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Publicado em: 9 de outubro de 2020

Organização, produtividade e autoconhecimento: conheça o método Bullet Journal

Saiba mais sobre esse sistema de organização pessoal e produtividade.

Imagem: Estees Janssens/Unsplash

“Rastrear o passado, organizar o presente, planejar o futuro”. Esse é o lema do método Bullet Journal, criado pelo designer de produtos digitais e hoje autor best-seller, Ryder Carroll.  O sistema ajuda-nos a organizar melhor nossas tarefas e a checar o que é de fato importante e significativo para as nossas vidas. 

bullet journal com desenhos
Imagem: sabelskaya/iStock

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O método é bastante simples e você precisa de pouco para começar. Um caderno de sua preferência e uma caneta já bastam. Caso queira colorir e customizar é uma questão pessoal de cada um dos seus usuários.

A prática tem como objetivo ajudar no aumento da produtividade e no desenvolvimento da atenção plena, proporcionando viver a própria vida com maior intencionalidade.  O nome vem de Bullet Points, que em inglês significam "tiros" ou tópicos mais diretos.

A história

Ryder Carroll foi diagnosticado como portador do transtorno do déficit de atenção ainda na infância. Como forma de vencer as dificuldades impostas por esta condição, Carroll, ao longo dos anos, criou uma técnica própria de organização.  

Quando estava terminando a faculdade, o método Bullet Journal havia sido criado. Encorajado por um amigo, Ryder resolve compartilhar a sua metodologia na internet no ano de 2013. 

Desde então, o método tomou uma proporção gigante nas redes sociais, atingindo uma altíssima popularidade no mundo todo e criando uma enorme comunidade em torno do sistema, que é ao mesmo tempo uma ferramenta de produtividade e uma prática de atenção plena.

Em 2018 foi lançado o lívro sobre este sistema, O Método Bullet Journal, que foi traduzido e publicado no Brasil ainda no mesmo ano, pela editora Fontanar.

Quais as vantagens do Bullet Journal?

De um lado é um sistema, que auxilia inegavelmente na produtividade. De outro é uma prática que aumenta a capacidade de atenção plena. A atenção plena (mindfulness) ajuda-nos a sermos mais presentes e conscientes no que estamos fazendo. 

Enquanto sistema ajuda-nos a checar o que é importante e significativo, a organizar as nossas responsabilidades. Enquanto prática deixa mais claro o porquê. 

O sistema ajuda-nos a ficarmos mais organizados e lidar com nossas responsabilidades. A prática ajuda a identificar padrões e o que consideramos mais importante. Ajuda-nos a dar um passo atrás na corrida das vidas lotadas e observar-se. 

Método atrativo, abrangente e simples

De um lado, o fato de aliar uma ferramenta de produtividade com uma prática de atenção plena. Ryder brinca que o Bullet Journal - também chamado de BuJo por seus adeptos, é uma prática de atenção plena disfarçada de uma ferramenta de produtividade.   

De outro, a grande flexibilidade do método, pode ser personalizado e adequado a diferentes objetivos e personalidades. O Bullet Journal foi desenhado para ser flexível, o sistema permite que se faça tudo em apenas um único lugar/caderno.

Essa flexibilidade é também o motivo da diversidade da sua comunidade, que é mundial e conta com adeptos de, literalmente, todos os estilos. De minimalistas a gamers. De mulheres mães a pessoas com foco em questões de saúde mental. De criativos a pessoas mais tradicionais. Todos cabem no método.

Imagine então poder juntar o caderno de desenhos, o rastreador de atividades, os lembretes, a lista de afazeres, as anotações das aulas ou da reunião de equipe, o brainstorming, as frases interessantes, as listas de compras, os cronogramas de leituras e outras atividades, as poesias, em apenas um lugar?

A metodologia foi criada para abrigar qualquer coisa que o pensamento alcance. Essa flexibilidade permite que o método seja usado em tantas atividades específicas que é impossível saber de tudo. Constantemente surgem novos potenciais da metodologia.

Método análogico em um mundo digital

Em alguns momentos é possível questionar o porquê de utilizar um método analógico em um mundo com milhares de aplicativos digitais para organizar a vida. Tanto os aplicativos como o Bullet Journal são ferramentas e devem ser utilizadas de acordo com as próprias necessidades.

O uso de cada uma dessas ferramentas deve ser julgado pelo quanto elas são eficientes para ajudar você a mover-se em direção aos seus objetivos. Para o criador do BuJo, o uso de ferramentas digitais não estava sendo produtivo. Ele passava muito tempo organizando a coisas, mas sem colocá-las em prática.

No digital é mais fácil de se distrair e pular do planejamento de uma reunião para um site de compras de algo totalmente supérfluo. Com o caderno é possível tirar de fato um momento para pensar no que de fato está fazendo.

O processo de escrever nos coloca offline e ajuda a criar o hábito de realmente checar porque estamos trabalhando com determinada coisa.

Ocupação X Produtividade 

Em 2017, Ryan deu uma palestra TEDx, organizada pela Universidade de Yale, chamada Como desentupir sua mente – use um caderno”. O vídeo conta com quase 600 mil visualizações no Youtube. Nele, o criador argumenta que embora isto muitas vezes seja relacionado, estar muito ocupado não significa que esteja sendo produtivo. 

Nos super ocupamos hoje devido ao nível opressor de escolhas que precisam ser feitas em nossas vidas. A liberdade de escolhas é um privilégio que vem com um custo. A cada escolha precisamos fazer uma decisão. Cada decisão requer um foco. 

Este foco nos custa os mais valiosos recursos que temos, o nosso tempo e nossa energia. Em geral evita-se pensar sobre “como”  gastamos nosso tempo e energia porque isso pode ser uma atividade estressante. 

Evitar grandes questões existenciais como “O que quero fazer da minha vida?”, pode levar a um alto nível de estresse e ansiedade, pois sentimos como se estivéssemos perdendo o controle. A verdadeira produtividade consiste em trabalhar em menos coisas com mais foco para investir em cada uma delas.  

Fazendo um inventário mental

O primeiro passo para atingir isso tudo é criar espaço na mente. A organização mental é um pré-requisito para a saúde mental. Ryder propõe que comecemos tirando tudo para fora, através de um Inventário Mental.

Para fazer este inventário, basta uma caneta e uma folha de papel. Primeiro, divida a folha de papel em três e responda: 1) quais as coisas preciso fazer ? 2) quais as coisas eu deveria estar fazendo? 3)  quais coisas eu quero fazer

Escreva todos os seus pensamentos, pois segurá-los é como tentar segurar água com as mãos. Ao escrevê-los, podemos identificá-los e trabalhá-los posteriormente. 

O inventário mental irá oferecer um quadro geral de como está investindo seu tempo e energia. O segundo passo é perguntar-se: por quê?  Sem cair em uma crise existencial, é possível ser honesto consigo se considera um assunto importante para você ou se está refém dele. 

“Nos sobrecarregamos com responsabilidades desnecessárias a todo o momento”

Ryder Carroll

Constantemente nos distraímos com as coisas que deveríamos/poderíamos estar fazendo, mas nos esquecemos de nos perguntar se estamos fazendo mesmo o que queremos.

O segundo passo, então, é pegar seus objetivos e quebrá-los em pequenos projetos executáveis. Estes projetos pequenos ajudam a manter e fazem crescer a nossa curiosidade natural, que é um elemento genuíno e extremamente importante. 

Os pequenos projetos: 1-  não podem ter barreiras para começar. 2- precisam estar em uma lista de ações claramente definidas. 3 - Devem durar menos de um mês. Caso dure mais de um mês, divida-o em 2 projetos menores. 

Cabe lembrar que estes projetos não precisam ser todos parte de um projeto maior, mas podem ser projetinhos com objetivos independentes. O objetivo é a auto investigação e saciar a curiosidade, sabendo se ela é genuína e nos leva a algum lugar ou se pode ser descartada.

O tempo não é um recurso renovável 

“Você não pode fazer tempo, você pode apenas dar um tempo”, afirma Carroll. Sabendo disso, é nossa responsabilidade dar um tempo para identificar as coisas que nos interessam e descobrir as formas de alcançá-las. Assim, projeto após projeto aprendemos o que realmente queremos. Chegar a isso requer tempo e dedicação.  

O inventário mental é um mapa que serve para nos atualizar dos nossos interesses e objetivos diariamente. Ao longo do tempo esta prática irá proporcionar uma grande quantidade de dados pessoais, que podem oferecer insights profundos na vida.

Mapear o que você tentou, o que não tentou, o que está ou não funcionando. Esta prática nos leva a realizar o quanto temos o poder modelar as nossas próprias vidas.

caderno sem pauta mesa
jeshoots.com/Unsplash

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Uma vida com mais intenção e propósito é o objetivo do Bullet Jornal

O Bullet Journal é uma forma de manter esse inventário mental em dia. A partir da prática regular, é possível definir seus objetivos pessoais com maior eficiência e satisfação e assim viver uma vida com maior intenção. 

O objetivo geral da técnica é transportar você  de uma vida “ocupada” para uma vida com intenção.

"Bullet Journal encoraja as pessoas as pessoas a de fato pensar sobre o que estão fazendo. Não é apenas sobre como tornar-se mais efetivo ou mais preenchido durante o dia, mas é sobre entender o valor que as atividades que faz dão a sua vida” . 

Ryder Carroll

No processo de escrita, você fica mais familiarizado com a sua forma de pensar, com as coisas que você responde ou não. Isso gera um maior referencial da sua estrutura pessoal de aprendizagem numa base regular.  

Isto leva a tomada de decisões mais bem informadas e assertivas. Ao surgir uma oportunidade pode-se discernir se será algo que vai tomar nosso tempo e qual o valor damos a esse investimento. É sobre tornar-se significativamente mais atento sobre como você investe seu tempo e energia

Nesse espaço temos insights e ideias. Se nossas ideias e insights não tomam um papel ativo na nossa vida, tendemos a esquecê-las. É aí que entra o Bullet Journal. O sistema serve para que alinhemos nossas ações e nossas crenças, isso é intencionalidade. 

Também não é preciso se preocupar caso não saiba bem o que é de fato importante para você ou qual é o seu propósito, isso a prática do método irá oferecer.

caderno e lapis na mesa
Jan Kahánek/Unsplash

Como fazer o seu Bullet Journal

Agora é só botar a mão na massa! Fazer um bullet journal é bastante simples e basta a vontade de começar. O criador da técnica tem um caderno próprio para isso, com pontilhados, mas qualquer caderno de sua preferência será igualmente bom. O tamanho do caderno também pode ser qualquer um, mas é preciso que seja prático e que você goste do modelo. Pode ser sem pautas, ou com pautas.

Embora diversos adeptos da técnica ao redor do mundo sejam entusiastas de técnicas de caligrafia, adesivos, canetinhas e enfeites, para começar basta o básico. Escolha um caderno de sua preferência. Tendo feito seu inventário mental, você já está totalmente pronto para começar seu próprio BuJo.

  1. Logo na primeira página, faça uma CAPA pessoal.
  2. Na segunda, deixe separada para definir a LEGENDA dos SÍMBOLOS que vai usar no caderno. Alguns dos símbolos comuns são: • ( tarefa), < (tarefa programada) , > (tarefa migrada) , X (tarefa concluída), ! (inspiração), * (prioridade) , - (anotação) , ° (evento). Lembre-se que você tem liberdade para escolher e criar seus próprios símbolos
  3. Em um caderno médio separe pelo menos as duas primeiras páginas para o ÍNDICE. Escreva a palavra ÍNDICE no topo destas páginas.
  4. Até aí você pode numerar as páginas com algarismos romanos. A partir de agora a numeração começa a ser feita com números normais. Sempre ao pé das páginas.
  5. Reserve agora uma página para seu REGISTRO FUTURO/ ANUAL, que é um registro geral dos meses que seu caderno cobrirá. Deixe esse título no topo da página. Com uma régua divida em 3 esta página.

    Exemplo: JANEIRO (na primeira divisão), FEVEREIRO (na segunda divisão), MARÇO (na terceira)... E assim por diante. Em um caderno tipo moleskine você usará 4 páginas, cada uma dividida por 3, totalizando os 12 meses do ano.
  6. A partir de agora é que começa o processo de confecção mais artesanal/customizada e diária do seu Bullet Journal.

    Faça agora, então, o REGISTRO MENSAL. Em uma folha escreva acima o MÊS de início e logo abaixo todos os dias desse mês, um abaixo do outro. Ao lado dos dias, você pode adicionar os dias da semana, simplesmente colocando a letra inicial desse dia.
  7. Na folha seguinte escreva as TAREFAS, liste sua principais tarefas do mês. A cada novo mês, é um novo registro mensal e um novo quadro de tarefas.
  8. Por fim, os registros diários, feitos a cada dia, com as suas principais tarefas a cada dia ou o que mais você queira inserir.

Lembre-se sempre, o Bullet Journal é um método amoroso, você não deve se sentir culpado ou preso a um modo específico de fazer para ser parte da comunidade. Não se preocupe também caso pule alguns dias sem escrever. Ter isto rastreado é também uma forma de se conhecer. São muitas formas de fazer um universo a se descobrir.

Os registros são uma forma de se conhecer melhor e agir melhor na própria vida e no mundo. A partir das indicações básicas, siga o fluxo, faça o seu próprio Bullet Journal, com suas próprias particularidades. Explore novos territórios e viva uma vida de intenção!

 

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