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Publicado em: 22 de agosto de 2021

Cientistas investigam relação entre glicemia e tipos de câncer

Pesquisadores apontam que a glicemia alta pode causar muito mais do que diabetes e problemas cardiovasculares

Imagem: simpson33/iStock

Se você não é diabético, é bem provável que nunca tenha prestado atenção na sua taxa de açúcar no sangue (glicemia). Contudo, recentemente, médicos e pesquisadores descobriram que se seu nível de açúcar no sangue costuma subir muito e cair bruscamente, com o passar do tempo, o corpo pode sofrer grandes danos. As consequências, como falta de energia e ganho de peso, podem ser incômodas – e até mesmo fatais –, mas há um outro problema no radar dos pesquisadores: a relação entre glicemia e câncer.

A importância da glicemia

Na maioria das pessoas, mesmo quando a glicose no sangue sobe vertiginosamente após uma refeição, o corpo é capaz de trazê-la de volta ao normal em poucas horas. Apenas quem tem diabetes não tratado apresenta níveis de glicose que se mantêm quase sempre altos. Assim, por muito tempo, os médicos pensavam que só essas pessoas precisavam se preocupar com a ação dos alimentos na glicemia.

Leia também: 5 alimentos para controlar a glicemia que você tem em casa

Agora sabemos que mesmo em pessoas saudáveis níveis elevados de glicose após as refeições prejudicam o organismo com o passar do tempo; ainda que nunca causem diabetes. Em resumo, não são apenas algumas pessoas que precisam se preocupar com a glicemia. É praticamente todo mundo! Mesmo que você seja magro e saudável, e especialmente se não se exercita muito ou se tem aquele “pneuzinho”.

Todos os carboidratos elevam a glicemia. Mas alguns, como batata e arroz branco, elevam a glicose mais alto e mais rapidamente em comparação com outros, como batata-doce e cevada. Altos picos significam quedas bruscas – a glicose no sangue pode ficar mais baixa do que antes da refeição –, é quando a energia acaba e a fome ataca novamente.

Carboidratos de ação rápida aumentam e diminuem rapidamente o nível de glicose no sangue, deixando você com fome mais cedo. (Imagem: Revista Seleções)

Você deve estar se perguntando: “Como posso me livrar desses altos e baixos?” Anime-se, não é tão difícil. A alimentação terá papel fundamental no seu índice glicêmico. Alimentos como pão e arroz brancos, batatas e bebidas doces são os principais vilões.

Se você ficou preocupado com a sua glicose mas não sabe por onde começar, veja o nosso guia de como controlar a glicose mudando seus hábitos alimentares.

A relação entre glicemia e câncer

Níveis elevados de insulina parecem promover um ambiente mais favorável ao crescimento de certos tipos de tumor. As pesquisas ainda estão em andamento e é muito cedo para fazer afirmações a respeito da conexão entre glicemia e câncer. No entanto, há motivos para se preocupar com os tipos de câncer listados a seguir.

Câncer de cólon e reto

No Health Professionals Follow-up Study, estudo conduzido pela Escola de Saúde Pública de Harvard com mais de 50 mil homens de meia-idade, aqueles cuja dieta tinha maior tendência de elevar muito e rapidamente a glicemia estavam 32% mais propensos a desenvolver câncer de cólon e reto ao longo de 20 anos. Quanto mais pesados, maior o efeito. Em outro estudo americano, o Women’s Health Study, voltado para a saúde feminina, o crescimento do risco de câncer foi de impressionantes 185% ao longo de oito anos.

Câncer de mama

No Women’s Health Study, mulheres sedentárias que seguiam uma dieta que elevava a glicose no sangue estavam 135% mais propensas a desenvolver câncer de mama ao longo de sete anos do que aquelas cuja dieta era mais favorável a uma glicemia estável. Elas ainda não estavam na menopausa.

Leia também: Consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama

Por outro lado, uma pesquisa canadense com cerca de 50 mil mulheres não encontrou ligação entre as taxas de glicemia e o câncer de mama antes da pré-menopausa; mas entre mulheres na pós-menopausa houve um aumento de 87% no risco de câncer de mama – e que foi ainda maior entre as mulheres que se exercitavam com pouca frequência ou intensidade.

Um estudo mexicano, comparando portadoras do câncer de mama com outras que não o tiveram, descobriu um risco 62% maior naquelas cujas dietas estimulam o aumento da glicemia. Um estudo italiano semelhante constatou aumento de 18%.

Câncer do endométrio

O Women’s Health Study de Iowa, EUA, com 23 mil mulheres na pós-menopausa, mostrou que aquelas que não tinham diabetes e seguiam dietas que elevavam muito a glicemia estavam 46% mais propensas a desenvolver esse tipo de câncer ao longo de 15 anos. Um estudo italiano comparou mulheres que desenvolveram câncer do endométrio com um grupo que não desenvolveu a doença e constatou aumento de 110% no risco associado a esse tipo de dieta.

Câncer de próstata

Um estudo italiano pesquisou homens entre 46 e 74 anos que tiveram câncer de próstata e comparou a dieta deles com a de um grupo que não desenvolveu a doença. Aqueles cuja dieta causava um pico na taxa de açúcar no sangue estavam 57% mais predispostos a desenvolver câncer de próstata. Um estudo canadense encontrou o mesmo índice de risco. Veja aqui como você pode prevenir o câncer de próstata!

Câncer de pâncreas

A análise de dados do Nurses’ Health Study descobriu que mulheres cuja dieta aumentava mais a glicose no sangue estavam 53% mais propensas a desenvolver câncer de pâncreas do que aquelas cuja dieta aumentava a glicose em menor grau. Mulheres do primeiro grupo que estavam acima do peso e fisicamente inativas eram 157% mais propensas a desenvolver o câncer do que as do segundo grupo.

Agora que você já sabe como a glicose pode afetar a sua saúde, veja como ela afeta o seu humor e a sua memória.

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