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Publicado em: 19 de fevereiro de 2020

Os 5 pilares da inteligência emocional

Autopercepção, autorregulação, motivação, empatia e habilidade social são a receita de relacionamentos melhores.

Imagem: Andrii Zastrozhnov/iStock

A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e raciocinar sobre suas emoções e as dos outros. A expressão foi popularizada por Daniel Goleman que indica cinco componentes da inteligência emocional: autopercepção, autorregulação, motivação, empatia e habilidade social. Com o aumento da globalização e dos locais de trabalho colaborativos, o Q.E. (quociente emocional) é mais importante do que nunca.

“O especialista que tinha um Q.I. elevado ou era muito brilhante numa só coisa agora faz parte de uma equipe”, diz Jen Shirkani, autora de Ego vs. EQ: How Top Leaders Beat 8 Ego Traps With Emotional Intelligence (Ego versus Q.E.: como os maiores líderes superam oito armadilhas do ego com inteligência emocional). “O trabalho exige funcionários mais equilibrados do que no passado.”

Os cinco componentes da inteligência emocional

1. Autopercepção

A autopercepção tem duas partes: uma emocional, outra social, diz Shirkani. Autopercepção emocional é reconhecer os próprios pontos fortes e fracos, as características da personalidade, o estilo de comunicação etc.

“É relativamente fácil obter autopercepção emocional porque é possível fazer testes de personalidade ou autorreflexão”, diz Shirkani. “Depois que aprendemos, é algo que levamos conosco.” A autopercepção social, porém, envolve saber como os outros nos veem; é mais complicada, porque essa percepção pode mudar e ser difícil de ler.

Como melhorar minha autopercepção?

Obter a opinião dos outros é importante para ter mais autopercepção, principalmente no caso da autopercepção social.

“Um dos desafios para isso é que nem sempre conhecemos nossos pontos cegos”, diz Bill Benjamin, palestrante sobre inteligência emocional e sócio do Instituto de Saúde e Potencial Humano. Ele recomenda se inscrever numa avaliação 360°, sistema em que colegas, gerentes e até amigos e parentes lhe dão um feedback anônimo.

Mas, se estiver com dúvidas sobre determinada característica, você também pode solicitar uma crítica mais específica, como diz Shirkani. Por exemplo, pode pedir a um colega que observe sua capacidade de escutar durante uma reunião para ver se você parece distraído ou se interrompe muito os outros.

“Se souberem especificamente o que você procura, eles podem lhe dar um feedback melhor”, diz ela. “E lhes dar permissão antecipada para avisá-lo caso percebam alguma coisa também vai ajudar.”

2. Autorregulação

A boa autorregulação envolve controlar seus impulsos para assegurar que você aja de forma adequada em cada situação. Quando as emoções são intensas, talvez você tenha vontade de enviar uma mensagem maldosa ou chorar no meio de uma reunião.

Mas canalizar esses sentimentos para um projeto ou uma caminhada demonstra inteligência emocional. Só tome o cuidado de não suprimir as emoções enquanto se esforça para controlá-las. Fazer cara de paisagem quando alguém lhe conta por que está aborrecido, por exemplo, faz parecer que você não se importa com o que o outro diz.

“Sem querer, você irrita a pessoa e eleva o nível em vez de baixá-lo”, diz Shirkani.

Como melhorar minha autorregulação?

Parte da complexidade de controlar os ímpetos é que, quando disparada, a parte do cérebro responsável pelas emoções libera substâncias químicas que dificultam pensar com clareza, diz Benjamin. Quando se sentir irritado, basta respirar fundo para alimentar o cérebro com oxigênio, minimizar esse efeito e recuperar a calma. “De repente, você não fica mais tão defensivo e perde parte do comportamento de luta ou fuga, e assim é possível intervir com mais habilidade”, diz ele.

3. Motivação

As pessoas com inteligência emocional se mantêm motivadas mesmo quando a situação não é favorável. “São as pessoas que superam reveses e se mantêm tenazes diante de alvos ou metas perdidos”, diz Benjamin. “Estão ligadas a seu propósito.” Tipicamente, as pessoas motivadas sentem que dão alguma contribuição ao mundo ou têm um emprego que aproveita seus pontos fortes.

Como melhorar minha motivação?

“Quando perder o fôlego, procure um mentor que se preocupe com seu desenvolvimento. E que não o julgue enquanto você fala do que está por trás desse desânimo”, diz Benjamin.

Por outro lado, saiba que as pessoas muito ambiciosas não têm, necessariamente, inteligência emocional, como avisa Shirkani. Atropelar os outros para atingir suas próprias metas, por exemplo, só vai funcionar contra você e sua equipe.

“A ambição cega parece boa porque a pessoa realiza coisas e vê progresso”, diz ela. “O que não se vê é até que ponto os outros estão ficando desgastados.” Se as pessoas à sua volta se exaurem muito depressa, talvez você precise baixar o fogo.

4. Empatia

Empatia não é só sentir a dor dos outros nas dificuldades; é entender seus pontos de vista, desafios e pontos fortes. Não é preciso concordar com esses pontos de vista, mas eles ajudarão a perceber por que as pessoas agem daquele jeito. Aquelas conversas fofas sobre como os outros se sentem parecem um desperdício de tempo, mas na verdade elas aumentam a produtividade, diz Benjamin.

“Quem não se conecta com os outros quando há emoções e frustrações não enfrentadas nem resolvidas acaba gastando tempo demais com essas coisas”, diz ele.

Como aumentar minha empatia?

Aumentar a empatia é tão fácil quanto aproveitar a curiosidade. “Cada um é construído de um jeito diferente, e fazendo mais perguntas podemos entender por que a pessoa se sente daquela maneira”, observa Shirkani. “Supomos que os outros são iguais a nós e, quando dizem ou fazem alguma coisa, que sua motivação é a mesma que a nossa.”

Veja também: a importância da leitura para o estímulo da empatia

Admitir as emoções dos outros também aumenta a empatia porque lhes dá validade, afirma ela.

5. Habilidade social

A habilidade social ajuda quem tem inteligência emocional a conquistar os outros rapidamente.

“É a habilidade do papo furado, de construir um relacionamento com rapidez e de estar à vontade em ambientes naturalmente sociais onde talvez você não conheça ninguém”, explica Shirkani.

Por Marissa Laliberte

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