Lúpus significa “lobo” em latim e, supostamente, tem esse nome por causa das lesões na pele que lembravam mordidas de lobo. É uma doença autoimune sistêmica: “sistêmica” porque pode afetar qualquer parte do corpo ou todo ele e “autoimune” porque é provocada pelo excesso de zelo do sistema imunológico, que ataca tecidos normais e saudáveis.

Por ser uma doença crônica e pouco conhecida, a Federação Mundial de Lúpus criou o Dia Mundial do Lúpus, celebrado hoje, 10 de maio, para conscientizar pessoas e organizações a respeito da doença e dos desafios vividos pelos portadores.

Apesar de não ter cura, o diagnóstico e início do tratamento precoces levam a menor dano no organismo e consequentemente menor risco de complicações. Saiba mais sobre a doença a seguir.

Quais são os sintomas do lúpus?

Os efeitos variadíssimos do lúpus dependem do alvo do sistema imunológico (que pode ser a pele e/ou órgãos internos) e dificultam o diagnóstico. Um de seus indicadores mais característicos é o eritema, mancha vermelha na pele em forma de borboleta que cobre as bochechas e o alto do nariz, que só aparece em um terço dos pacientes.

Outros sintomas são sensibilidade ao sol com lesões da pele que podem descamar e deixar cicatrizes; úlceras na boca ou no nariz; mal-estar; fadiga; dor nas articulações; dor muscular; falta de ar; e olhos secos. Na maioria, os sintomas vêm e vão em períodos de doença ativa (crises) e remissão.

Quais são as causas?

A predisposição ao lúpus é hereditária e, talvez por envolver hormônios e cromossomos sexuais, as mulheres são nove vezes mais afetadas que os homens.

Além disso, em geral, fatores externos podem provocar crises da doença. Esses gatilhos variam dos raios ultravioleta do sol ao estresse, infecções (como herpes-zóster ou resfriado comum) e certos medicamentos (como as sulfas).

Alguns casos do chamado “lúpus induzido por fármacos” somem quando se para de tomar o remédio. Os outros casos precisam ser controlados a vida inteira.

O que fazer?

Se você recebeu o diagnóstico de lúpus, proteja-se do do sol com filtros solares e outras medidas, pare de fumar e tente reduzir a exposição aos outros gatilhos. Quando houver crises, medicamentos receitados pelos médicos como antimaláricos, corticosteroides e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem controlá-las. As lesões na pele também podem ser tratadas com cremes específicos ou injeções.

“Precisamos acalmar rapidamente o lúpus para minimizar a probabilidade de danos”, diz o Dr. David Isenberg, principal autor das diretrizes de controle do lúpus publicadas pela Sociedade Britânica de Reumatologia.

Os medicamentos têm os próprios efeitos nocivos (como problemas digestivos com o uso prolongado de AINEs, osteoporose causada pelos esteroides) de modo que o reumatologista precisará elaborar um plano sob medida com bom equilíbrio entre proteção e danos. Também é preciso marcar exames regulares a fim de tratar prontamente as complicações que surgirem.

O lúpus precisa ser levado a sério, mas, com acompanhamento regular, obediência ao tratamento, apoio emocional e um estilo de vida saudável, as probabilidades estão a seu favor.

Por SAMANTHA RIDEOUT