A maioria dos brasileiros já presenciou algum tipo de maus-tratos a animais, mas poucos admitem ter denunciado, mostra pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência e Carrefour Brasil. A divulgação dos dados coincide com o primeiro aniversário de morte da cadela Manchinha, lembrado no próximo dia 28.

De acordo com o levantamento, 92% dos brasileiros admitem já ter presenciado maus-tratos, como animais passando fome, sede ou sendo agredidos. No entanto, apenas 31% afirmam ter doado alimentos e 17% dizem ter feito alguma denúncia.

Das 2.000 pessoas ouvidas online no país, 67% afirmam ter presenciado animais abandonados pelas ruas e 32% realizaram resgate. Sobre a forma como os animais ganham uma família, 30% disseram ter adotado seus pets em eventos, embora 44% afirmaram que adotar seria a melhor forma de ter seu primeiro pet.

Ganhar (40%) e resgatar ou adotar (56%) são as principais formas de adquirir um animal de estimação. Quem opta por comprar um pet diz esperar poder escolher porte e procedência.

Abandono animal

Ainda segundo a pesquisa, 82% da população afirma ser engajada na causa animal. Mas 74% dos entrevistados dizem que entregariam seu animal para adoção se realmente não tivessem condições de continuar com ele; 31% admitem que não ficariam com o pet se a casa fosse pequena; 27% deixariam o animal se precisassem viajar; e 19% apontaram gastos veterinários como motivos.

Para o levantamento, foram ouvidas pessoas com mais de 16 anos, de 21 a 26 de outubro. A maioria (83%) tem animal de estimação: cães foram citados por 68% e gatos, 33%.

Lúcio Silva, diretor de sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil, afirma que antes do caso Manchinha não havia um diagnóstico da situação animal no país. Por isso, essa pesquisa é importante para entender o comportamento da população.

Para ele, o fato de poucas pessoas denunciarem maus-tratos pode indicar que faltam informações sobre os canais disponíveis para essa comunicação. Você não sabe como denunciar? Veja aqui.

Manchinha

Na segunda (4), a rede de supermercados apresentou um balanço de suas ações neste primeiro ano da morte da vira-lata. O grupo lista a parceria com a Ampara para mutirões de castração e treinamento de funcionários para lidar com os animais que aparecem nas lojas. Também cita doação de ração, eventos de adoção e o engajamento no abril laranja, contra maus-tratos a animais.

“Nós fomos pegos de surpresa. Essa situação poderia acontecer em qualquer lugar, com qualquer varejista no Brasil. Aconteceu com a gente, e nós aprendemos muito”, disse Stéphane Engelhard, vice-presidente de relações institucionais do Carrefour.

Relembre o caso

Manchinha vivia na unidade do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo, e era alimentada por funcionários. A vira-lata morreu em 28 de novembro, após ser agredida por um funcionário terceirizado.

Ele disse ter sido orientado a retirar a cadela da loja e afirmou que não tinha a intenção de machucá-la. A prefeitura também foi criticada na ocasião, pela forma como agentes do Centro de Zoonoses capturaram Manchinha, que já estava ferida e muito assustada.

O funcionário foi afastado logo após o caso. A empresa terceirizada teve contrato rescindido. O inquérito da Polícia Civil foi concluído e encaminhado para a Justiça em dezembro do ano passado, apontando o segurança como responsável pelos maus-tratos. A medida punitiva ainda não foi aplicada.

O caso reacendeu a polêmica em torno da punição para maus-tratos contra animais. O crime é considerado de menor potencial ofensivo, ou seja, tem pena prevista inferior a dois anos, normalmente convertida em prestação de serviço.

Por LÍVIA MARRA / FOLHAPRESS

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