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Saúde & Bem-estar

Saiba o que é um derrame, tipos e tratamento

A cada ano, 15 milhões de pessoas no mundo todo sofrem um derrame, a segunda maior causa de morte em indivíduos acima dos 60 anos

Escrito por:

Rayane Santos

Redator
ilustração de alguém tendo um derrame
peterschreiber.media/iStock
Publicado em: Última atualização:

O derrame é uma das principais causas de morte no mundo moderno. É bom se manter bem informado sobre como reduzir os fatores de risco e cuidar do coração para proteger o cérebro.

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Ele ocorre quando um grande vaso sanguíneo no cérebro fica bloqueado ou se rompe. Isso reduz o fornecimento de sangue e de oxigênio ao tecido cerebral, matando suas células. Mesmo uma breve interrupção no fluxo sanguíneo pode ser danosa. Se a interrupção durar mais do que alguns segundos, as células morrem ou são danificadas, portanto, para salvá-las, o fornecimento de oxigênio deve ser restaurado rapidamente. Entenda mais sobre derrames a seguir.

Tipos de derrame

Derrames isquêmicos

São causados por um bloqueio, em geral por um coágulo no cérebro ou nos vasos sanguíneos do pescoço. Os derrames isquêmicos, que representam 90% de todos os AVCs, são divididos ainda em dois subgrupos:

Derrame embólico: Um coágulo sanguíneo que se formou em outra parte do corpo viaja até o cérebro e entope um vaso sanguíneo.

Derrame trombótico: Ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma em uma artéria ligada ao cérebro. É mais provável que se dê em artérias com depósitos de gordura (placas).

Derrames hemorrágicos

Correspondem a apenas 10% do total de AVCs, mas há uma maior probabilidade de serem fatais. São causados por sangramento no cérebro, em geral decorrente da ruptura ou de um vaso sanguíneo ou de um aneurisma (uma bolsa protuberante nos vasos sanguíneos enfraquecidos).

Como são diagnosticados?

É fundamental que o médico determine o tipo de derrame. Para isso, faz-se uma TC ou uma IRM do cérebro e ainda um eletrocardiograma (ECG) para verificar quaisquer doenças cardíacas subjacentes. Outros exames incluem hemograma, para checar os níveis de glicose e colesterol, e ultrassom das artérias carótidas, para ver se há entupimento.

Qual é o tratamento?

O tratamento para o derrame depende do tipo: isquêmico ou hemorrágico. Algumas pessoas se beneficiam do ativador do plasminogênio tecidual (AP-t), uma droga poderosa que dissolve os coágulos cerebrais. Para ser eficaz, o AP-t deve ser administrado por via intravenosa dentro de 3 a 4 horas após o início dos sintomas.

A medicação só pode ser fornecida a pacientes que estão tendo um derrame isquêmico. O AP-t não é administrado em caso de derrame hemorrágico, já que pode aumentar o sangramento e levar à morte. Esse tipo de derrame costuma ser tratado com medicamentos que ajudam a diminuir a pressão arterial e o edema cerebral, com repouso absoluto e possivelmente o uso de aspirina. O paciente pode vir a precisar de sessões de fonoaudiologia e fisioterapia.

Como detectar um derrame

Dias, semanas ou meses antes de ter um derrame, 30-40% das pessoas recebem um alerta: um breve miniderrame, chamado de ataque isquêmico transitório (AIT). Algumas vezes, é denominado miniderrame, ou mini-AVC, por apresentar os mesmos sintomas do derrame, com a diferença de que somem em poucas horas, sem deixar sequelas.

O AIT, no entanto, é um sinal de alerta de um derrame iminente. Após o episódio, o risco de se ter derrame nos dois dias seguintes acomete 1 em cada 20 pessoas. Nos meses seguintes, 1 em cada 10 – a menos que você comece a agir.

O que fazer

Leia também: Derrame pericárdico: causas, sintomas e tratamento

Vá ao médico se suspeitar que você ou algum conhecido teve um AIT. Ele pode prescrever uma medicação para prevenir os coágulos, reduzir a pressão arterial e diminuir o colesterol. Pode-se realizar um ultrassom ou uma ressonância magnética para verificar se a placa está entupindo as artérias no pescoço que transportam o sangue até o cérebro. Se houver um bloqueio de mais de 70%, pode ser necessária uma cirurgia para removê-la.

Aprenda a reconhecer os sinais de um derrame

Anticoagulantes podem prevenir e até mesmo reverter os danos cerebrais causados pela forma mais comum de derrame – o derrame isquêmico decorrente de um coágulo sanguíneo –, mas apenas se forem administrados dentro do período de 3 a 4 horas após o início dos sintomas. Em caso de suspeita, esteja atento a esses três aspectos específicos:

  • Avalie o rosto da pessoa. A boca entortou ou os olhos ficaram caídos?
  • A pessoa consegue erguer ambos os braços?
  • A fala da pessoa está confusa? Você consegue entender o que ela diz?

Cerca de 20% das pessoas que sofrem um derrame terão problemas na fala e na compreensão da linguagem – isso é chamado de afasia. Elas também poderão ter problemas de atenção, leitura, escrita e em operações matemáticas. Outros sintomas podem incluir:

  • Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para andar ou perda de força em uma das pernas.
  • Dormência, formigamento ou uma sensação de peso em um lado do corpo.
  • Visão embaçada ou dupla, obscuridade ou a sensação de que uma cortina se fechou sobre os olhos.
  • Instabilidade, tontura, gestos desastrados e desmaio.
  • Dor de cabeça súbita e severa.

Se você ou alguém ao seu redor apresentar qualquer um desses sinais, busque ajuda médica rapidamente, chame a ambulância imediatamente.

Fatores de risco

menina mexendo em um notebook comendo fast food
Uma alimentação ruim pode aumentar o risco de derrame. (Yuliya Apanasenka/iStock)

Suas chances de ter um derrame são maiores se você apresentar um ou mais dos fatores de risco a seguir.

O que não se pode controlar

  • Pessoas da raça negra possuem maior tendência de ter um derrame
  • Após os 55 anos, os riscos dobram a cada década
  • Os homens possuem risco maior do que as mulheres
  • Doenças de coagulação do sangue hereditárias acarretam maior risco
  • Diabetes
  • Histórico familiar ou pessoal de AIT ou de derrame

O que se pode controlar

  • Pressão arterial elevada
  • Fumo
  • Frequência cardíaca irregular
  • Doença cardíaca
  • Colesterol alto
  • Resposta ao estresse
  • Sedentarismo
  • Sobrepeso
  • Drogas ilícitas
  • Consumo excessivo de álcool
  • Dieta pobre

A vida após o derrame

O derrame é uma das causas mais comuns de danos cerebrais. No entanto, suas sequelas não são sempre irreversíveis. Por incrível que pareça, o cérebro é “plástico” e, com o estímulo certo, pode refazer conexões para compensar a perda. Os sintomas variam de acordo com a artéria ou área do cérebro danificada, mas os mais comuns são:

  • Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo
  • Sensação alterada do corpo
  • Perda parcial do campo visual
  • Dificuldades na fala e na compreensão da linguagem (em caso de derrame no lado esquerdo cérebro)
  • Problemas com a consciência visual e espacial (derrame no lado direito do cérebro) 
  • Perdas ocasionais de memória
  • Mudanças de comportamento
  • Depressão

O importante a ser lembrado é que, para a maioria, os problemas iniciais melhoram. Nos primeiros dias, no entanto, os sintomas como paralisia parcial e fala arrastada podem preocupar.

Reconexão do cérebro

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A recuperação após um derrame pode ser lenta e, às vezes, é apenas parcial, mas, com a atitude e o apoio corretos, a evolução na melhora da qualidade de vida pode ser enorme. Onde quer que tenha sido a lesão, o cérebro tem a capacidade de se autorreparar, e uma das formas de isso ocorrer é por meio de terapia, física ou mental. O objetivo é desafiar o cérebro de novas maneiras para estimular o desenvolvimento de conexões, criando vias alternativas ao redor das áreas lesionadas.

Até onde o cérebro pode fazer novas conexões depende muito da idade: quanto mais jovem ele é, mais rapidamente se recupera. No entanto, o estímulo, a prática e a novidade podem “excitar” até cérebros mais velhos. Não importa a idade, quanto mais ativo mantivermos esse órgão, maiores são as chances de compensação em casos de danos.

Plano de ação

Terapeuta ocupacional: Vai avaliar quanta ajuda é necessária para você se vestir ou se alimentar. Também vai visitá-la para verificar as adaptações necessárias, como a colocação de barras de apoio no boxe e na privada, de rampas nas escadas, e ainda avaliar o grau de ajuda para fazer faxina ou cozinhar.

Fisioterapeuta: A fisioterapia contínua é importante para a recuperação. O fisioterapeuta vai estabelecer um programa de exercícios sob medida, incluindo sessões regulares em uma piscina de hidroterapia.

Apoio da família: Não tenha medo de pedir ajuda à sua família ou aos amigos. Quando estiver em casa, você notará que mesmo tarefas simples, como se vestir, serão cansativas.

Saúde emocional: É normal se sentir para baixo após um derrame – desconforto físico e um sentimento de inutilidade podem contribuir para um quadro de depressão. Em geral, simplesmente compartilhar os receios com aqueles em quem se confia é suficiente. Porém, se a sua depressão não melhorar, aconselha-se uma visita ao clínico geral, que poderá sugerir uma consulta ao psicólogo ou prescrever antidepressivos até que as pressões iniciais de lidar com a nova vida diminuam.