pessoas quando começam a poupar dinheiro. Para responder a todas elas criamos este Manual Prático, dividido em 02 partes:

  • Nesta primeira parte, explicamos sobre a importância e a urgência de fazer esta reserva.
  • Na segunda etapa do nosso Manual, você vai descobrir como formar a sua reserva e onde investir.

Parte 1: Não espere para poupar. Poupe o que puder imediatamente e tenha dinheiro sobrando para imprevistos!

Porque ter uma reserva para emergências?

A resposta parece bastante óbvia. É importante ter uma reserva de dinheiro para usar com despesas imprevisíveis e inevitáveis. Pode ser um problema de saúde que resulte em internação ou gastos com remédios. O conserto da geladeira que pifou durante a madrugada. O conserto do carro que não tem um seguro ou que você precisa pagar a franquia. Ter uma grana garantida para se sustentar por um tempo, se perder o emprego. Várias hipóteses de imprevistos que podem acontecer.

Mas na verdade, o verdadeiro motivo vai além disso. Se tiver uma grana reservada para imprevistos como esses, você não vai precisar se endividar para arcar com esses gastos. Vai evitar pagar mais caro por esses mesmos imprevistos. Não vai pagar juros, taxas e encargos cobrados pelo cheque especial, crédito rotativo do cartão ou de um empréstimo.

Além disso, essa reserva de dinheiro é um primeiro passo para o seu conforto no futuro. Comece com esta etapa e depois, quando conseguir acumular um valor maior de recursos, poderá diversificar seus investimentos e destinar uma parte dessa reserva para garantir uma renda melhor no futuro.

Quando começar e quando devo parar de formar essa reserva?

Imprevistos podem acontecer a qualquer momento. Por isso comece a fazer a sua reserva imediatamente. Só pare de juntar dinheiro quando o valor guardado for suficiente para cobrir gastos que você imagine que podem acontecer inesperadamente.

Defina um objetivo para a reserva. O que você espera que ela cubra? Por exemplo: some a franquia do seguro do carro, o preço de uma geladeira nova e 03 diárias de internação. Considere o custo em um hospital onde você se internaria. O resultado desta conta é quanto você deve poupar no total e deixar guardado. Porém, disponível para saque a qualquer momento.

Se o objetivo for manter o sustento durante um período de desemprego, guarde no mínimo 06 vezes o valor de todas as suas despesas mensais. Ninguém espera ficar mais do que 06 meses desempregado, por isso sugerimos essa proporção como mínimo. Para quem atua em áreas mais estáveis, o ideal é guardar 12 vezes a soma de todas as despesas. Quem atua em atividades mais instáveis, como autônomos e comerciantes, o ideal é guardar 20 vezes esse total.

Quanto mais cedo você começar, mais rápido e mais facilmente terá um dinheiro extra. Ensine também os seus filhos a pouparem com este objetivo. 

Quanto juntar?

Comece com um valor que seja razoável e caiba no seu orçamento. Poupe o que puder, mesmo que seja pouco.

Não espere sobrar do salário, porque dificilmente sobra. Estabeleça um valor mensal e se pague em primeiro lugar. Considere como se fosse uma despesa como a conta de luz. Mesmo que para isso seja necessário reduzir a frequência do cinema ou dos jantares em restaurantes, até formar a reserva. Veja dicas de como economizar em Comece o ano construindo sua fortuna.

Podem ser valores baixos no início. Aumente conforme sua renda aumentar. Não adianta transferir uma grana da conta corrente para um investimento e entrar no cheque especial. Nem pagar o mínimo do cartão de crédito para sobrar uma grana para investir. Os juros dos empréstimos dificilmente compensam os rendimentos dos investimentos.

Parte 2: Poupe dinheiro para ficar seguro, confortável e tranquilo.

Como fazer?

  • Procure investimentos com alta liquidez (resgate imediato ou em até 01 dia), de baixo risco e curto prazo (sem carência);
  • Se o orçamento é apertado, busque investimentos com valor mínimo inicial baixo, mesmo que tenham uma rentabilidade menor. Se for aplicar uma renda extra, procure opções com rentabilidades melhores;
  • Considere as taxas de administração. Elas podem acabar com a rentabilidade do investimento.

Conforme as pessoas se informam, as corretoras aumentam a concorrência e a disputa por potenciais investidores (interessados em investir). Com isso, recentemente, muitas taxas de administração de fundos de investimentos foram reduzidas. Algumas corretoras até zeraram as taxas para investimento no Tesouro Direto. Até mesmo a Bolsa de Valores (B3) reduziu de 0,30% para 0,25% a sua taxa de custódia no Tesouro Direto.

Onde devo investir?

Já comentamos aqui no site: investimentos em Renda Fixa são classificados em risco baixo. Ou seja, são pequenas as chances de perder dinheiro. Eles são indicados aos investidores de perfil conservador. Por isso são uma ótima opção para quem está começando a investir e se familiarizar com o mundo dos investimentos.

A orientação é buscar investimentos de alta liquidez, baixo risco e preferencialmente curto prazo de vigência. É ao final da vigência que é garantida a rentabilidade máxima, com menor taxa de Imposto de Renda, quando incidente.

Algumas opções de investimento com alta liquidez e baixo risco são:

Títulos Públicos do Tesouro Direto.

  • Para a reserva de emergência prefira títulos de vigência mais curta. Invista a partir de R$ 30,00;
  • Procure corretoras de valores que não cobrem taxas de administração;
  • Peça a corretora pata habilitar você para operar por homebroker. Assim, você mesmo pode aplicar e resgatar seu dinheiro sem a necessidade de contatar um funcionário da corretora. Se a corretora for do conglomerado do seu banco, verifique se você pode ter acesso através da própria conta corrente;
  • Mesmo com a taxa básica de juros SELIC baixa (6,5% a.a.) os Títulos Públicos ainda são uma boa opção. Justamente por conta de sua liquidez e baixo risco;

Fundos de Investimentos em Renda Fixa

  • Com este objetivo, de formar a reserva de emergência, procure fundos com valor inicial de aplicação mais baixo. Há opções a partir de R$ 100,00 de investimento de inicial;
  • Que na sua composição invistam principalmente em Títulos Públicos (a partir de 90%) e outros papéis de baixo risco;
  • Que tenham taxa de administração inferior a 2% (já é considerada altíssima);

 Poupança

  • Em alguns casos ela é a única opção por aceitar aplicações a partir de R$1,00. Então vá em frente a não desista dela. Se você só tem, por exemplo, R$15,00 para investir, é por ela que você deve começar.
  • A partir do segundo mês de aplicação de R$15,00, já poderá transferir seus recursos (R$30,05) para o Tesouro Direto. A partir do sétimo mês, poderá transferir seus recursos (R$105,32) para um fundo de investimento em renda fixa;
  • Por conta dessa baixa rentabilidade, a Poupança tem sido abandonada. Atualmente garante rendimento médio de 0,30% a 0,42% ao mês. Mas não incidem Imposto de Renda e nem IOF.

Créditos Privados de Baixo Risco

  • LCIs – Letras de Crédito Imobiliário e CDBs – Certificados de Depósitos Bancários;
  • Busque aqueles com rentabilidade mínima a partir de 80% do CDI, para valer a pena. Em corretoras independentes (não ligadas a bancos) há opções de Letras com rentabilidade de mais de 100% do CDI;
  • Considere os prazos de resgates desses investimentos. Eles podem chegar a 03 anos. Procure opções com prazos menores se estiver começando a formar a sua reserva de emergência.

Em termos percentuais, cada 0,1% ao mês de rendimento perdido, representa 1,2% perdido ao ano. Assim, se um fundo de Renda Fixa render apenas +0,1% a.m. a mais do que a Poupança, será mais vantajoso. Claro, considerando o Imposto de Renda e a taxa de administração do fundo, que não incidem na Poupança. Apesar da Poupança vir sendo desaconselhada, tendo em conta sua praticidade e acesso universal, a consideramos como opção.

POR SAMASSE LEAL

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