Quase todo mundo, em algum momento, passou por um problema de saúde embaraçoso – vazamento de urina, excesso de suor ou um mau hálito que não melhora. Embora não ofereçam maiores riscos, esses problemas afetam a qualidade de vida. O que muitos não sabem é que eles têm cura ou tratamento.

Marina Kaiser*, designer alemã de 62 anos, ficou arrasada quando molhou a calça no meio de um estacionamento cheio de gente. Ela sentiu uma vontade súbita de urinar, mas não encontrou vaga e não conseguiu chegar a tempo a um café próximo.

Kaiser tinha problemas de incontinência desde os cinquenta e poucos anos. No começo, os pequenos incidentes aconteciam com pouca frequência. Ela achou que conseguiria resolver e não procurou ajuda. Mas o problema piorou, e começou a ocorrer uma ou duas vezes por semana. Depois do acidente no estacionamento, ela decidiu conversar com o médico. “Fiquei com tanta vergonha que soube que tinha de fazer alguma coisa”, diz ela.

A incontinência é comum

“Há muita gente com o mesmo problema”, diz a urologista Fiona Burkhard, do Hospital Universitário de Berna, na Suíça. “Cerca de 38% das pessoas com mais de 30 anos e 77% das internadas em casas de repouso são afetadas.” Mas, segundo a médica, só um quarto delas procura ajuda. “Ninguém quer falar sobre o assunto.”

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Nas mulheres, os principais culpados são a gravidez e o parto; nos homens, os problemas de próstata. As mulheres são afetadas duas vezes mais que os homens. A pressão abdominal crônica, como na prisão de ventre, o levantamento de objetos pesados, os exercícios de alto impacto e o excesso de peso são fatores contributivos, assim como alimentos picantes, frutas ácidas, bebidas cafeinadas e adoçantes artificiais. Os AVCs e os transtornos neurológicos, como a doença de Parkinson ou a esclerose múltipla, também podem causar incontinência.

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De esforço ou causada por contrações involuntárias da bexiga

Os urologistas diferenciam a incontinência de esforço, na qual a urina vaza quando a pessoa tosse, espirra, pula ou levanta pesos, da incontinência de urgência, causada por contrações incontroláveis da bexiga. Exercitar o assoalho pélvico, emagrecer e evitar alimentos irritantes da bexiga ajudam. Em alguns casos de incontinência de esforço, os médicos recomendam cirurgia para restabelecer o apoio da uretra com uma tela, enquanto os pacientes com incontinência de urgência recebem medicação.

Kaiser, que não teve filhos, foi diagnosticada com hidrocefalia, doença neurológica em que o excesso de líquido no cérebro provocou a perda de controle da bexiga. Para corrigir o problema, os médicos implantaram um cateter para drenar o líquido cefalorraquidiano em excesso para o abdome, onde pôde ser absorvido pela corrente sanguínea. Com a cirurgia e os exercícios diários para o assoalho pélvico, o estado de Kaiser melhorou bastante. “Estou contentíssima porque posso levar uma vida normal outra vez”, diz ela. “Existe a crença de que não há muito a fazer”, diz Burkhard. “Mas há tratamento para os problemas de incontinência, e vale a pena consultar o médico e ser tratado.”

*Nome trocado para proteger a privacidade.

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